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Arquivo da categoria: Outros

O que aconteceu com o Lar?

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Leitores queridos,
Opa! O Lar Montessori está amarelo!
Sim! Ele está amarelo para comemorar a finalização do texto básico do primeiro livreto a sair sob o selo Lar Montessori!
Eu espero que vocês tenham notado a ausência de um novo post na última quinzena, e peço desculpas por isso. Eu vou escrever sobre disciplina na quinzena que vem. Nesta, estou concentrando todos os meus esforços na finalização do “Uma Introdução ao Método Montessori”.
A ideia desse livrinho é auxiliar pais, mães e professores a dar os primeiros passos no método Montessori, e assim expandir um pouco as fascinantes ideias que discutimos aqui no Lar. Escolas de todo o Brasil receberão este livreto, e ele poderá ser adquirido de alguma forma aqui pelo blog ou baixado no seu computador.
Como vocês sabem, eu não aceito fazer propagandas aqui, nem mesmo as do Google entram (e olha que o Google é o maior exemplo de empresa Montessori no planeta!). Assim, não ganho um centavo com o Lar. Em compensação, ganho a alegria de saber que tantos pais e mães estão felizes com as nossas sugestões.
Como vocês também sabem, produzir um livro custa uma pequena fortuna, por menor que seja o livro. E como vocês suspeitam – espero eu – eu não vim aqui pedir dinheiro. Quero, isto sim, ajuda.
Preciso de leitores outros que possam analisar o texto do livro sob os seguintes aspectos:
1. Correção gramatical;
2. Clareza;
3. Diagramação textual e
4. Utilidade da informação.
Se você só puder analisar um destes pontos, eu já agradeço bastante. Se puder analisar mais de um, agradeço mais ainda. Quem já tiver alguma experiência com revisão textual e quiser ajudar nisso, seria louvável. Aproveito para dizer que, claro, os nomes daqueles que ajudarem aparecerão na apresentação do livro, com uma mensagem de gratidão.
Se algum de vocês tiver contatos com uma boa gráfica, que produza livros independentes, por favor fale com a pessoa que você conhece. Eu quero distribuir este livrinho por todo o Brasil, e isto também custará dinheiro, então se a produção puder ficar mais barata, eu fico feliz.
Um abraço forte e minha gratidão adiantada,
Gabriel

Pequenos Artistas – a criança e a arte em Montessori

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Por meio de suas longas observações, Montessori percebeu que a criança passava por diversos períodos sensíveis. De zero a seis anos, a criança está numa fase de intensa absorção de seu ambiente e ao mesmo tempo se trata de um período durante o qual os sentidos estão à flor da pele, buscando serem educados. Os materiais Montessori para primeira infância trabalham justamente com a ideia de educação sensorial, assim, há séries de materiais que educam os olhos para a discriminação minuciosa de cores e tons, para a identificação de formas geométricas mais e menos semelhantes, para texturas, pesos e tamanhos com gradações de variação, do óbvio ao quase imperceptível.

Crianças de cinco anos já são capazes, por treino voluntário, de identificar notas musicais, formas geométricas as mais variadas, sessenta e quatro tons e cores e são capazes de perceber acuradamente diferenças de tamanho, peso ou textura. Este seria, para Montessori, o início do treino dos sentidos necessário à apreciação artística. Os olhos estariam educados para notar a utilização de cores e formas, os ouvidos para perceber a melodia, as mãos para sentir e para criar, já que há razoável abundância de materiais que treinam o controle motor dos braços, mãos e dedos.

Estar “educado” aos cinco anos não quer dizer, no entanto, que não se possa tirar prazer da arte antes disso. Nas salas de aula Montessori, e na sua casa pode ser assim também, sempre há uma música tocando. Quase invariavelmente se trata de música clássica, pelo tipo de melodia que não atrapalha a concentração e auxilia a percepção musical da criança. As paredes são decoradas com quadros renomados, para que desde a primeira infância possa-se ter contato com as obras de arte fundamentais da civilização.

A mobília dos ambientes deve ser muito limpa e muito bem organizada, para que haja menos confusão de estímulos e aquilo que for relevante para os sentidos possa ser absorvido. As cores do ambiente devem ser suaves, embora os quadros possam trazer cores mais fortes. Alguns argumentam que a música poderia atrapalhar a concentração. Estudiosos do tema, no entanto, dizem que pequenos ruídos não só não atrapalham a concentração, como podem auxiliar seu desenvolvimento.
O quarto de seu filho pode ter belos quadros na parede, e você pode perguntar a ele o que ele vê na gravura, e ao mesmo tempo contar o que se passa na ilustração. Dê os nomes dos quadros e dos pintores, crianças pequenas adoram categorizar coisas mentalmente, e pode ser um atrativo a mais apreender os quadros por pintores ou por seus nomes.

Se seu filho já aprendeu as cores, você pode perguntar que cores existem no quadro, e permitir que ele aponte onde está cada cor, mas nunca force sua atenção, faça tudo de forma que seu filho seja livre para demonstrar que não quer mais a qualquer momento. A arte deve ser algo agradavelmente absorvido e aprendido, e não uma sequência de lições forçadas que o façam saber todas as datas e os nomes, mas o façam desistir de visitar museus para sempre, sob a alegação de monotonia.

A produção artística é objeto de intenso debate entre estudiosos montessorianos. Alguns argumentam que o desenho deve ser guiado por exercícios para as mãos, outros dizem que enquanto há exercícios, deve haver também oportunidade para o desenho livre. Maria Montessori sempre foi adepta da espontaneidade infantil, de forma que considerava o desenho livre algo fundamental à sala de crianças pequenas.

Ela percebeu, no entanto, que havia uma melhor desenvolvimento da habilidade manual da criança, e até uma preferência por parte dos pequenos, se inicialmente se permitisse o desenho livre por algum tempo, até serem inseridos os primeiros exercícios de desenho, baseados no contorno de formas geométricas em metal. Em seguida, se ensinaria a traçar linhas retas e a respeitar as bordas, para depois se ensinar a utilização de um mesmo lápis colorido para a produção de diferentes tons de cor e finalmente, depois de a mão se ver educada, se retornaria ao desenho, desta vez baseado em observação, um desenho que partisse da realidade.

Montessori enfatizou também a importância da música e disse que não só deveria haver a possibilidade de todas as crianças aprenderem um instrumento depois de serem educadas para a percepção e leitura musicais, mas que também todos os professores da primeira infância deveriam saber tocar pelo menos um instrumento, para que as crianças pudessem reconhecer as notas para além do som produzido pelo material musical básico, que é composto por sinos de metal que produzem uma escala completa.

Como sempre, se a criança demonstrar vontade de se desenvolver mais nas áreas ligadas à arte, esta liberdade lhe deve ser dada, e se deve perceber por observação o que é que ela busca, e auxiliá-la por meio de materiais e instrução. Caso seu filho demonstre que gosta de pinturas, procure mostrar a ele livros de mestres da pintura com diversas gravuras, e ensine um ou outro nome mais importante. Dê-lhe pequenas biografias de pintores para ler, para que se inspire, e se o interesse chegar a este ponto, procure um professor de desenho para crianças, que seja ao mesmo tempo libertário e rígido, para que seu filho possa seguir seus interesses e tendências pessoais, mas para que sua mente se sinte desafiada, e não somente propensa a criar rabiscos durante algumas horas todas as semanas.

O mesmo se dá quanto a instrumentos musicais. Se seu filho demonstra gosto por música, e você percebe bem estar, contentamento ou interesse durante uma boa peça, pergunte a ele se gostaria de aprender a tocar, e ensine-o, ou encontre alguém que possa ensiná-lo. Novamente, pense em um professor que enxergue sua criança como um ser humano, e que o respeite, de forma a permitir a ele a liberdade necessária e exigir dele o esforço que torna tudo mais interessante.

Lembre-se, porém, que seu filho somente passará a cultivar o gosto pela alta arte a partir do momento em que tiver alguém em quem se espelhar. Ele passará muito tempo diante de um quadro se vir que há o que descobrir nele, e só verá isso se seus pais examinarem as obras com atenção e interesse verdadeiros. O mesmo se dará com a música. Pais que escutem música e conversem sobre tendem a cultivar o gosto e a educação musical nos filhos. Idas a museus não devem parecer nunca uma tarefa a cumprir, mas algo tão divertido quanto ir a um cinema ou um parque. Sendo a Literatura uma forma de arte, aproveito para ressaltar que o amor pela leitura tem a mesma fonte: não adianta ler para seu filho. Ele tem de ver que você lê para você também, por prazer e interesse, para que haja sentido ele o fazer sozinho, e não só em dupla com os pais e professores.

Guarde sempre nossos princípios maiores: expor a criança ao estímulo necessário, falar somente o estritamente relevante, e observar sua reação ao objeto, à imagem ou ao som. A partir da reação do seu filho é que você dará o próximo passo, e não por meio de um plano pré-estabelecido de educação artística. A percepção da arte deve partir de dentro dele, e não ser imposta de fora, pois se brotar da própria criança, durará por toda a vida, e será uma inesgotável fonte de interesse, aprendizado e bem-estar. O que mais podemos desejar para um pequeno artista?

Dia do blogueiro! (e eu só descobri agora!)

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Vejam como são as coisas!

Passei o dia todo vivendo normalmente e descubro só agora, quase deitando a cabeça no travesseiro, que é dia do blogueiro!
Eu sei que mensagens assim pessoais e diretas não são comuns no Lar Montessori. Mas, meus leitores queridos, vocês fizeram o Lar Montessori chegar entre os 100 blogs de Educação mais lidos do Brasil. Vocês fizeram o Lar Montessori ter 5.000 visitas, vocês fizeram o Lar Montessori atingir 100 visitas por dia (é nossa média recentemente). Vocês fizeram o Lar Montessori ficar grande o suficiente para ser lembrado fora do Brasil, e hoje recebemos visitas de países de língua portuguesa pelo mundo todo e o grupo Montessori MadMen está nos incentivando a escrever em inglês também!

Vocês estão comentando bastante e graças às visitas, aos comentários e aos compartilhamentos, estamos ganhando seguidores com frequência!

Muito obrigado, queridos, muito obrigado de verdade! Escrever para vocês é tudo de bom!

Agradeço especialmente aos blogs Ciranda Materna e Segredos de Mamãe, que nos citaram e enviaram mais de uma centena de visitantes nos últimos dias.

Sintam-se abraçados e recebam votos de gratidão a vocês e seus pimpolhos!

Gabriel

Sorteio!

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Mamães e papais,

estou pensando em um sorteio!

Por enquanto, as possibilidades são:
1. Uma edição encadernada do livro “Introdução ao Método Montessori”;
2. Uma edição encadernada do livro “Filhos da Terra”, traduzido por mim;
3. Uma cesta dos tesouros com alguns objetos interessantes;
4. Uma visita de meio dia para ajudar a adaptar a casa e conversar sobre o seu filho¹.

Digam-me qual opção vocês preferem! ;)

¹Se você morar muito longe, fazemos isso via computador, por vídeo-conferência, gravações da sua casa e fotografias!

A Educação dos Adolescentes


“acima de tudo é a educação do adolescente que é importante, porque a adolescência é o período em que a criança entra no estado da idade viril e se torna um membro da sociedade. Se a puberdade é do lado físico uma transição do estado infantil para o adulto, há também, do ponto de vista psicológico, uma transição entre a criança que tem de viver em uma família para o adulto que tem de viver em sociedade”. (Montessori, Maria – Os Filhos da Terra, tradução em revisão).

A base de toda a educação Montessori é um conjunto formado por liberdade e independência. Nas crianças muito pequenas, a liberdade se constrói por meio da interação entre a criança e o ambiente, especialmente com os materiais desenvolvidos por observação cuidadosa da natureza humana.

Conforme a criança cresce, suas necessidades mudam, e embora os materiais continuem sendo recursos didáticos interessantes, a formação do homem exige cada vez mais uma educação que vai muito além da sala de aula, e na qual a família tem – salvo raras exceções – um papel mais importante que o da escola.

Montessori propõe três grandes pilares para a educação adolescente
  1. O desenvolvimento do potencial comunicativo;
  2. Educação Moral, Matemática e Linguística;
  3. Educação como preparação para a vida.

As maneiras de desenvolver estes três pilares podem variar muito, e muita liberdade existe aqui, tanto para os pais quanto para os filhos. O desenvolvimento do potencial comunicativo passa, antes de tudo, pela habilidade de socializar com o jovem, e depois, pelo incentivo à comunicação dele com o mundo.


O aprendizado de todas as formas de arte, plásticas, textuais e musicais, deve ser incentivado. O incentivo não pode acontecer por meio da pressão. Mas pode surgir dos hábitos domésticos.

Musicalmente, pode-se escutar música não somente como fundo para um bate papo, mas como atividade exclusiva, por exemplo durante uma viagem de carro.

As artes plásticas podem ser incentivadas com visitas ocasionais a museus – mas o passeio não pode ser vazio de significado, o adolescente deve entendero que vê.

A arte textual é incentivada da maneira óbvia: a leitura. Ocorre, no entanto, que os pais acreditam que basta incentivar a leitura dos filhos ou ler para e com eles. Não é suficiente. A leitura deve, antes de tudo, ser um hábito dos pais. Uma casa sem livros raramente cria uma criança e um adolescente leitores.

A Educação Moral é desenvolvida em conversas. Mas essas conversas não devem ser só sobre as atitudes do filho, porque na adolescência lhe interessa muito a vida no mundo. A política, as organizações sociais, causas e consequências das atitudes tomadas por aqueles que detém o poder são assuntos relevantes para a mente adolescente.

O adolescente busca ser socialmente ativo, e é uma boa ideia permitir e incentivar a participação dele em projetos não governamentais (ONGs, cooperativas, associações). Durante algum tempo, é previsível e saudável que ele queira se engajar politicamente em mudanças sociais. Entretanto, segundo Montessori, nenhum tipo de violência é válido. Assim, tudo o que envolva violência verbal, moral ou física não é recomendada por nós.

As educações Matemática e Linguística podem ser deixadas a cargo da escola. No caso de o adolescente demonstrar uma curiosidade que a escola não consiga satisfazer, procure proporcionar os recursos necessários para o aprendizado. Segundo Montessori, nesta idade o estudo é uma resposta às necessidades da inteligência, por isso, nunca deve ser compreendido como algo obrigatório, mas sim como algo que o corpo e a mente do adolescente pedem. Só é necessário saber o que ele quer estudar, e auxiliá-lo nesta busca se necessário.

A educação como preparação para a vida envolve:

1.       O estudo da terra e das coisas vivas;
2.       O estudo do progresso científico e a construção das civilizações;
3.       O estudo da história da humanidade.

Montessori dizia que uma das buscas do homem é o aperfeiçoamento da natureza, ou como ela coloca: a construção de uma super-natureza. Esta construção se daria por duas vias: o progresso científico e os esforços de paz. As sociedades e a natureza seriam mais perfeitas quanto mais se aproximassem da paz e da compreensão científica da realidade.

Os estudos científicos e históricos, assim como os sociológicos, não precisam ser especialidades dos pais, mas é necessário que os pais estudem sempre, algo que seja de seu gosto, para mostrar aos filhos o prazer do conhecimento. Da mesma maneira, é importante saber identificar as áreas palas quais o adolescente mais se interessa, e dar todo o suporte necessário para o conhecimento florescer.

Hoje, com a internet, é muito fácil ter acesso a todo tipo de informação. Para isso, é necessário que o adolescente conheça línguas além do português. O estudo das línguas estrangeiras é ao mesmo tempo aquisição cultural e de ferramentas, e servirá a diversos propósitos durante toda a vida.

Dois pontos adicionais devem ser abordados aqui. Primeiro, a independência adquirida pelos muito pequenos é a física. Em seguida, dá-se alguns passos em direção à independência intelectual. Para o adolescente, a forma de independência necessária é a financeira. Assim, aprender a lidar com o dinheiro é extremamente relevante, e adquirir um ofício técnico é muito bom para a mente e o corpo do jovem.

Saber executar trabalhos manuais, assim como ter alguma prática com o cultivo da terra e responsabilidades em casa são pontos importantes do desenvolvimento adolescente, desde que todas as suas tarefas lhe sejam atribuidas mais com fins didáticos do que práticos. A habilidade de utilizar a mão para trabalhar é relevante porque o jovem deve perceber que todos os tipos de trabalho são desafiadores e todos devem ser igualmente respeitados. Além disso, conhecendo diversos tipos de ocupação antes de prosseguir à Universidade, poderá escolher seu curso com muito mais certeza e tranquilidade.

Em segundo lugar, nesta idade, o convívio com a natureza é muito importante. Se desejamos criar uma civilização melhor, uma super-natureza, devemos conhecer a perfeição da natureza em toda sua magnitude. Passeios para o campo ou para a praia, trilhas, acampamentos, navegações, todas as alternativas são válidas, desde que o adolescente faça coisas. Ele pode simplesmente observar a natureza, mas é menos válido que vá simplesmente para divertir-se, sem nenhuma ocupação mental. Quando insistimos na ocupação mental, deve-se ao fato já mencionado de que o estudo responde às necessidades da inteligência adolescente.

Para compreender melhor o conteúdo deste artigo, você pode ler sobre “valorização” da alma adolescente, em textos escritos por estudiosos do método Montessori. A pequena pesquisa que o autor deste blog desenvolve é sobre a educação de adolescentes, portanto, ficamos à disposição para tirar quaisquer tipos de dúvidas. Sabemos que as ideias expostas aqui são muito gerais e estamos prontos a auxiliar você em suas questões mais específicas.

Homenagem de Aniversário 2

Publicado em
Júlia Simões foi uma aluna montessoriana por muitos anos e escreveu para o Lar Montessori um texto muito doce no aniversário de Maria Montessori. Reproduzo-o na íntegra.
“Gostaria de deixar minha marquinha pra essa pessoa tão especial que foi a Maria Montessori. De uma forma tão incrível, essa batalhadora conseguiu atingir minha vida por completo e ganhar minha admiração sem nenhum contato pessoal. Só por conta do seu método, já criei novos olhares, mesmo que tardios mas duradouros, sobre inúmeros assuntos. Enfim, agradeço não só neste dia, mas também diariamente com gestos, ações e palavras carregadas do espírito Montessoriano que faz parte de mim há muito tempo!”
Júlia, você tem dezesseis anos (é isso?) e pode ter certeza de que seus olhares são mais precoces que tardios! O mundo precisa de mais gente como você!
Beijos e obrigado,
Gabriel

Homenagem de Aniversário

Publicado em
Tim Selding, em seu sempre útil “How to Raise an Amazing Child the Montessori Way” diz que, para ele, Montessori é um estilo de vida, um jeito de viver, muito mais que um método educacional.
Tim Seldin está certo. O defendo com a humildade de um iniciante que apoia um mestre, mas com a autoridade do iniciante que sabe o que está dizendo. Eu vivo Montessori há 18 anos. Aqui, quero contar o que é Montessori na minha vida, como tudo começou e porque esta visão de mundo continua presente em mim até hoje. Esta é minha homenagem para Maria Montessori no dia de seu aniversário, contar a importância que ela tem na vida de um jovem que vive 100 anos depois dela.
Quando eu tinha 2,5 anos, minha mãe e eu procurávamos uma escola para me matricular. Visitamos várias, conhecemos salas bonitas e feias, professoras simpáticas e tias doces, escolas grandes e pequenas, jardins de infância agradáveis e não tão agradáveis assim. E visitamos a Prima – Escola Montessori de São Paulo. Ficava perto de casa e era bem falada na região. Uma tia minha é pedagoga e disse que o método era interessante para crianças, mas que ela não conhecia muito bem. Disse que valia a pena olhar.
Em todas as escolas, antes da Prima, a diretora ou a coordenadora conversou solicitamente com a minha mãe, enquanto eu, sentado no colo dela, pedia para ir embora. Nesta casa das crianças que é a Prima, chegamos e a diretora falou primeiro comigo. Estendeu um tapete no chão, me deu ma Cesta dos Tesouros (veja o post logo antes deste) e mostrou-me alguns objetos. Eu, como é de se esperar, concentrei-me nos objetos e lá fiquei por toda a reunião, sentado, silencioso, trabalhando, enquanto minha mãe e a diretora conversavam. Minha mãe, durante a conversa, disse à diretora: “Esta é a primeira escola que pensa no meu filho. Vou deixá-lo aqui”. E eu fiquei lá da segunda-feira seguinte até os meus quatorze anos. Depois eu saí, porque não havia colegial, e agora voltei, como professor assistente, com muito gosto.
Estou hoje com quase vinte anos e vivi Montessori pelos primeiros 14 e nos últimos seis. Como, nos últimos seis, se não estava dentro da escola?
Montessori não depende só da escola, e não se trata só de escola. Trata-se de pensar pela Paz, acima de tudo. Trata-se de desejar a paz do mundo e a do homem, de desejar a paz para a humanidade, mas também de promover a paz entre si e os vizinhos, entre si e os amigos. Trata-se de perceber que onde há comportamentos humanos reprováveis não pode haver paz. E se trata de fazer o possível para reestabelecer a paz onde ela não se mostra presente, dentro e fora de nós.
Montessori trata da Liberdade. Segundo Maria Montessori, da liberdade que nasce dentro de nós, que é construída dentro de nós. É a liberdade de pensamento e de ação, a de seguir pelos caminhos que julgamos melhores e a de discordar do que quisermos, a de criar o que quisermos, a de perseguir o que quisermos, e a de (esta é importante) querer o que quisermos. Na maior parte das vezes, somos escravos de nossas vontades – a liberdade defendida e construída por Montessori (a muher e o método) é a que liberta das vontades e que permite ao homem escolher o que ele quer escolher, e não escolher o que o desejo dele deseja.
É difícil entender Montessori, a menos que você sinta a escola, permaneça nela por algum tempo e converse com as crianças pequenas educadas lá. Quando você entender as crianças, a alegria, a liberdade e a disciplina adorável que elas cultivam em si mesmas, no ritmo delas e no espaço delas, então será possível compreender Montessori e o respeito pelo ser humano presente em qualquer educando montessoriano.
Fica o convite para quem quiser conhecer mais desta possibilidade bela de educação. Estou sempre e a todo momento disponível para isso, com teses de doutorado, textos filosóficos, poemas e imagens. Espero que você venha a conhecer mais!
Um abraço grande, de um atual educador Montessori,
Gabriel

Convite

Publicado em

Venha conhecer um pouco mais sobre o Método Montessori com a palestra:

Educação Cósmica

O Método Montessori e os Ideais da Teosofia

~ ~

A palestra será feita a convite da Sociedade Teosófica no Brasil, Loja Liberdade:
Endereço: Rua Anita Garibaldi, nº29 – 10ºAndar
Data: 01/07/2011 – sexta-feira
Horário: 20h, mas você será bem-vindo a partir das 19h30
Entrada franca.

Do pré-natal ao primeiro ano

Publicado em
(de The Joyful Child) “Shared with permission of The Joyful Child Montessori Company: http://www.thejoyfulchild.us”.
 
 
Nós sabemos muito pouco sobre o que um bebê realmente vive durante os nove meses no útero. O que ele percebe, sente, pensa, entende. Mas nós sabemos que ele responde a vozes, a sons e a música. Então todos os dias devemos dar a ele o melhor que pudermos durante algum tempo, falando com ele baixinho, cantando e tocando belas músicas.
Estudiosos de aquisição de linguagem nos dizem que a base para o aprendizado da língua materna começa no útero. Estudos sobre as vidas de grandes músicos geralmente nos dizem que eles foram expostos a excelente música ainda durante a gestação.
Pais que cantam para os pequenos bem antes de seu nascimento percebem que depois do nascimento aquelas mesmas músicas tranquilizam muito os bebês.
A pele, o primeiro e mais importante órgão dos sentidos, está completa depois de sete ou oito semanas de gestação. O olfato está pronto para funcionar no segundo mês de gestação. O paladar está ativo no terceiro mês. A orelha completa seu desenvolvimento estrutural do segundo ao quinto mês de gravidez. É possível que o feto absorva as características particulares do ritmo da língua materna. De certa maneira, o feto já está trabalhando, aprendendo a língua!
Silvana Montanaro, Psiquiatra MD, formadora de professores Montessori
Música e Linguagem
 - No primeiro ano de vida a criança tem um interesse especial pela fala humana e em assistir a face e os lábios das pessoas que estão falando. Não um acidente que a distância entre os olhos do recém-nascido e o rosto da mãe quando o amamenta seja exatamente a distância focal do bebê.
Nós podemos alimentar este interesse pela linguagem falando claramente, sem usar a “fala-de-bebês”,sem elevar o tom da voz (como fazemos com animais de estimação), e sem simplificar demais a linguagem na presença da criança.
Podemos contar histórias interessantes ou engraçadas de nossas vidas, recitar poemas favoritos, falar sobre o que estamos fazendo “Agora estou lavando seus pés, esfregando seus dedos para que fiquem bem limpinhos” e podemos nos divertir com esta importante comunicação. Podemos ouvir música, ao silêncio e um ao outro.
É possível conversar mesmo com crianças muito pequenas, desta maneira: quando a criança fizer algum som, imite-o – o tom e a duração do som da criança. Usualmente se percebe uma resposta incrível por parte da criança da primeira vez que isso acontece, como se ela dissesse “Finalmente alguém entende e fala minha língua”.
Depois de algumas destas trocas, muitas crianças vão começar a fazer sons para você imitar propositadamente, e finalmente vão tentar imitar os sons do adulto. É uma primeira comunicação muito interessante para as duas partes. Não é “fala-de-bebê”, podemos chamá-la de “canto”.
Para o primeiro ano, atividades como se trocar, ninar, tomar banho, ser segurado e vestido são os momentos mais importates e mais impressionantes. Peça permissão ou fale para o pequeno que você vai pegá-lo quando você estiver quando o fazendo. Se houver escolha, pergunte a ele se eles está pronto para ser pego, vestido, banhado, antes mesmo de pegá-lo. Crianças sabem quando perguntas sérias são feitas a elas e quando elas têm escolhas. Enquanto você o troca ou dá um banho nele, em vez de distraí-lo com brinquedos, olhe em seus olhos e diga a ele o que você está fazendo, faça perguntas e dê escolhas.

O valor desta comunicação cheia de amor e de respeito nunca será enfatizado demais. Ela faz o bebê falar com você, e este desejo de comunicação é a base para o desenvolvimento da língua. O bom desenvolvimento da língua também depende da linguagem que a criança escuta à sua volta nos primeiros dias, meses e anos. Ouvir conversas entre os pais e outros adultos é tão valioso quanto ser parte da conversa.
Um pai ou irmão que fale ou cante para a criança está ensinando linguagem a ele também. É impressionante quanto de língua se aprende nos primeiros três anos de vida, brotando uma compreensão da linguagem completa de uma maneira que o adulto nunca poderá imitar.
Nunca é cedo demais para olhar livros juntos e falar sobre eles. Belos livros de papelão podem ficar de pé, apoiados pelas capaz e pelas páginas, para um bebê que ainda não pode se sentar para se divertir olhando-os. Eles introduzem uma ampla quantidade de temas interessantes para a criança quando eles desejam ver, ouvir (e falar) sobre tudo.

A Maria Montessori

Quero uma escola
Para o rosto infantil e torturado,
Para a esperança verdadeira e reprimida,
Para o esforço real e ignorado.

Quero uma escola
Para a vida possível e desejada,
Para o aprendizado livre e verdadeiro,
Para o ensino igual.

Quero uma escola
De busca e de alegria,
De perguntas e confiança,
De encontro e desafio.

Quero uma escola
De adultos e crianças,
De verdades e belezas,
Para a Paz e para a Vida.
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