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O 5º Encontro de Educadores Montessorianos

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Quando eu tinha uns dez anos, mais ou menos, escutava falar do “encontro da OMB”. A diretora da escola não estava porque fora ao encontro da OMB, ou eu via cartazes na escola anunciando o próximo encontro da OMB. Eu sabia o que significava OMB: era a Organização Montessori do Brasil. Como nossa escola, a Prima, era associada à UNESCO, na minha cabeça de criança a OMB era também uma parte da ONU. Fazia todo o sentido do mundo, e o encontro da OMB era o que podia haver de mais nobre.

Eu aprendi, depois, que embora nossa escola seja mesmo associada à UNESCO, e isso é incrível, a OMB não é parte da ONU. Foi um pouco decepcionante, mas a mágica em volta do nome e do logo da OMB continuaram existindo e eu continuei achando que se tratava de um Olimpo inatingível e admirável. Depois ainda, eu comecei a trabalhar com Montessori, e assim fui conhecendo, um por um, os membros da OMB – os membros do Olimpo. E fui percebendo que, embora as pessoas sejam “atingíveis”, mantém-se inatingível a quantidade de conhecimento que são capazes de articular pelo bem das crianças e da educação.

Então, em 2013, surgiu a oportunidade: o 5º (ou o 34º, depende de como se conta) Encontro de Educadores Montessorianos, organizado pela OMB. Com o apio da Prima-Escola Montessori de São Paulo, e da Montessorriso, fui para Campo Grande, no Matro Grosso do Sul, para ter uma das melhores experiências da minha vida.

Logo no início do primeiro dia, tive o prazer de conhecer Sônia Braga, tesoureira da OMB, diretora da Meimei Escola e tradutora de uma série de livros de Maria Montessori, e logo depois Maria Sheila Saldanha, diretora administrativa da OMB e diretora no Colégio Maria Montessori. Quando fui buscar um local para sentar e ouvir as primeiras palestras, tive a terceira alegria: conhecer pessoalmente Márcia Righetti, pesquisadora da Comissão Científica da OMB e diretora da Aldeia Montessori. Ufa! Era muito para uma manhã.

As palestras do primeiro dia foram dadas por Elena Young, diretora do Huelquén, exemplo de escola Montessori no Chile. A professora nos falou sobre o preparo do professor montessoriano e da necessidade de se refazer continuamente o exame de si mesmo, para garantir que estamos no processo de nos desfazer da ira e do orgulho e de nos revestir de caridade, sabendo adotar uma atitude humilde diante da criança. E tudo isso sem abrir mão de um considerável saber técnico e teórico acerca do desenvolvimento da criança e da utilização dos materiais montessorianos. A palestra foi incrível e, apesar das dificuldades com o português espanholado de Elena Young, cada palavra valeu a pena.

Ainda no primeiro dia, tivemos a palestra de Edite Barbosa, brasileira que depois de dirigir a escola Menino Jesus, em Florianópolis, e trabalhar no Huelquén com Elena Young, abriu com colegas plataforma multidimensional Fundação Punto Zero, no Chile. Edite nos falou sobre as pesquisas de Steve Huges, PdD americano que se dedica a pesquisar as bases neurológicas do desenvolvimento da criança e as coincidências entre o método Montessori e as descobertas mais recentes da neurociência. O ponto alto da palestra foi a explicação sobre como Montessori ajuda no desenvolvimento das funções executivas do córtex pré-frontal. Em uma síntese brilhante de Steve trazida para nós por Edite, “crianças montessorianas são boas em fazer coisas”. E é isso que torna aqueles que estudaram em Montessori excelentes em mudar o mundo: eles planejam, são atentos e, flexíveis e bons em resolver problemas. Confesso que durante a palestra de Edite metade de mim pensava na teoria exposta e metade de mim executava um autoexame, para checar se aquilo que a professora dizia que acontecia com crianças montessorianas acontecera comigo.

Tive o imenso prazer de conversar com Elena e Edite depois, e conhecer um pouco mais destas duas mentes brilhantes reforçou em meu coração algo que eu já sabia: é necessário não poupar esforços na divulgação de Montessori para todas as crianças. Todas as crianças precisam ter acesso às maravilhas que podem ser proporcionadas por Montessori, nas esferas neurológicas, sociais, emocionais e psicológicas – além, é claro, das indiscutíveis vantagens acadêmicas.

O primeiro dia terminou com danças circulares organizadas por Edite Barbosa. A professora nos trouxe para mais perto da natureza humana por meio de formas da dança circular, que é um costume ancestral e que permeia todos os povos, sob diversas formas – desde cirandas juninas até a dança da chuva e tantos outros rituais mais e menos comuns. Foi uma experiência momentaneamente forte e posteriormente importante para refletirmos sobre as várias dimensões di ser humano e as formas por meio das quais as várias civilizações compreenderam o homem.

No segundo dia de aprendizados tivemos uma mesa sobre o Ambiente Preparado, contando com Elena Young, Sônia Braga e Talita de Almeida – a última é presidente da Associação Brasileira de Educação Montessoriana e a maior conhecedora de materiais montessorianos no Brasil. A mesa foi espetacular, e pudemos aprender sobre a importância psicológica e emocional de um ambiente que respeite a natureza da criança, assim como sobre a interconexão existente entre os materiais de desenvolvimento montessorianos e a relevância de conhecê-los todos para se saber utilizar um pensando naquilo que lhe antecedeu e no que lhe sucederá, de maneira a fazer da sala um todo coerente para a compreensão da criança.

A segunda fala do dia foi de Dayse Canano, diretora da Escola Petra, que nos falou sobre a Conquista da Leitura e da Escrita como Processo, com um foco especial acerca do trabalho desenvolvido na escola Petra. O relato foi muito interessante e nos permitiu perceber a relação do materiais com a criança e compreender porque os materiais montessorianos são materiais de desenvolvimento, e não materiais didáticos: um material de escrita, por exemplo, não ensina só a escrever, ele interfere na psique da criança e em sua compreensão da realidade, podendo inclusive viabilizar a absorção de experiências do mundo real de uma forma mais organizada e tranquila.

Finalizamos o último dia de encontro com uma segunda palestra de Edite Barbosa, sobre Fazer Caminhos, uma reflexão filosófica sobre a obra de Montessori e a natureza do professor montessoriano. Citando Edimara de Lima – diretora pedagógica da Prima Escola e segundo Edite Barbosa, sua mestra -, a palestrante nos disse: “Perguntas abrem caminhos, respostas fecham caminhos”. E a esta afirmação seguiu-se uma série de questões muito pessoais sobre o trabalho do educador montessoriano. A última pergunta foi: “Qual o sonho de Montessori?”, ao que respondemos coletivamente que era um mundo melhor, um mundo em paz. Edite concordou com nossa resposta e disse que só vale a pena persistirmos em nossa profissão se sonharmos o mesmo sonho. Em seguida, realizamos mais uma dança circular, e estava terminado o trigésimo quarto – ou o quinto – encontro de educadores montessorianos da Organização Montessori do Brasil.

No próximo, eu espero encontrar você!

Programe-se: nos veremos de novo, se tudo correr bem, entre os dias 14 e 17 de Novembro, em Recife. Mais informações deverão ser liberadas pela OMB em breve.

Cinco Formas de Ser Mãe

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É dia das mães, e o Lar Montessori decidiu escrever sobre o que é ser mãe. Nós não conseguimos compor um texto coeso e fluido sobre isso, então decidimos tomar alguns conceitos que permeiam a obra e a prática de Montessori para construir algumas reflexões. Assim, chegamos a cinco formas de ser mãe.

 

1. Mãe é aquela que dá à Luz

O primeiro possível ato de ser mãe é conceber. Gestar vem em seguida. Mas todo este caminho só se concretiza na maternidade reconhecida e aclamada quando, finalmente, o feto se transforma em criança, e vem à luz. Todo o trabalho necessário, até o parto, no entanto, já é trabalho materno. Este trabalho, para ser perfeito, exige da mãe esforços específicos e variados: é necessário preparar bem o ambiente da criança, descansando o suficiente, mantendo um humor positivo, conversando e transmitindo carinho ao bebê. É importante nutrir a criança em gestação comendo alimentos adequados e evitando substâncias que possam fazer mal ao pequeno bebê ainda não nascido. Por todo este trabalho, esforço e amor desenvolvido durante a gestação, a mulher que pari já é mãe. Ela já criou a criança por nove meses, antes que a criança existisse no mundo extra uterino. Parabéns, a você, que deu à luz!

 

2. Mãe é aquela que alimenta

É interessante que em sua etimologia, a palavra aluno signifique aquele que é alimentado. De certa maneira, todas as crianças são um pouco alunas de suas mães. Desde o cordão umbilical, até o leite materno, e até as papinhas e os primeiros alimentos sólidos, a mãe é aquela que alimenta. Outros alimentos menos materiais também vêm da mãe: palavras de amor, carinho e sossego, lições sobre o mundo e as formas de agir nele, instrução, as primeiras aulas e os infinitos abraços e beijos, são todos alimentos para o que se queira chamar de emocionalalmapsicológico ou interior. Há na criança muito mais para alimentar além do corpo físico, e às mães que alimentam a criança inteira, parabéns!

 

3. Mãe é aquela que prepara

Primeiro, a mãe se prepara. Ela faz seus exames pré-natais, lê, estuda, conversa, pede dicas e informações, troca ansiedades com outras gestantes e descobre, pouco a pouco, o novo mundo da maternidade. Depois, prepara o parto da criança, segundo suas concepções de maternidade, e escolhe entre partos naturais, mais ou menos assistidos, em hospitais ou em casa. De alguma maneira, e segundo preocupações específicas, prepara as boas vindas ao seu filho. Logo, prepara também o ambiente onde o filho viverá: aprende como deve construir seu quarto, adapta toda a casa, escolhe cores, móveis e materiais, brinquedos, estímulos diversos, livros, roupas, trabalha para que o ambiente onde a vida da criança se desenvolverá seja o mais perfeito possível. A criança se desenvolve na interação com seu ambiente, e a todas as mães que prezam a preparação de si e do ambiente da criança, nossos parabéns!

 

4. Mãe é aquela que respeita

A criança é diferente de nós, em tamanho, em necessidades, em sua forma de ver o mundo e em sua sede de atividade e independência. A mãe compreende estas diferenças e as respeita. Ela percebe que é necessário ser um exemplo, e busca agir com perfeição e de acordo com aquilo que diz. A mãe reconhece a necessidade de silêncio e solidão da criança e prepara o ambiente como forma de demonstrar seu respeito e seu amor. Ela respeita as fases de desenvolvimento da criança e as características, às vezes desconfortáveis, de cada um destes momentos. Ela vê a criança pela perspectiva correta e a percebe em toda sua magnitude e importância, a enxerga como construtora da humanidade e como portadora de esperanças e promessas. Parabéns a todas as mães que respeitam como forma de demonstrar seu amor!

 

5. Mãe é aquela que ajuda a vida

Este é o aspecto mais sublime da maternidade. Dar a vida é natural, e só depende do tempo. Alimentar é também natural, e embora dependa de amor, ocorre sempre. O preparo é comum, e o respeito é ao menos um vontade de todas as mães. No entanto, ainda precisa aumentar a quantidade de crianças cujas mães lhes ajudam a vida. Isto é raro e difícil, exige estudo aprofundado, observação contínua, mudança de hábitos, vontades, personalidade e compreensão de mundo. Exige inversões de valores e aprofundamento teórico e prático. Exige a apreensão da natureza da criança para ajudá-la em sua libertação e em suas conquistas de independência. A estas mães, que dedicam-se imensamente a seus filhos, na tentativa de permitir que se desenvolvam plenamente e superem todos os desafios por meio do desabrochar perfeito de sua natureza, o Lar Montessori deseja os parabéns e pede: contaminem mais, polinizem mais, espalhem, criem, contem e comuniquem mais, para que cresça dia a dia o número de mães que ajudam a vida.

 

Aqui, quero aproveitar para agradecer e parabenizar minha mãe. Que deu à luz, alimentou, preparou, respeitou e ajudou a vida de dois filhos. Mãe, muito obrigado!

 

Com todo o carinho, respeito e reverência,

Lar Montessori

Objetos Montessorianos: Brinquedo e Material

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Crescemos com brinquedos. Nossos maiores objetos de desejo quando éramos menores foram brinquedos. Desejamos o carrinho, a bola, a boneca, o videogame, o trenzinho, o autorama, o cavalo de pau, e depois os minigames e videogames portáteis. Nos desenvolvemos acreditando que os brinquedos eram a graça da infância. Por isso, somos adultos que acreditamos nisso. Nós temos certeza de que os brinquedos alegram a criança e dão a ela motivos para sorrir. Somos adultos que vêem na brincadeira o verdadeiro objetivo de vida da criança. Nós achamos isso porque nossas crianças riem quando brincam, e nós amamos seus sorrisos. E ainda assim, em tanto amor e tanta alegria, estamos redondamente enganados.

A criança deseja conhecer, explorar e descobrir o mundo. Deseja ser independente e livre, e busca de todos os modos acessar o mundo do adulto, que é o universo que ela tem por modelo. Assim, tenta copiar seus pais em tudo o que fazem: o computador, o carro, o fogão. Nós, percebendo esta vontade da criança, buscamos satisfazer seu desejo lhe dando computadores de mentira, carros de plástico e fogões sem fogo. É uma boa ação, que fazemos com amor, e que a criança aceita de bom grado, porque é o máximo que poderá ter. Mas perto do mundo real, perto do que há de incrível na realidade, o brinquedo é quase uma troça com a vontade da criança de conquistar sua independência.

Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, brinquedo é “passatempo, distração, coisa que não é séria, coisa fácil de fazer”. As conquistas da criança são difíceis, exigem esforço, trabalho, empenho e dedicação. O aprendizado da fala, do caminhar, e da execução de tarefas do dia a dia, como vestir, limpar, lavar, secar, cortar, comer, pegar, desenhar, abrir, fechar e guardar, exige uma incessante busca e repetidas tentativas por parte dos pequenos, e não se tratam, portanto, de brincadeiras, de passatempos, ou de coisas fáceis de fazer. Acima de tudo, são, para a criança, esforços e trabalhos sérios.

Montessori, quando inaugurou sua primeira sala em San Lorenzo, também achou que as crianças poderiam gostar de brinquedos, e tentou utilizá-los. No entanto, esta sala era equipada com materiais montessorianos e itens do mundo real à disposição dos pequenos. Então, nenhuma criança utilizou os brinquedos que Maria Montessori disponibilizou. Uma professora montessoriana dos Estados Unidos, Paula Polk Lillard, escreve um excelente livro, que consiste no diário que fez durante um ano sobre sua atividade em sala de aula. Neste diário conta que no início do ano utiliza uma caixa de brinquedos para que as crianças achem a escoala semelhante à sua casa, mas que uma semana depois os brinquedos são retirados, e as crianças, já atentas aos materiais presentes na sala, sequer percebem a ausência do caixote.

O brinquedo é despretencioso, é uma distração. É muito bom, mesmo para nós adultos, brincar. Brincar com os filhos, com o cachorro, em um parque de diversões ou com os amigos. Nossas brincadeiras são mais sofisticadas, e gostamos de jogar, alguns gostam de videogames, apreciamos um bom papo jogado fora em volta de uma mesa com boa comida. Tudo isso é muito agradável, como é a brincadeira, mas nada disso nos daria prazer suficiente para que o fizéssemos por anos a fio. Para isso, é necessário o esforço, nós buscamos o esforço que se justifica por um grande objetivo – isso é sonhar e perseguir um sonho.

Com a criança acontece exatamente o mesmo. A criança gosta de brincar, e brincar deve ser considerado um de seus direitos, como é um dos nossos, o lazer. No entanto, a criança também tem suas buscas e seus objetivos. Para ela, no entanto, o trabalho e o objetivo são interiores. Não há para ela, como há para nós, a construção ou criação de algo externo, mas sim a construção de si mesma.

Para essa construção interna, a criança precisa de esforço, trabalho e atividade. Este trabalho, no entanto, precisa de um apoio exterior, um material para exercitar-se. Este é o material montessoriano. Ele serve para ajudar a criança a conquistar o desenvolvimento que ela deseja perseguir. Para que seja eficiente, deve atender a três requisitos principais, que são: a manipulação da criança, o isolamento da dificuldade e o controle do erro.

Primeiro, os materiais são da criança, e não dos adultos. Eles são feitos para serem manipulados pela criança e para que ela se sinta a vontade com eles, não só para que aprenda conteúdos, mas para que desenvolva seus sentidos e sua percepção da realidade.

Em segundo lugar, os materiais, para que ajudem, devem ter objetivos muito claros, trabalhar uma dificuldade, um elemento do mundo, de cada vez. Se um material tem muitos objetivos e ensina muitas coisas de uma vez, não ensina nada. A criança está descobrindo o mundo, e de confusão lhe basta a realide. De nós, ela precisa da ajuda, do apoio e do guia. Assim, quanto mais passo-a-passo puder ser a lição e quanto mais claro estiver para nós o objetivo único da atividade, melhor será para a criança a descoberta do mundo.

O terceiro ponto importante do material montessoriano é que ele contenha em si um dispositivo de controle do erro. O jogo da memória, embora não possa ser considerado um material, tem este dispositivo. Trata-se de algo que impede a finalização da atividade se ela não estiver completamente correta. Com o jogo da memória, se um pareamento é feito errado, ainda que quase todos os segintes sejam acertados, o último dará errado. Assim, o exercício não termina. Isso garante que a criança poderá aprender sozinha, e o professor não precisará corrigir nada, e a criança se desenvolverá por si mesma e seus esforços, sem ter de encarar a figura imensa do adulto desenvolvido o tempo todo.

Por todos os motivos expostos aqui, é possível dizer que não existem brinquedos montessorianos. Existem brinquedos mais inteligentes e menos inteligentes, alguns que trabalham mais e outros que trabalham menos o controle motor, e há os que respeitam mais e os que respeitam menos as fases do desenvolvimento da criança. No entanto, se um “brinquedo” tiver isolamento de dificuldade, um só objetivo, controle do erro e servir à manipulação da criança, sendo aplicado à educação de forma organizada e segundo a fase do desenvolvimento da criança, passamos a ter um material. Caso contrário, temos um excelente e despretencioso brinquedo. É excelente, mas não é Montessori.

Apoiadores do Lar Montessori

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Leitores queridos,

Desde 2010 escrevo o Lar Montessori e sempre tive para mim que não poderia aceitar publicidade, a não ser que se tratasse de algo relevante para Montessori em língua portuguesa e ao mesmo tempo respeitasse a imparcialidade e a neutralidade do Lar Montessori, respeitando a herança montessoriana e apoiando a educação da infância.

Nunca aceitamos os Google AdWords, embora pessoalmente eu os ache fantásticos, e decidimos gastar um pouco mais para retirar anúncios automáticos do WordPress, para que a leitura do blog continuasse tranquila e para que nosso espaço fosse mais de aprendizado do que um ambiente mercadológico.

Há alguns meses a Montessorriso vem conversando conosco para oferecer apoio ao Lar Montessori, em troca de alguma publicidade. Nós esperamos. Esperamos porque queríamos ver os produtos da empresa, que aos poucos surgem e nos alegram. Finalmente, foi possível chegarmos a um acordo quanto à publicidade. O logo deles vai ficar ali no cantinho direito superior, como vocês já devem ter visto.

Esta é a única modificação no Lar Montessori. O apoio da Montessorriso vai nos ajudar a arcar com os custos de manutenção da página, assim como, aos poucos, melhorar nossos vídeos e tornar mais frequentes os nossos artigos. A neutralidade do Lar Montessori será mantida. Por enquanto, não temos nenhum post patrocinado, mas se isto vier a acontecer, vocês serão avisados.

Reforçamos que o Lar Montessori tem como objetivo maior ajudar você a descobrir uma nova perspectiva para a educação dos seus filhos e ser uma fonte, segura, neutra e gratuita, sobre o método Montessori em língua portuguesa. Isso nunca vai mudar.

Esperamos ansiosos a reação de vocês a esta novidade!

Círculo de Estudos em Montessori

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O Lar Montessori vem convidá-los para o círculo virtual de estudos em Montessori. O convite está abaixo e todas as informações estão na página “Círculo“, aqui no blog!

 

convite

Comemorações de Final de Ano – A noite de hoje

Aos nossos leitores mais assíduos, este artigo vem precedido de um pedido de desculpas. Havíamos escrito um outro texto, bastante extenso, sobre a comemoração do ano novo e a criança, e perdemos o artigo completo. Por isso, precisaremos deixar somente algumas dicas rápidas sobre o assunto, antes de passar ao texto final deste ano!

Para prevenir qualquer tipo de estresse de afetar a criança e gerar situações desconfortáveis para todos, é muito importante respeitar o tempo, o espaço e as ações da criança.

O respeito ao tempo aparece quando permitimos que a criança demore mais para comer, ou saia da mesa antes dos adultos. Aparece quando permitimos que durma tranquila enquanto comemoramos a passagem de ano e que brinque sossegada enquanto conversamos e comemos.

Respeitamos o espaço da criança quando a ela é permitido usar seus materiais no chão, e não ter de ficar sentada no sofá, e quando não precisa necessariamente ficar em um espaço reservado à criança, como um quarto de brinquedos, um cercadinho, um berço ou um quarto. Está muito bem que espaços para a criança existam, é bom, desde que ela possa os utilizar só se quiser.

As ações da criança são respeitadas quando levamos para eles os brinquedos que usam com mais frequência ou seus materiais favoritos. Uma pequena cesta dos tesouros, um boneco. Da mesma maneira, quando não interrompemos a criança o tempo todo para que fale com os adultos também estamos respeitando que aja. Por fim, à mesa, é necessário lembrar de o que a criança já sabe fazer e usar isso a seu favor. Coloque ou peça que coloquem à mesa os talheres que seu filho sabe utilizar e deixe a comida em um estado que seja perfeito para ele, garantindo assim o bom andamento do jantar.

Espero que as dicas, curtas, tenham sido úteis e novamente me desculpo por não ter reescrito o texto mais longo.
Uma ótima noite para todos,
Gabriel

 

Comemorações de Final de Ano – Cozinha

Em outros posts do nosso blog, já trabalhamos bastante a ideia da criança na cozinha. A cozinha é um dos espaços mais interessantes da casa, do ponto de vista do aprendizado infantil, porque propicia um  a infinidade de possíveis experiências para a criança que já consegue caminhar, ou pelo menos sentar e usar as mãos com tranquilidade.

A época das comemorações de fim de ano é especialmente adequada para as atividades culinárias da criança, porque além de curtir a atividade em si, depois haverá a oportunidade de a criança ver toda a família comendo e elogiando aquilo que ela faz. Não é o elogio que a alegrará, mas a percepção de que “sabe fazer algo direito”a a possibilidade de servir aos outros algo que lhes agrade.

A cinco dias do Natal talvez não dê tempo de desenvolver habilidades novas com maestria suficiente para ajudar em um prato, mas as habilidades já adquiridas podem ser usadas com tranquilidade. Aqui, trabalharemos dois pontos nos quais a criança pode usar: um em que só use as mãos, outro em que use talheres.

Para se aventurar na cozinha, junto com seu filho, o primeiro passo é preparar o ambiente. Primeiro, a altura de tudo. Seu filho precisa alcançar as coisas se for ajudar. Sua cozinha é grande e equipada com uma mesinha baixa para seu filho? Ótimo! Mas se não for este o caso, sem problemas, hora de pegar aquele banquinho que vocês usam no banheiro ou em outro lugar da casa para ele alcançar a pia e a mesa.

Sobre a pia ou a mesa já deixe tudo separado para utilização: potes, bacias, tábuas, ingredientes em ordem (da esquerda para a direita, de cima para 401586_4032519655679_395174502_nbaixo), instrumentos necessários todos. Se o seu filho é mais velho, com uns cinco ou seis anos pelo menos, ele pode fazer uma receita simples inteira sozinho. Se é pequeno, deixe com ele uma parte bem pequena do processo.

Há vários pratos em que a ajuda de uma criança pode ser bem vinda: elas podem picar batatas ou salada, ajudar a fazer massas, bater cremes com uma colher, abrir massas com o rolo… Tudo o que nós fazemos, eles fazem também, depois que aprendem a usar os instrumentos. Só lembre: para eles, o tempo não importa, vai ser tudo feito bem devagar – o resultado importa menos que o processo. Se você não tem tempo sobrando, faça tudo sozinho. Fazer coisas com seu filho é uma atividade educativa para ele, e não mão de obra auxiliar para você.

Caso sua criança ainda não saiba usar talheres, pode usar as mãos ou o rolo de massa. Assim, uma porção da massa de um pão pode ser-lhe deixada sob responsabilidade, para amassar, abrir, inclusive para rechear com ingredientes já picados e fechar de novo. A criança pequena não tem nojo das coisas, e gosta de ajudar com o que gruda. É uma textura nova. Elas também podem untar formas muito bem, colocar biscoitos nessas formas com alguma precisão e ajudar lavando um ou outro objeto. Se essa for sua primeira experiência na cozinha com seu filho, vá devagar, para descobrir se ele gosta, e do que ele gosta. Se ele se diverte mais abrindo massa, deixe que faça isso, se prefere untar formas, ótimo também. Caso ele goste de lavar a louça, é outra possibilidade. Novamente, lembre-se que ele está lá mais para aprender do que para ajudar.

Mesmo para usar o rolo de abrir massas, é necessária uma pequena aula. Para os pequenos, ensinamos tudo passo a passo, devagar, objetivamente, e de forma muito clara. Pegue o rolo pelas duas extremidades, dizendo “Você pega o rolo pelas duas pontas”, depois posicione o rolo sobre a massa, explicando, “Coloque o rolo em cima da massa”, em seguida comece a abrir, “Aí, role sobre a massa para ela ficar bem fina, assim”. Em seguida, sem maiores detalhes, deixe-o fazer. Se for necessário, explique que a massa deve ficar mais fininha. Abra um pedaço para ele ter de exemplo. Aí, deixe que trabalhe sozinho.

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Para os talheres, também são necessárias algumas aulas (leia sobre isso nos posts sob a categoria “Cozinha”). Como disse acima, use agora só aqueles talheres que seu filho já domina com tranquilidade – é muita comida, e prestar atenção em como ele está usando a faca que só começou a usar recentemente pode ser uma dor de cabeça a mais. Nesse caso, prefira a colher e o garfo. A criança que já aprendeu a usar colheres pode misturar ingredientes muito bem. Aquela que usa o garfo pode bater cremes e mousses. As mais avançadas na culinárias, que já usam a faca com tranquilidade podem, com alguma supervisão e com uma faca sem ponta e com um fio não muito fino, ajudar a picar coisas simples, como frutas, batatas, legumes em geral. Cenouras e frutos redondos de casca lisa (tomates, e frutas como a maçã e a pêra) podem pedir um pouco mais de maestria. Nesses casos, corte o fruto à metade, e aí, apoiando o lado plano sobre a tábua, a criança terá mais facilidade.

Outra possibilidade para os pequenos com mais habilidades manuais é o uso das forminhas de biscoito. Isso pode começar a ser usado agora, porque não é muito difícil e é bastante divertido. Ensine seu filho novamente com cuidado, em partes e objetivamente a cortar a massa com a forminha, a pegar os pedaços de massa e posicioná-los na bandeja. Depois, vocês podem colocar um pouquinho de chocolate granulado em cima – esse desafio, de polvilhar coisas pequenas com pequenas quantidades de granulado, pode ser interessante para seu filho, que vai ter de controlar muito bem os dedos e a mão.

Decorar os pratos é outra atividade bastante agradável. Exige ao mesmo tempo delicadeza e senso estético, e pode ser bem gostoso. Posicionar os ele542598_10151241715609390_1347832105_nmentos de uma salada de forma bela, e circular, num prato, por exemplo, é um exercício de simetria e geometria bastante interessante, ainda que, evidentemente, nenhuma dessas palavras vá ser usada. Mesmo a distribuição dos biscoitos para assar ou dos pedaços de batata em volta de um prato exigem o exercício da percepção espacial e são desafios interessantes.

Colocar a mesa pode ser muito divertido também, assim como servir sucos e bebidas no dia da festa, afinal, as crianças gostam de exercitar seu equilíbrio e as habilidades de despejar, carregar e segurar. Isso, no entanto, será conversa para o próximo artigo, que tratará exatamente do dia da comemoração.

Até lá, esperamos que os preparativos para as festas estejam correndo muito bem, e estamos, sempre, abertos aos comentários e às histórias de vocês! Se houver experiências culinárias neste meio tempo, dividam conosco suas receitas e o modo de fazer com os pequenos, vamos todos adorar!

 

As fotografias deste artigo foram cedidas por famílias do grupo Montessori para Mamães

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