Normalização II: O Equilíbrio Natural da Criança

“Para aqueles que compreendem a vida, isto
pareceria sem dúvida muito mais verdadeiro.”
(Antoine de Saint-Exupéry em O Pequeno Príncipe)

   Para os admiradores de Montessori, especialmente no início de suas realizações, o processo de recuperação do equilíbrio natural da criança que acontecia nas Casas dei Bambini era comparado a um milagre e uma conversão religiosa. Os efeitos da liberdade em um ambiente preparado conseguidos pela pedagogia científica da médica italiana a levaram a ocupar longos artigos, diversas entrevistas e belas fotografias em jornais de todo o mundo. Ainda assim, no entanto, poucas pessoas compreenderam bem como Montessori o que realmente estava acontecendo: surgia, diante dos olhos de todo o mundo, o equilíbrio natural da criança. “Eu aponto para as crianças”, Montessori dizia, “e as pessoas olham para meu dedo”.
   As crianças para quem ela apontava eram especialmente silenciosas, gostavam muito de trabalhar com os materiais didáticos e eram extremamente organizadas. Falava-se, na sala, mas baixinho, e ria-se na sala, mas com mais frequência havia sorrisos. As crianças mais novas às vezes esqueciam de guardar o que haviam utilizado, mas as mais velhas sempre lembravam, e tudo isso mantinha o clima da sala atrativo para todos os visitantes. Montessori, no entanto, reafirmava: esta é a natureza da criança. Elas são assim. Em um ambiente preparado onde sejam deixadas em liberdade, elas são naturalmente assim. O processo pelo qual elas estão passando se chama normalização, e elas são crianças normalizadas.

   Devido a dezenas de traduções e mudanças de significado da palavra normal, a ideia de normalização é sempre mal compreendida e parece aos leitores e estudantes de Montessori, assim como aos pais, que se trata de algo que o professor faz com o aluno. Na verdade, é algo que a criança faz a si mesma. Por isso,  depois de uma extensa conversa com a Profª Edimara de Lima, diretora da PRIMA – Escola Montessori de São Paulo, que tive há vários meses e sobre a qual fiquei pensando desde então, decidi adotar, no Lar Montessori, o termo “Equilíbrio Natural da Criança” para tratar do que Montessori e seus contemporâneos chamavam de criança normalizada.

   E.M. Standing (autor de “Maria Montessori: Her Life and Work“), amigo pessoal de Montessori e grande estudioso de seu método, conseguiu estabelecer uma lista de características mais comuns às crianças naturalmente equilibradas. As marcas que ele encontrou foram as seguintes:

  •  Amor à ordem;

   A criança pequena precisa de um ambiente organizado. Nos primeiros meses ela não poderá organizar nada, então, quando desorganizar algo, procure restabelecer tudo. Isso realmente faz bem, agrada e tranquiliza a criança. Quando ela for mais velha, a partir dos dois ou três anos, é bom começar a ensinar a guardar as coisas. Colocar no lugar depois de usar. Para isso, mantenha tudo o que a criança usar em uma altura que ela possa alcançar. Como as crianças gostam de ordem, guardar as coisas será algo que farão com tranquilidade. Até os seis anos, pode ser necessário lembrá-las com bastante frequência, e ajudar umas três vezes ao dia. Aos poucos, a criança aprende a guardar o que usa, e faz isso com eficiência!
  •  Amor ao trabalho;
   Assim como o amor à ordem e todas as outras características, esta é inata. No entanto, no caso do amor ao trabalho, não precisamos incentivar a criança a trabalhar. Ela faz isso com o que quer que encontre em seu caminho, naturalmente. Nosso papel aqui é orientar este trabalho de forma que ele seja mais produtivo para a formação interna do ser em desenvolvimento. Ensinar as atividades passo-a-passo, devagar e objetivamente é uma maneira de engajar a criança em atividades interessantes e garantir que ela possa fazer as coisas sozinha da próxima vez. A outra forma, tão importante quanto, é dar atividades para as quais a criança esteja preparada – assim, garantimos a possibilidade de sucesso e, ao contrário do que pensamos, a criança aprende com o acerto, e não com o erro.

  •  Concentração espontânea;
   Quando a criança é muito pequena, é comum que mantenha os olhos em um ponto fixo. Mais tarde, a vemos tentando pegar coisas com muita força de vontade. Depois, em um ambiente preparado, a vemos se esforçando por montar peças, empilhar coisas, encaixar pedaços, decifrar enigmas. A concentração espontânea é, além de uma das características mais belas, uma das que mais devem ser respeitadas. A concentração só pode ser espontânea. Dizer “preste atenção” ou “pare de fazer o que está fazendo e venha comigo” são duas formas de interromper o fluxo de concentração, e não de inciá-lo. A atividade produtiva livre é a única forma de permitir que a criança desenvolva mais esta característica natural.

  •  Apreensão da realidade;
   Isso é o que a criança está tentando fazer desde o momento em que abriu os olhos ou os ouvidos para seu ambiente. Desde a primeira vez em que sentiu o ar entrar pelas narinas ou moveu os braços e os dedos, a criança tenta compreender e internalizar a realidade que a cerca. Nossa tarefa, como pais, mães e professores, é garantir que ela consiga fazer isso. Por meio de um ambiente preparado para ela, no qual ela possa olhar coisas bonitas e interessantes, pegar e sentir todo tipo de objetos e ouvir os sons do mundo, nós oferecemos para a criança todas as possibilidades de apreensão da realidade, para que ela use à sua maneira e no seu ritmo. Assim, permitimos que ela aprenda sozinha e obedeça sua tendência normal de desenvolvimento.

  •  Amor ao silêncio e ao trabalho solitário;
   Parece um pouco assustador, à primeira vista, que uma das características da criança seja querer ficar quieta e trabalhar sozinha durante alguns períodos, às vezes bem longos, de seu dia. Na verdade, no entanto, encontramos esta mesma característica naqueles que se esforçam pelo bem da humanidade: nos cientistas e nos monges. Desligar a televisão, falar baixo com o cônjuge ou irmãos mais velhos e não interromper seu filho são as melhores formas de garantir que ele possa continuar a formar um ser humano internamente. Procure não o forçar a trabalhar em grupo. Durante os primeiros seis anos isso pode ser chato. Trabalhar individualmente não o fará mais egoísta – ao contrário, o ajudará a se tornar um pequeno ser humano completo e que, portanto, poderá doar-se com mais vontade mais tarde.

  •  Sublimação do instinto de possessividade;
   É diferente gostar dos objetos e querer tê-los só para si. Admirar objetos, cuidar deles e querê-los em ordem e bom estado é natural da criança. Recusar-se a dividir, ou amar os objetos mais do que os trabalhos que se pode realizar com eles não são atitudes naturais nem comuns e em geral tratam-se de comportamentos incentivados por aqueles que circundam a criança. Objetos não devem ser queridos por si, mas pelo que permitem realizar – mesmo no caso de uma obra de arte, não deve ser ela o mais importante, mas a beleza e o aprendizado que transmite. Ajudamos a criança com isso quando não damos valor excessivo aos objetos e enfatizamos mais as vivências do que as posses no dia a dia. Criar plantas e animais, assim como dividir brinquedos com irmãos e amigos também ajuda.

  •  Poder de agir por escolha;
   A criança, quando nasce, age por princípios naturais de desenvolvimento e por tendências de comportamento inatas. Só com o tempo é que consegue desenvolver a capacidade de agir por escolha. O desenvolvimento desta habilidade é natural, e tende a acontecer mesmo sem nossa ajuda. Podemos ajudar, porém, com o jogo do silêncio e várias outras atividades das quais a criança goste e nas quais o objetivo principal seja conter um determinado tipo de comportamento. Somente aprendendo a conter um comportamento a criança (e mesmo o adulto) aprende a agir por escolha e não por vontade inconsciente. Estas atividades, no entanto, precisam ser feitas de forma agradável, mesmo divertida, e nunca violentando a liberdade da criança.

  •  Obediência;
   Parece contraditório defender a liberdade da criança e ao mesmo tempo explicar porque a obediência é natural. Mas não há nenhuma contradição. Primeiro, porque se é natural, faz parte de sua liberdade e, segundo, porque não falamos de uma obediência cega e despropositada. A obediência é um desenvolvimento importante a adorado pela criança porque ela percebe – embora inconscientemente – que é capaz de determinar seus atos e de agir em consonância mesmo com a vontade de outra pessoa, criando assim o princípio do sentimento de comunidade dentro de si, ao mesmo tempo que aumenta seu poder de agir por escolha. Não ajudamos a criança lhe dando todo tipo de ordens o tempo todo, isso nunca deve ser um hábito. Mas pedir favores de vez em quando, determinar rotinas e brincar de desafiar seu filho a fazer algumas coisas – como brincadeiras, jogos, e não ordens com desobediência sujeita a punições – podem ser excelentes maneiras de incentivá-lo a desenvolver suas capacidades.

  •  Independência e iniciativa;
   Se você segue o Lar Montessori há algum tempo, ou se vem criando seu filho com liberdade – conhecendo ou não os princípios montessorianos – sabe que independência e iniciativa são evidências de uma criança que vem se desenvolvendo com tranquilidade e respeito. Não há uma forma só de incentivar isso, mas tudo o que publicamos no Lar ajudará com essa parte. O ambiente preparado, a liberdade e o respeito são as melhores formas de permitir à criança desenvolver a liberdade e a iniciativa. Eles gostam de descobrir como fazer, e gostam muito de fazer. Tudo o que nos cabe é ajudar com tudo o que pudermos.

  •  Auto-disciplina espontânea;
   Porque a criança desenvolve as capacidades latentes e inatas de obediência, amor ao silêncio, ao trabalho, à ordem, ação por escolha, independência e iniciativa, é claro como água que o primeiro resultado é a auto-disciplina espontânea. Para ajudar nesta etapa do desenvolvimento, é muito bom que desenvolvamos uma rotina fácil, leve e repetida, que consigamos lidar bem com a autoridade e que haja liberdade e respeito ao tempo e às preferências da criança. São assuntos complexos, já abordados no Lar, mas que exigem mesmo um longo período de tentativas. Como a auto-disciplina é um dos dois maiores resultados da recuperação do equilíbrio natural da criança, ela depende de todo o resto para acontecer. Atente para o resto, e ela, como todas as características, surgirá naturalmente.

  •  Alegria.
   Chegamos ao final, nada surpreendente, da nossa lista. Este é o ponto culminante de um desenvolvimento saudável. A cultura ocidental por vezes nos faz achar que o sofrimento, a dor e o mal estar emocional e psicológico são necessários. Não são. A cultura oriental, com a qual Montessori conviveu durante dois dos mais importantes anos de sua vida, nos ensina que os acontecimentos são necessários, mas que sofrer ou não por eles depende da maturidade psicológico-emocional daqueles envolvidos nos acontecimentos. A alegria não vem da ausência de acontecimentos desagradáveis – eles existem. Vem, antes, da capacidade humana de agir por escolha, de conseguir sublimar o instinto de possessividade e de ser alegre, por causa e apesar de tudo.
   Por sorte, no entanto, acontecem mais coisas boas que coisas ruins, e na maior parte do tempo a criança não tem nenhum motivo para ficar triste ou para aprender a lidar com acontecimentos desagradáveis. Na maior parte do tempo, em liberdade e em um ambiente preparado, a criança tem tudo que seu corpo e sua psique pedem, tudo o que é necessário para desenvolver-se física, psicológica e emocionalmente e, por isso, é contente, sente-se satisfeita consigo e com o mundo e em geral sorri bastante. A alegria de uma criança que passou pelo processo de recuperar seu equilíbrio natural é radiante, mas nem por isso é escandalosa. Percebemos essa alegria na tranquilidade, no bem estar ameno e nas pequenas e suaves comemorações a cada desafio que consegue superar.


Será fantástico saber como estão sendo as coisas na sua casa e saber a sua opinião sobre o processo que comentamos aqui. O que você achou da mudança de nome que nós sugerimos? Quais dessas características são mais marcantes no seu filho? Como você lida com situações nas quais seu filho precisa ficar algum tempo em ambientes que não são preparados para ele? Quando falar das crianças, por favor, nos conte a idade delas, para sabermos sobre quem estamos conversando!
Um grande abraço!

12 comentários sobre “Normalização II: O Equilíbrio Natural da Criança

  1. Olá, Gabriel, antes de mais nada, parabéns pelo artigo gostoso de ler e pela pesquisa tão preciosa. Sobre a mudança de nome, acho que depende! Para fins acadêmicos, pode ser que você encontre alguma dificuldade a princípio, porque o meio acadêmico adora esses nomes indecifráveis para a maioria dos mortais kkkkkk e na verdade os pesquisadores provavelmente irão pesquisar por "normalização", mas acho que foi uma ideia maravilhosa para tornar Montessori acessível a todos, principalmente a pais e mães que se interessam pelo tema. E com o tempo, mesmo os acadêmicos podem aderir, o que seria muito bom, pois você conseguiu captar bem a essência do conceito com o novo nome.Bem, você não se importa com comentários quilométricos, não é? Já vim aqui várias vezes no seu blog, mas o motivo pelo qual não comento é que sou meio prolixa hahahha gosto de escrever, e quanto é um tema que amo, não poupo palavras mesmo. Tendo dois filhos, então, o negócio rende… mas vamos lá.Tenho dois filhos, um de dois anos e meio e um de cinco anos.Com o de cinco anos, cometi um erro corrente entre asm ães: querer superproteger, achando que fazendo tudo por ele seria a melhor forma de mantê-lo seguro. Quando ele tinha de dois para três anos conheci Montessori e ela me salvou ehehehe, mas o resultado de tudo que fiz antes é que, até hoje, meu filho mais velho gosta de ser servido, pra você ter ideia, todo dia é uma confusão porque ele quer que eu dê a comida dele na boca. Mas tenho continuado meu trabalho com ele, e ele tem progredido bastante. Meu filho mais novo, como já nasceu com uma mamãe montessoriana, é completamente ao avesso, e diria que é o extremo oposto, a tal ponto que eu ainda estou aprendendo a lidar com isso. Esse vai sozinho na geladeira, pega a comida que quer, abre sozinho, pega talheres e potes, coloca em cima de uma toalhinha, come, e depois, às vezes, me comunica que já lanchou hahahah Isso às vezes me amedronta, porque penso que a liberdade que ele tem ainda não é condizente coma ausência de noção de perigo. Ele quer,por exemplo, operar aparelhos eletrodomésticos sozinho (eu até deixo, sob supervisão, desde que ele não mexa com o plugue), faz uma torre de cadeiras e banquinhos para pegar coisa no alto das estantes, explora e mexe em absolutamente tudo, esteja ou não ao seu alcance, e com ele tenho feito o trabalho inverso do irmão, fazendo-o compreender os limites da segurança. Nossa maior dificuldade é ir em casas de pessoas solteiras, ou casados sem crianças – o tal do ambiente não preparado. São horas de tensão. Na última vez que fizemos isso, eles transformaram o sofá da dona da casa em uma linda cabaninha, e felizmente a mesma gostou e entrou lá pra brincar com eles kkkkkk mas em geral eu tenho que carregar comigo estratégias para focar a concentração deles num ponto: livros, brinquedos, jogos que caibam dentro da bolsa. E quase sempre dá certo, pelo menos por um tempo. Quando enjoam, eu fico brincando com eles (jogos de mãos, de dedos, com o tempo a gente relembra um monte de coisas da infância kkkkk). A diferença entre mim e um monte de mães desesperadas com filhos em igual situação é que o conhecimento da filosofia montessoriana me ajuda a compreender meus filhos, e saber que não são eles que estão errados, mas o ambiente em que estão. Então não fico brigando e castigando eles por não serem bonequinhos de controle remoto. AGora comentando cada tópico:

  2. – Amor à ordem – quando decidi, pela primeira vez, deixar livros e brinquedos selecionados e classificados à disposição deles, quase morro do coração hahahha Era tanta bagunça e eu tinha que arrumar tudo várias vezes ao dia. O pior, nem meu marido, nem minha ajudante, nem ninguém no universo conseguia arrumar tudo como eu queria, classificando os objetos por tipo, era só eu. Tinha dias que dava vontade de chorar. Mas persisti, e a situação foi melhorando gradativamente. O mais velho, hoje em dia, já guarda os próprios livros e brinquedos, roupas e sapatos. Ainda tenho que lhe lembrar de vez em quando, mas ele já demosntra o amor à ordem, reclama quando as coisas estão fora do lugar e toma iniciativa de guardá-las. O mais novo ainda está no processo. Tem melhorado, mas ainda prefere só tirar tudo do lugar. Pra juntar ele faz bico, mas eu sento ao lado dele e digo : "vamos lá, você guarda um e eu outro.", depois, "Você guarda dois e eu um", e assim vamos. E só deixo ele brincar com outra coisa, depois de ter guardado a que estava brincando primeiro. Nos dias que não estou em casa é que é difícil, porque o pai e minha ajudante não fazem isso, e quando chego, ou está uma montanha de coisas espalhadas por ele, ou então tudo guardado no lugar errado. Meu filho mais velho me consola, porque acredito que com o tempo o menor tb vai compreender minha luta, heheheUma nota sobre meus alunos (Ed. Infantil): nas minhas aulas de música, todos manipulam objetos sonoros ou ilustrativos, e ao final de cada atividade, todos guardam. Eu apenas indico onde guardar, e eles vão lá e guardam. Nem as professoras regulares acreditam, e algumas vezes quiseram interferir, pegando os objetos das mãos das crianças para guardar, mas eu sempre as alerto para não fazerem isso. As crianças ADORAM esse momento, e choram se outro amiguinho pegar o objeto delas para guardar. Nunca tive problemas, bastou ensiná-las uma vez, e na aula seguinte elas já sabiam que depois de cada atividade, há o momento de guardar, esperam por isso, e fazem com primor. Acho até que na escola funciona melhor que em casa.- Amor ao trabalho – aqui não incentivo nada que imobilize meus filhos. Com o mais velho, que adora TV e video game, isso é difícil, tenho que estabelecer limites de tempo, mas ele não reclama quando vamos brincar juntos. Com o mais novo, isso é difícl também kkkkk mas pelo motivo oposto. Ele não se concentra em nada por muito tempo, então tenho que programar umas 258 atividades lúdicas diárias para mantê-lo canalizando sua energia de forma apropriada enquanto está acordado. É verdade que esse tempo de concentração tem aumentado, mas ainda é uma loucura.- Concentração espontânea – como mãe, aprendi que ao invés de dizer: "saia daí" ou "Não toque nisso", é preciso maleabilidade para transformar o que eles estão fazendo em uma atividade adequada. Na minha cozinha, por exemplo, separei um cantinho onde eles, desde bebezinhos, logo que aprenderam a sentar, podem mexer em potes e talheres plásticos de diversos tamanhos, e eles adoram, principalmente quando coloco algo novo no cantinho. Às vezes eles mesmos escolhem algo para explorar e levam para o cantinho. Na verdade cada cômodo da minha casa tem um cantinho assim, onde eles podem mexer livremente, mas, novamente, meu pequeno às vezes extrapola, e tenho que cortar seu fluxo de concentração em nome de sua segurança, hehehe (mesmo com todos os cuidados do mundo, ele sempre encontra algo perigoso pra fazaer, incrível a capacidade que as crianças de dois anos tem pra isso).

  3. – Amor ao silêncio e ao trabalho solitário – os dois gostam, mas não foi sempre assim. O mais velho, antes, requeria minha presença em tudo. Hoje ele só requer de mim que veja o que ele produziu, criou, que "bata palmas" ao final, e faço isso com o maior prazer 🙂 O mais novo não me deixa ajudá-lo com nada. Quer apenas que eu mostre como faz, mas eu que não ouse a triscar no que ele está fazendo hahahah- Sublimação do instinto de possessividade – ai, ai, acho que esse é meu maior calo aqui. Os irmãos vivem em constante disputa territorial, e isso inclui seus objetos, brinqueods, comida, e principalmente por minha atenção. Tenho que encontrar masi estratégias para trabalhar isso com eles.- Poder de agir por escolha – procuro incentivar sempre, inclusive nos assuntos familiares, e eles adoram!- Obediência – acho importante levar em conta a fase de desenvolvimento da criança. Há uma fase, que Wallon chama de personalismo, em que a desobediência é constante, mas é uma ferramenta de auto-afirmação da criança, cuja personalidade está em formação, e esse é o modo que ela encontra de descobrir quem é e o que quer: contradizendo tudo e todos. Isso é natural, e deve ser olhado com outra característica dessa fase:a imitação. Ao mesmo tempo que a criança desobedece, ela procura imitar modelos ao redor, e vai acabar por deixar predominar esses modelos, que no caso do ambiente doméstico – somos nós,família. Meu filho de cinco anos parece já estar saindo desse estágio, pois faz uns poucos meses que ele ama quando o elogiamos por sua obediência e tem procurado espontaneamente agir assim. Fico tão feliz!- Independência e iniciativa – procuro incentivar, mas as pessoas adultas normalmente detestam crianças assim. :-(- Auto-disciplina espontânea – adoro quando meus filhos demonstram isso de alguma forma, por exemplo, me lembrando que está na hora de fazer algo, ou indo pegar e guardar algo que querem no lugar certo, numa atividade de artes por exemplo (eles tem a disposição caixas com materiais diversos para esse momento).- Alegria – você só esqueceu de citar a alegria do professor ou do educador ao conviver com crianças alegres assim…Abraços!

  4. Olá Gabriel adorei conhecer o blog!!!!!Queria oferecer de coração o selo de qualidade (pegar no meu blog na aba ofereço). Ficarei muito feliz caso aceite o selo.Tenho um blog onde divulgo blogs educacionais de qualidade e convido vc a fazer parte!!! Basta ser seguidor dos 2 blogs que tenho, indicar blogs educacionais de qualidade:http://orientarpedagogos.blogspot.com.br/http://diversosblogseducacionais.blogspot.com.br/ Ficarei muito feliz em recebê-lo.Abraços, Viviane

  5. Luciana, foi o comentário mais longo da história do Lar, mas serão sempre bem vindos, pode comentar mais!!! :)BOm, de minha parte cabe parabenizar e agradecer. Parabenizar por ter percebido muito bem os princípios de Montessori e agradecer por dividir conosco resultados tão positivos!Se me couber, sugiro que você leia nosso post sobre prêmios e castigos, especialmente no que diz respeito ao seu filho mais velho. Com certeza, aos poucos ele passará a amar mais os atos em si do que os elogios que recebe. Mas elogios são agradáveis, os egos os adoram, e não podemos privar a criança de alguns muito merecidos!Muitíssimo obrigado por compartilhar tudo isso e lhe agradeço por criar duas crianças que serão cidadãos tão bons!Gabriel

  6. Muito obrigado, Viviane!VIa de regra, nós não compartilhamos blogs que não sejam ligados diretamente a Montessori, então infelizmente não poderei aceitar essa parte. Meu ego se entristece, pois eu adoraria colocar um selo de qualidade aqui no Lar!Ainda assim, escreverei um post curto sobre seu blog e a mencionarei com carinho!Muito obrigado,Gabriel

  7. Muito obrigada, Gabriel! Eu já estava mesmo querendo estudar a fundo o que Montessori defende sobre elogios e castigos, tenho apenas um noção superficial. Sua dica agora me relembrou disso. Abraço!

  8. Adorei a publicação. Sou educadora e mesmo inconsciente do método monterrosi sigo uma linha de trabalho semelhante, mas como estudiosa de mestres espirituais e achei muita consonância com as práticas que utilizo empiricamente. Tenho um bebê de seis meses, e desde que nasceu acompanho seu desenvolvimento como uma orientadora, auxiliando-o traves de suas próprias descobertas. Você pode me indicar livros da educadora Monterrosi para ler e me aprofundar tecnicamente do assunto?

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