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Individualidade e Socialização na Sala Montessoriana

Ontem, dia 21 de setembro, foi Dia Internacional da Paz. Nós já havíamos publicado um texto sobre a Paz bastante recentemente e achamos que seria repetitivo fazê-lo de novo. Escolhemos, então, um tema correlato: como o trabalho individual na sala montessoriana prepara a criança a vida social. Para este assunto, porém, há duas respostas prontas dadas por Montessori ela mesma, e achamos que o melhor a fazer seria deixar que ela falasse aqui. Por isso, traduzimos o texto disponível na página da Associação Montessori Internacional e o disponibilizamos integralmente abaixo. É sempre um prazer quando podemos trazer Montessori para nosso Lar.

Duas Questões Respondidas por Maria Montessori
Este Artigo foi publicado originalmente em “Call of Education, Vol.1, No.1, 1924″

Se as crianças em uma escola Montessori trabalham mais sozinhas do que coletivamente, como serão capazes de se preparem para a vida social?

A vida social não consiste em um grupo de indivíduos permanecendo sempre muito próximos, um ao lado do outro, e nem no avanço em massa sob o comando de um capitão, como um regimento em marcha – e nem em uma sala comum de escola infantil.
A vida social do homem tem suas bases no trabalho, harmonicamente organizado, e sobre as virtudes sociais – e essas são as atitudes que se desenvolvem em um grau extraordinário entre nossas crianças. Contância no trabalho, paciência quando devem esperar, o poder de se adaptarem às inúmeras circunstâncias que se apresentam diariamente, no convívio uns com os outros, a ajuda recíproca, e assim por diante, todos são exercícios que representam uma vida social prática e real, e que nós vemos, pela primeira vez, sendo organizada entre as crianças, em uma escola.
De fato, onde as escolas costumavam estar equipadas somente para acomodar as crianças, sentadas lado a lado, e se esperava que recebessem do professor (podemos dizer que de forma quase parasítica), nossas escolas, ao contrário, têm um equipamento que é adaptado a todas as formas de trabalho necessárias em uma pequena comunidade ativa e independente.
O trabalho individual no qual a criança é capaz de isolar-se e concentrar-se, serve para aperfeiçoar sua individualidade e, quanto mais perto o homem chega da perfeição, melhor ele é capaz de se associar harmonicamente com os outros. Um movimento social forte não pode existir sem indivíduos preparados, assim como os membros de uma orquestra não podem tocar juntos harmonicamente a não ser que cada indivíduo tenha sido treinado por exercícios repetidos quando sozinho.

Nas escolas Montessorianas o trabalho é escolhido pela criança ela mesma, que busca a ocupação mais interessante e, portanto, a mais agradável para ela. Como tal preparação pode ajudá-la a tomar seu lugar na sociedade quando um dever impõe tarefas que nem sempre são agradáveis, de fato geralmente contrárias ao gosto pessoal?

Aquele que se esforça, superando dificuldades apesar de sua tarefa não ser agradável, ou, em outras palavras, aquele que sacrifica a si mesmo deve, sobretudo, ser forte. Essa questão, portanto, pressupõe uma condição que é de importância fundamental: “sine qua non” – ser forte. Os exercícios espontâneos que as crianças fazem em nossas escolas, escolhendo o trabalho que gostam e permanecendo absortas nele por um longo período, em uma atmosfera de tranquilidade, os fortifica e, desta forma estão, ainda que indiretamente, preparando-se para as eventualidades desagradáveis da vida social futura. Da mesma forma, a criança que é alimentada durante o primeiro ano de sua vida pelo leite somente, está se preaprando assim para se alimentar de comidas diferentes mais tarde. Se a nutrição da criança foi tal a permitir um desenvolvimento físico robusto e saudável, então o homem adulto será forte o suficiente para digerir comidas pesadas, mas não se tiver sido alimentado de comidas pesadas e inadequadas quando era uma criança.
Aquele que adquiriu o equilíbrio perfeito de seu corpo pode curvar-se à direita ou à esquerda, e enfrentar passos e degraus difíceis sem cair. A aquisição do equilíbrio é, portanto, uma preparação necessária para os movimentos difíceis. O mesmo é real para a vida psíquica. A criança que executa exercícios espotâneos que levam a um equilíbrio mental saudável serão capazes de se adaptarem sem perderem sua individualidade. É por meio da doença que nos preparamos para sermos fortes? Os heróis se prepararam para seus atos heróicos gradualmente desde a infância? Não – sua vida é uma grande incógnita no que diz respeito ao futuro. O que se precisa preparar no presente é a força, o equilíbrio e a saúde. Aquelas crianças que ganharam força interna em seu trabalho e pelo exercício, quando homens serão mais capazes de se adaptarem aos esforços que não acharem prazerosos.

A Vida de Maria Montessori

Publicado em

Este texto também está disponível na página “Maria Montessori“, acima.

Aos nossos leitores: a série sobre Períodos Sensíveis vai continuar em breve!

Maria Montessori é nossa precursora. Ela resumiu sua vida em uma frase, sucintamente relembrada por seu neto, Mário Montessori Jr.: “Eu descobri a criança“.  Ela é mundialmente conhecida por ter criado o método Montessori (chamado por ela de Pedagogia Científica) e ter revolucionado a forma como a criança é compreendida e respeitada. Em quase todos os países do mundo há escolas montessorianas e diversas iniciativas educacionais revolucionárias tiveram suas bases nas descobertas de Montessori. O recente documentário Educação Proibida figura diversas escolas montessorianas, entre aquelas que visita, e entrevista pelo menos cinco professores montessorianos.

Veja um exemplo de sala montessoriana:

Nascida em 1870, em Chiaravalle, Itália, Maria Montessori, não decidiu cedo que seria educadora. Na verdade, até o final de sua graduação, estava decidia a seguir outras carreiras. Quando adolescente, apaixonada por Matemática, escolheu cursar o ensino técnico de Engenharia e, com o apoio da mãe e as reticências do pai, foi uma de duas garotas em uma escola frequentada exclusivamente por meninos. Terminou o curso com sucesso, mas então já estava decidida, para alívio de seu pai, a abandonar a Engenharia. Apaixonara-se, no entanto, por biologia, e decidira ser médica.

Novamente sua mãe, que tinha ares feministas e desejava que sua filha tivesse uma boa carreira, apoiou sua decisão. O pai não a impediu, mas não a apoiou no início. Houve necessidade de se conversar com o reitor da universidade para que uma mulher pudesse fazer o curso. Ao contrário do que se pensa, Montessori não foi a primeira mulher a se formar médica na Itália, mas a terceira. Isso, entratando, não diminui em nada seu mérito. Foi a segunda mulher a exercer a profissão de médica na Itália e durante toda a graduação sofreu a segregação típica da sociedade da época.

Entre os problemas enfrentados no curso superior de Medicina, um dos piores eram as sessões de dissecação, que ela precisava fazer sozinha, à noite, pois não podia executá-las junto com os homens da sala. Em uma de suas experiências, em uma sala abafada, abria um cadáver circundada por esqueletos e partes humanas conservadas in vitro. O cheiro do corpo que estudava a deixou tonta, e Montessori olhou em volta, com terror. Segundo ela, neste momento quase desistiu de ser médica. Para respirar um pouco de ar, foi até uma das janelas da sala, e quando lá estava, avistou na rua uma senhora caminhando, provavelmente para casa, e pensou que desejava de fato ter uma profissão diferente do magistério – destino de todas as mulheres que não se conformavam em tomar conta de casa. Consta que retornou então ao cadáver que estudava e não pensou novamente em abandonar sua carreira.

Formada, em 10 de julho de 1896, Dr.ª Montessori foi trabalhar na Psiquiatria. Em diversas visitas a asilos, percebeu que o tratamento dispensado às crianças era desumano e, em sua busca por compreender as crianças e seu desenvolvimento, chegou aos escritos de Itard, acerca de Victor, o Menino Selvagem de Aveyron. Suas pesquisas sobre Itard a levaram a Séguin, estudioso das crianças portadoas de necessidades especiais e dos tratamentos que podiam ser dispensados a elas. Montessori encantou-se sobremaneira com as informações de Séguin sobre a sensibilidade sensorial da criança pequena e com os materiais que o pesquisador havia desenvolvido. Tão encantada que, manualmente, traduziu todo um livro de Séguin para o italiano, afim de absorvê-lo em sua completude. A partir do estudo da obra de Ségui surgiram muitos dos que seriam, mais tarde, os materiais de desenvolvimento, utilizados em salas montessorianas por todo o mundo.

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Aos vinte e oito anos, Montessori defendeu no Congresso Médico Nacional, em Turim, a tese de que a causa principal dos atrasos apresentados pelas crianças portadoras de distúrbios de comportamento e aprendizagem era o seu ambiente ausente de estímulos para o desenvolvimento adequado.Data deste congresso uma das histórias famosas da vida de Montessori. Conta-se que, tendo terminado sua exposição, um médico da plateia pede a palavra e lhe pergunta: “Por que preocupa-se a senhora com estas crianças? Não sabe que elas não podem aprender?” – ao que Montessori respondeu: “Elas podem. São os senhores que não permitem”. No ano seguinte, ainda, apresentou, no Congresso Nacional de Pedagogia uma visão social e econômica baseada em medidas educacionais. [1]

Montessori envolveu-se com a Liga para a Educação de Crianças com Retardo (por forte que hoje nos pareça o nome, à época não seria considerado assim) e lá conheceu o médico Giusseppe Montesano, com quem foi escolhida para a co-direção de uma nova instituição: a Escola Ortofrênica. Ortofrenia é o nome que se dava aos processos de tratamento das necessidades especiais apresentadas pelas crianças. Nessa instituição, o trabalho prioritário era o treinamento de professores. Porém, na sala ao lado daquela destinada ao treinamento, ficavam as crianças retiradas do asilo por Montesano e Montessori, e que eram, ao mesmo tempo, alunas e objetos de pesquisa.

Nesta sala, Montessori observou que as crianças se interessavam por qualquer coisa que pudessem sentir, com qualquer um de seus cinco sentidos. Lembrando-se bem do que aprendera com a obra de Séguin, Montessori emprega osmateriais sensoriais do pesquisador, somados a algumas inovações suas. Por observação das crianças, Montessori aos poucos desenvolveu alterações nos materiais originais e criou diversos outros, novos.

Por meio da utilização desses materiais, as crianças internadas na escola aprenderam tanto e se desenvolveram tão bem, que Montessori sentiu-se confiante para inscrevê-los nos testes nacionais de educação da Itália. E nos exames, os alunos de Montessori, que enfrentavam as mais variadas dificuldades para aprender, se saíra melhor do que boa parte da população infantil italiana, que tinha a congnição perfeita e era educada em escolas normais.

Abismada diante do absurdo quadro à sua frente, Montessori pergunta-se o que há de tão errado com as escolas tradicionais, para que crianças que teriam tudo para obterem resultados excelentes nos testes se saíssem com resultaos piores do que os de suas crianças, para quem todas as atividades apresentavam imensos desafios. Assim, Montessori, que já havia cursado Pedagogia neste meio tempo, decide dedicar-se integralmente à Educação – a carreira que evitara desde menina.

Em 1901, Montessori deixou a Escola Ortofrênica e começou a estudar com maior profundidade a pedagogia e a antropologia, até que em 1904, assumiu o posto de professora da Escola de Pedagogia da Universidade de Roma, onde fica até 1908.

Quase no fim de seu período como docente, surge a oportunidade pela qual esperava para trabalhar com crianças cujo desenvolvimento não apresentava nenhuma característica especial, para poder testar sua intuição acerca do aprendizado por meio dos sentidos. Em 1907, uma empreiteira associada ao governo de Roma está construindo um conjunto habitacional popular no bairro pobre de San Lorenzo, e percebe a necessidade de se confinar as crianças em um espaço determinado, para que não sujem, pichem ou estraguem a obra comprada pelo poder público. Assim, Montessori é convidada para desenvolver o projeto educacional do local.

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Era para ser uma creche sem maiores pretensões, mas a Casa dei Bambini (literalmente Lar das Crianças) iria se mostrar o palco da maior revolução educacional do mundo. Na Casa, havia mobília de escritório cujas pernas Montessori mandara cortar, para adequar ao tamanho das crianças, e – trancados em um armário – ficavam os materiais sensoriais desenvolvidos por Montessori. Quando houve materiais suficientes para que todas as crianças pudessem usá-los todo o tempo, elas se acalmaram e mostraram-se absolutamente concentradas, tranquilas e felizes. Depois de algum tempo na Casa, Montessori aceitou, sob pressão dos pais das crianças, ensiná-las a escrever por seu método e, para sua surpresa, aprenderam tão bem que, um dia, descobriram sozinhas que “sabiam escrever” e sairam pelos quarteirões de San Lorenzo escrevendo no chão e nas paredes.

Aos dos fenômenos educacionais acima, Montessori chamou “Normalização” (chamado hoje de Equilíbrio Natural da Criança, por nós) e “Explosão da Escrita”. As duas descobertas a deixaram boquiaberta e a levaram para as capas dos jornais e revistas de todo o mundo. Com dois anos de Casa, em 1909, Montessori vai passar vinte e um dias em uma fazenda nas proximidades de Roma e lá, escreve O Método da Pedagogia Científica Aplicado à Educação Infantil na Casa das Crianças. [2] Obra de cunho absolutamente acadêmico e analítico, na qual Montessori expõe, pela primeira vez, seu método completo. Em português o livro se chama Pedagogia Científica e em inglês foi traduzido para o termo que se eternizaria, entitulado O Método Montessori.

Daí em diante, seguem-se viagens pelo mundo, nas quais Montessori miistra cursos e palestras sobre seu método, espalhando por todos os lugares as descobertas que fizera, abrindo escolas, treinando professores, escrevendo livros e publicando artigos e entrevistas por onde passava.

Em 1912, foi para os Estados Unidos, para lecionar em Nova Iorque e Los Angeles. Em 1915, apresentou na Panama Pacific International Exposition uma sala montessoriana com paredes de vidro, dentro da qual crianças e uma professora trabalhavam tranquilamente. A sala ganhou duas medalhas de ouro da feira, onde eram expostas diversas invenções e descobertas do mundo todo.

Em 1916 foi para Barcelona e manteve-se em viagens entre EUA, Barcelona e Londres até 1918. Depois deste ano, não retornou mais aos Estados Unidos. Ao que se tem registro, no fim dos anos 1920, lecionava em Londres e continuava viajando.

Maria Montessori em 1913

Em 1929, no primeiro Congresso Montessori Internacional, em Elsionre, Dinamarca, Montessori e seu filho, Mário, fundam a Associação Montessori Internacional. O objetivo da sociedade era vistoriar as atividades de escolas e sociedades por todo o mundo e supervisionar o treinamento de professores. Entre os patrocinadores iniciais desta Associação encontravam-se Sigmund Freud, Jean Piaget e Rabindranath Tagore – o último, excelente poeta indiano e Prêmio Nobel de Literatura.

Na Itália, seu método prosperava e Mussolini desejava absorvê-la para seu regime, dizendo até que “A Itália teve três grandes M, Mussolini, Marconi e Montessori”. Entretanto, ao mesmo tempo que desejava tê-la a seu lado, Mussolini diminuia a liberdade inerente às escolas montessorianas. Isso fez com que a educadora deixasse seu país natal em 1934 e todas as escolas com seu método fossem fechadas lá – o mesmo aconteceu na Alemanha hitlerista, na União Soviética e na China ditatorial. Nessa fuga, foi para Barcelona, mas em dois anos, 1936, estourou a Guerra Civil espanhola e Montessori fugiu de lá também, dessa vez para a Holanda.

Permaneceu na Holanda durante algum tempo, até que em 1939 foi chamada para dar um curso na Índia. Ela foi, mas não pode voltar como previa. Ficou, como prisioneira do exército britânico, quando estourou a Segunda Grande Guerra. Seu filho foi enviado para um campo de internação forçada até que no aniversário de setenta anos de Montessori, no ano seguinte, foi solto, a pedido de Montessori, por uma autoridade indiana. A educadora ainda teve de ficar na Índia por sete anos, no entanto, até 1946, quando pôde voltar.

Em 1947, com setenta e seis anos, Montessori falou para a UNESCO sobre “Educação e Paz” e em 1949 recebeu a primeira de três indicações ao Prêmio Nobel da Paz. Sua última atividade registrada é em 1951, com oitenta e um anos, quando participou do 9º Congresso Montessori Internacional. Em 1952, na Holanda, morreu de hemorragia cerebral, com oitenta e um anos, na companhia de Mário Montessori, seu filho, a quem deixou o legado de seu trabalho.

Abaixo, veja a linha do tempo com os principais livros publicados de Maria Montessori:

linha do tempo

Para a composição deste resumo biográfico, contamos com as informações cedidas durante o curso de formação do Centro de Educação Montessori de São Paulo. Também, utilizamos as seguintes páginas virtuais:

[1] Montessori Austrália – http://montessori.org.au/montessori/biography.htm

[2] Wikipedia – http://en.wikipedia.org/wiki/Maria_Montessori

[3] Montessori Centenary: http://www.montessoricentenary.org/photos/

> Para saber mais sobre a vida e a obra de Maria Montessori:

Filmes:

Maria Montessori: Uma Vida dedicada às Crianças

Grandes Educadores – Maria Montessori

Livros:

Maria Montessori – Coleção Educadores, publicado pelo Ministério da Educação

Maria Montessori: Her Life and Work, de E.M. Standing

Maria Montessori: A Biography, de Rita Kramer

O 5º Encontro de Educadores Montessorianos

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Quando eu tinha uns dez anos, mais ou menos, escutava falar do “encontro da OMB”. A diretora da escola não estava porque fora ao encontro da OMB, ou eu via cartazes na escola anunciando o próximo encontro da OMB. Eu sabia o que significava OMB: era a Organização Montessori do Brasil. Como nossa escola, a Prima, era associada à UNESCO, na minha cabeça de criança a OMB era também uma parte da ONU. Fazia todo o sentido do mundo, e o encontro da OMB era o que podia haver de mais nobre.

Eu aprendi, depois, que embora nossa escola seja mesmo associada à UNESCO, e isso é incrível, a OMB não é parte da ONU. Foi um pouco decepcionante, mas a mágica em volta do nome e do logo da OMB continuaram existindo e eu continuei achando que se tratava de um Olimpo inatingível e admirável. Depois ainda, eu comecei a trabalhar com Montessori, e assim fui conhecendo, um por um, os membros da OMB – os membros do Olimpo. E fui percebendo que, embora as pessoas sejam “atingíveis”, mantém-se inatingível a quantidade de conhecimento que são capazes de articular pelo bem das crianças e da educação.

Então, em 2013, surgiu a oportunidade: o 5º (ou o 34º, depende de como se conta) Encontro de Educadores Montessorianos, organizado pela OMB. Com o apio da Prima-Escola Montessori de São Paulo, e da Montessorriso, fui para Campo Grande, no Matro Grosso do Sul, para ter uma das melhores experiências da minha vida.

Logo no início do primeiro dia, tive o prazer de conhecer Sônia Braga, tesoureira da OMB, diretora da Meimei Escola e tradutora de uma série de livros de Maria Montessori, e logo depois Maria Sheila Saldanha, diretora administrativa da OMB e diretora no Colégio Maria Montessori. Quando fui buscar um local para sentar e ouvir as primeiras palestras, tive a terceira alegria: conhecer pessoalmente Márcia Righetti, pesquisadora da Comissão Científica da OMB e diretora da Aldeia Montessori. Ufa! Era muito para uma manhã.

As palestras do primeiro dia foram dadas por Elena Young, diretora do Huelquén, exemplo de escola Montessori no Chile. A professora nos falou sobre o preparo do professor montessoriano e da necessidade de se refazer continuamente o exame de si mesmo, para garantir que estamos no processo de nos desfazer da ira e do orgulho e de nos revestir de caridade, sabendo adotar uma atitude humilde diante da criança. E tudo isso sem abrir mão de um considerável saber técnico e teórico acerca do desenvolvimento da criança e da utilização dos materiais montessorianos. A palestra foi incrível e, apesar das dificuldades com o português espanholado de Elena Young, cada palavra valeu a pena.

Ainda no primeiro dia, tivemos a palestra de Edite Barbosa, brasileira que depois de dirigir a escola Menino Jesus, em Florianópolis, e trabalhar no Huelquén com Elena Young, abriu com colegas plataforma multidimensional Fundação Punto Zero, no Chile. Edite nos falou sobre as pesquisas de Steve Huges, PdD americano que se dedica a pesquisar as bases neurológicas do desenvolvimento da criança e as coincidências entre o método Montessori e as descobertas mais recentes da neurociência. O ponto alto da palestra foi a explicação sobre como Montessori ajuda no desenvolvimento das funções executivas do córtex pré-frontal. Em uma síntese brilhante de Steve trazida para nós por Edite, “crianças montessorianas são boas em fazer coisas”. E é isso que torna aqueles que estudaram em Montessori excelentes em mudar o mundo: eles planejam, são atentos e, flexíveis e bons em resolver problemas. Confesso que durante a palestra de Edite metade de mim pensava na teoria exposta e metade de mim executava um autoexame, para checar se aquilo que a professora dizia que acontecia com crianças montessorianas acontecera comigo.

Tive o imenso prazer de conversar com Elena e Edite depois, e conhecer um pouco mais destas duas mentes brilhantes reforçou em meu coração algo que eu já sabia: é necessário não poupar esforços na divulgação de Montessori para todas as crianças. Todas as crianças precisam ter acesso às maravilhas que podem ser proporcionadas por Montessori, nas esferas neurológicas, sociais, emocionais e psicológicas – além, é claro, das indiscutíveis vantagens acadêmicas.

O primeiro dia terminou com danças circulares organizadas por Edite Barbosa. A professora nos trouxe para mais perto da natureza humana por meio de formas da dança circular, que é um costume ancestral e que permeia todos os povos, sob diversas formas – desde cirandas juninas até a dança da chuva e tantos outros rituais mais e menos comuns. Foi uma experiência momentaneamente forte e posteriormente importante para refletirmos sobre as várias dimensões di ser humano e as formas por meio das quais as várias civilizações compreenderam o homem.

No segundo dia de aprendizados tivemos uma mesa sobre o Ambiente Preparado, contando com Elena Young, Sônia Braga e Talita de Almeida – a última é presidente da Associação Brasileira de Educação Montessoriana e a maior conhecedora de materiais montessorianos no Brasil. A mesa foi espetacular, e pudemos aprender sobre a importância psicológica e emocional de um ambiente que respeite a natureza da criança, assim como sobre a interconexão existente entre os materiais de desenvolvimento montessorianos e a relevância de conhecê-los todos para se saber utilizar um pensando naquilo que lhe antecedeu e no que lhe sucederá, de maneira a fazer da sala um todo coerente para a compreensão da criança.

A segunda fala do dia foi de Dayse Canano, diretora da Escola Petra, que nos falou sobre a Conquista da Leitura e da Escrita como Processo, com um foco especial acerca do trabalho desenvolvido na escola Petra. O relato foi muito interessante e nos permitiu perceber a relação do materiais com a criança e compreender porque os materiais montessorianos são materiais de desenvolvimento, e não materiais didáticos: um material de escrita, por exemplo, não ensina só a escrever, ele interfere na psique da criança e em sua compreensão da realidade, podendo inclusive viabilizar a absorção de experiências do mundo real de uma forma mais organizada e tranquila.

Finalizamos o último dia de encontro com uma segunda palestra de Edite Barbosa, sobre Fazer Caminhos, uma reflexão filosófica sobre a obra de Montessori e a natureza do professor montessoriano. Citando Edimara de Lima – diretora pedagógica da Prima Escola e segundo Edite Barbosa, sua mestra -, a palestrante nos disse: “Perguntas abrem caminhos, respostas fecham caminhos”. E a esta afirmação seguiu-se uma série de questões muito pessoais sobre o trabalho do educador montessoriano. A última pergunta foi: “Qual o sonho de Montessori?”, ao que respondemos coletivamente que era um mundo melhor, um mundo em paz. Edite concordou com nossa resposta e disse que só vale a pena persistirmos em nossa profissão se sonharmos o mesmo sonho. Em seguida, realizamos mais uma dança circular, e estava terminado o trigésimo quarto – ou o quinto – encontro de educadores montessorianos da Organização Montessori do Brasil.

No próximo, eu espero encontrar você!

Programe-se: nos veremos de novo, se tudo correr bem, entre os dias 14 e 17 de Novembro, em Recife. Mais informações deverão ser liberadas pela OMB em breve.

Cinco Formas de Ser Mãe

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É dia das mães, e o Lar Montessori decidiu escrever sobre o que é ser mãe. Nós não conseguimos compor um texto coeso e fluido sobre isso, então decidimos tomar alguns conceitos que permeiam a obra e a prática de Montessori para construir algumas reflexões. Assim, chegamos a cinco formas de ser mãe.

 

1. Mãe é aquela que dá à Luz

O primeiro possível ato de ser mãe é conceber. Gestar vem em seguida. Mas todo este caminho só se concretiza na maternidade reconhecida e aclamada quando, finalmente, o feto se transforma em criança, e vem à luz. Todo o trabalho necessário, até o parto, no entanto, já é trabalho materno. Este trabalho, para ser perfeito, exige da mãe esforços específicos e variados: é necessário preparar bem o ambiente da criança, descansando o suficiente, mantendo um humor positivo, conversando e transmitindo carinho ao bebê. É importante nutrir a criança em gestação comendo alimentos adequados e evitando substâncias que possam fazer mal ao pequeno bebê ainda não nascido. Por todo este trabalho, esforço e amor desenvolvido durante a gestação, a mulher que pari já é mãe. Ela já criou a criança por nove meses, antes que a criança existisse no mundo extra uterino. Parabéns, a você, que deu à luz!

 

2. Mãe é aquela que alimenta

É interessante que em sua etimologia, a palavra aluno signifique aquele que é alimentado. De certa maneira, todas as crianças são um pouco alunas de suas mães. Desde o cordão umbilical, até o leite materno, e até as papinhas e os primeiros alimentos sólidos, a mãe é aquela que alimenta. Outros alimentos menos materiais também vêm da mãe: palavras de amor, carinho e sossego, lições sobre o mundo e as formas de agir nele, instrução, as primeiras aulas e os infinitos abraços e beijos, são todos alimentos para o que se queira chamar de emocionalalmapsicológico ou interior. Há na criança muito mais para alimentar além do corpo físico, e às mães que alimentam a criança inteira, parabéns!

 

3. Mãe é aquela que prepara

Primeiro, a mãe se prepara. Ela faz seus exames pré-natais, lê, estuda, conversa, pede dicas e informações, troca ansiedades com outras gestantes e descobre, pouco a pouco, o novo mundo da maternidade. Depois, prepara o parto da criança, segundo suas concepções de maternidade, e escolhe entre partos naturais, mais ou menos assistidos, em hospitais ou em casa. De alguma maneira, e segundo preocupações específicas, prepara as boas vindas ao seu filho. Logo, prepara também o ambiente onde o filho viverá: aprende como deve construir seu quarto, adapta toda a casa, escolhe cores, móveis e materiais, brinquedos, estímulos diversos, livros, roupas, trabalha para que o ambiente onde a vida da criança se desenvolverá seja o mais perfeito possível. A criança se desenvolve na interação com seu ambiente, e a todas as mães que prezam a preparação de si e do ambiente da criança, nossos parabéns!

 

4. Mãe é aquela que respeita

A criança é diferente de nós, em tamanho, em necessidades, em sua forma de ver o mundo e em sua sede de atividade e independência. A mãe compreende estas diferenças e as respeita. Ela percebe que é necessário ser um exemplo, e busca agir com perfeição e de acordo com aquilo que diz. A mãe reconhece a necessidade de silêncio e solidão da criança e prepara o ambiente como forma de demonstrar seu respeito e seu amor. Ela respeita as fases de desenvolvimento da criança e as características, às vezes desconfortáveis, de cada um destes momentos. Ela vê a criança pela perspectiva correta e a percebe em toda sua magnitude e importância, a enxerga como construtora da humanidade e como portadora de esperanças e promessas. Parabéns a todas as mães que respeitam como forma de demonstrar seu amor!

 

5. Mãe é aquela que ajuda a vida

Este é o aspecto mais sublime da maternidade. Dar a vida é natural, e só depende do tempo. Alimentar é também natural, e embora dependa de amor, ocorre sempre. O preparo é comum, e o respeito é ao menos um vontade de todas as mães. No entanto, ainda precisa aumentar a quantidade de crianças cujas mães lhes ajudam a vida. Isto é raro e difícil, exige estudo aprofundado, observação contínua, mudança de hábitos, vontades, personalidade e compreensão de mundo. Exige inversões de valores e aprofundamento teórico e prático. Exige a apreensão da natureza da criança para ajudá-la em sua libertação e em suas conquistas de independência. A estas mães, que dedicam-se imensamente a seus filhos, na tentativa de permitir que se desenvolvam plenamente e superem todos os desafios por meio do desabrochar perfeito de sua natureza, o Lar Montessori deseja os parabéns e pede: contaminem mais, polinizem mais, espalhem, criem, contem e comuniquem mais, para que cresça dia a dia o número de mães que ajudam a vida.

 

Aqui, quero aproveitar para agradecer e parabenizar minha mãe. Que deu à luz, alimentou, preparou, respeitou e ajudou a vida de dois filhos. Mãe, muito obrigado!

 

Com todo o carinho, respeito e reverência,

Lar Montessori

Objetos Montessorianos: Brinquedo e Material

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Crescemos com brinquedos. Nossos maiores objetos de desejo quando éramos menores foram brinquedos. Desejamos o carrinho, a bola, a boneca, o videogame, o trenzinho, o autorama, o cavalo de pau, e depois os minigames e videogames portáteis. Nos desenvolvemos acreditando que os brinquedos eram a graça da infância. Por isso, somos adultos que acreditamos nisso. Nós temos certeza de que os brinquedos alegram a criança e dão a ela motivos para sorrir. Somos adultos que vêem na brincadeira o verdadeiro objetivo de vida da criança. Nós achamos isso porque nossas crianças riem quando brincam, e nós amamos seus sorrisos. E ainda assim, em tanto amor e tanta alegria, estamos redondamente enganados.

A criança deseja conhecer, explorar e descobrir o mundo. Deseja ser independente e livre, e busca de todos os modos acessar o mundo do adulto, que é o universo que ela tem por modelo. Assim, tenta copiar seus pais em tudo o que fazem: o computador, o carro, o fogão. Nós, percebendo esta vontade da criança, buscamos satisfazer seu desejo lhe dando computadores de mentira, carros de plástico e fogões sem fogo. É uma boa ação, que fazemos com amor, e que a criança aceita de bom grado, porque é o máximo que poderá ter. Mas perto do mundo real, perto do que há de incrível na realidade, o brinquedo é quase uma troça com a vontade da criança de conquistar sua independência.

Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, brinquedo é “passatempo, distração, coisa que não é séria, coisa fácil de fazer”. As conquistas da criança são difíceis, exigem esforço, trabalho, empenho e dedicação. O aprendizado da fala, do caminhar, e da execução de tarefas do dia a dia, como vestir, limpar, lavar, secar, cortar, comer, pegar, desenhar, abrir, fechar e guardar, exige uma incessante busca e repetidas tentativas por parte dos pequenos, e não se tratam, portanto, de brincadeiras, de passatempos, ou de coisas fáceis de fazer. Acima de tudo, são, para a criança, esforços e trabalhos sérios.

Montessori, quando inaugurou sua primeira sala em San Lorenzo, também achou que as crianças poderiam gostar de brinquedos, e tentou utilizá-los. No entanto, esta sala era equipada com materiais montessorianos e itens do mundo real à disposição dos pequenos. Então, nenhuma criança utilizou os brinquedos que Maria Montessori disponibilizou. Uma professora montessoriana dos Estados Unidos, Paula Polk Lillard, escreve um excelente livro, que consiste no diário que fez durante um ano sobre sua atividade em sala de aula. Neste diário conta que no início do ano utiliza uma caixa de brinquedos para que as crianças achem a escoala semelhante à sua casa, mas que uma semana depois os brinquedos são retirados, e as crianças, já atentas aos materiais presentes na sala, sequer percebem a ausência do caixote.

O brinquedo é despretencioso, é uma distração. É muito bom, mesmo para nós adultos, brincar. Brincar com os filhos, com o cachorro, em um parque de diversões ou com os amigos. Nossas brincadeiras são mais sofisticadas, e gostamos de jogar, alguns gostam de videogames, apreciamos um bom papo jogado fora em volta de uma mesa com boa comida. Tudo isso é muito agradável, como é a brincadeira, mas nada disso nos daria prazer suficiente para que o fizéssemos por anos a fio. Para isso, é necessário o esforço, nós buscamos o esforço que se justifica por um grande objetivo – isso é sonhar e perseguir um sonho.

Com a criança acontece exatamente o mesmo. A criança gosta de brincar, e brincar deve ser considerado um de seus direitos, como é um dos nossos, o lazer. No entanto, a criança também tem suas buscas e seus objetivos. Para ela, no entanto, o trabalho e o objetivo são interiores. Não há para ela, como há para nós, a construção ou criação de algo externo, mas sim a construção de si mesma.

Para essa construção interna, a criança precisa de esforço, trabalho e atividade. Este trabalho, no entanto, precisa de um apoio exterior, um material para exercitar-se. Este é o material montessoriano. Ele serve para ajudar a criança a conquistar o desenvolvimento que ela deseja perseguir. Para que seja eficiente, deve atender a três requisitos principais, que são: a manipulação da criança, o isolamento da dificuldade e o controle do erro.

Primeiro, os materiais são da criança, e não dos adultos. Eles são feitos para serem manipulados pela criança e para que ela se sinta a vontade com eles, não só para que aprenda conteúdos, mas para que desenvolva seus sentidos e sua percepção da realidade.

Em segundo lugar, os materiais, para que ajudem, devem ter objetivos muito claros, trabalhar uma dificuldade, um elemento do mundo, de cada vez. Se um material tem muitos objetivos e ensina muitas coisas de uma vez, não ensina nada. A criança está descobrindo o mundo, e de confusão lhe basta a realide. De nós, ela precisa da ajuda, do apoio e do guia. Assim, quanto mais passo-a-passo puder ser a lição e quanto mais claro estiver para nós o objetivo único da atividade, melhor será para a criança a descoberta do mundo.

O terceiro ponto importante do material montessoriano é que ele contenha em si um dispositivo de controle do erro. O jogo da memória, embora não possa ser considerado um material, tem este dispositivo. Trata-se de algo que impede a finalização da atividade se ela não estiver completamente correta. Com o jogo da memória, se um pareamento é feito errado, ainda que quase todos os segintes sejam acertados, o último dará errado. Assim, o exercício não termina. Isso garante que a criança poderá aprender sozinha, e o professor não precisará corrigir nada, e a criança se desenvolverá por si mesma e seus esforços, sem ter de encarar a figura imensa do adulto desenvolvido o tempo todo.

Por todos os motivos expostos aqui, é possível dizer que não existem brinquedos montessorianos. Existem brinquedos mais inteligentes e menos inteligentes, alguns que trabalham mais e outros que trabalham menos o controle motor, e há os que respeitam mais e os que respeitam menos as fases do desenvolvimento da criança. No entanto, se um “brinquedo” tiver isolamento de dificuldade, um só objetivo, controle do erro e servir à manipulação da criança, sendo aplicado à educação de forma organizada e segundo a fase do desenvolvimento da criança, passamos a ter um material. Caso contrário, temos um excelente e despretencioso brinquedo. É excelente, mas não é Montessori.

Apoiadores do Lar Montessori

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Leitores queridos,

Desde 2010 escrevo o Lar Montessori e sempre tive para mim que não poderia aceitar publicidade, a não ser que se tratasse de algo relevante para Montessori em língua portuguesa e ao mesmo tempo respeitasse a imparcialidade e a neutralidade do Lar Montessori, respeitando a herança montessoriana e apoiando a educação da infância.

Nunca aceitamos os Google AdWords, embora pessoalmente eu os ache fantásticos, e decidimos gastar um pouco mais para retirar anúncios automáticos do WordPress, para que a leitura do blog continuasse tranquila e para que nosso espaço fosse mais de aprendizado do que um ambiente mercadológico.

Há alguns meses a Montessorriso vem conversando conosco para oferecer apoio ao Lar Montessori, em troca de alguma publicidade. Nós esperamos. Esperamos porque queríamos ver os produtos da empresa, que aos poucos surgem e nos alegram. Finalmente, foi possível chegarmos a um acordo quanto à publicidade. O logo deles vai ficar ali no cantinho direito superior, como vocês já devem ter visto.

Esta é a única modificação no Lar Montessori. O apoio da Montessorriso vai nos ajudar a arcar com os custos de manutenção da página, assim como, aos poucos, melhorar nossos vídeos e tornar mais frequentes os nossos artigos. A neutralidade do Lar Montessori será mantida. Por enquanto, não temos nenhum post patrocinado, mas se isto vier a acontecer, vocês serão avisados.

Reforçamos que o Lar Montessori tem como objetivo maior ajudar você a descobrir uma nova perspectiva para a educação dos seus filhos e ser uma fonte, segura, neutra e gratuita, sobre o método Montessori em língua portuguesa. Isso nunca vai mudar.

Esperamos ansiosos a reação de vocês a esta novidade!

Círculo de Estudos em Montessori

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O Lar Montessori vem convidá-los para o círculo virtual de estudos em Montessori. O convite está abaixo e todas as informações estão na página “Círculo“, aqui no blog!

 

convite

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