13 Dicas para Famílias Montessorianas em 2013

1. Tenha tempo para ficar com seu filho, e para o deixar sozinho.
Passar algum tempo todos os dias com seu filho é importantíssimo. A vida no nosso tempo pode ser realmente muito corrida, mas ainda assim vale a pena separar o máximo que você puder para conversar, ler ou brincar com suas crianças. Estar com eles é fundamental para que você saiba do que precisam, como está seu desenvolvimento, quais são suas necessidades e suas opiniões sobre a escola onde estudam.
Ainda assim, também é importante separar uma parte do seu tempo para os deixar sozinhos. Deixar as crianças sozinhas não é as deixar sem você. É deixá-las sem sua interrupção, embora com sua presença atenta, e imperceptível, por perto. Deixar a criança sozinha é a deixar sozinha para agir, sozinha para descobrir, sozinha para investigar e conhecer. Esteja por perto, observe, permaneça em um silêncio cheio de atividade. Deixar, no vocabulário montessoriano, é algo ativo, assim, deixar sozinho não é o mesmo que abrir mão da companhia, é deixar que seu filho aja enquanto você observa.

2. Ensine seu filho a fazer sozinho.
De nada adianta separar todo o tempo do mundo para deixar seu filho sozinho, se ele não souber o que fazer com este tempo. Por isso, é importante cultivar em você mesmo qualidades tais quais a paciência e a concentração. Muitas vezes é também necessário desenvolver um certo despreendimento (que nunca quer dizer desamor) em relação ao seu filho, no sentido de provê-lo com um bom ambiente, bons instrumentos e boas lições para, em seguida, permitir a ele agir sozinho.
Se sua criança tiver à sua disposição a possibilidade de agir sozinha, o fará naturalmente, desde que lhe seja permitido. No entanto, para que esta ação faça todo o sentido e seja fértil, é relevante que a criança conheça formas produtivas de agir. Assim, podemos lhe prevenir o erro desnecessário e a perda de tempo: podemos ensiná-lo a segurar coisas de formas corretas, a arrumar, organizar, classificar, despejar, utilizar dezenas de instrumentos. A criança está disposta a aprender tudo e a tarefa dos pais em casa é muito mais de auxiliar a criança a desenvolver sua autonomia, do que de ensinar conteúdos escolares. Esta é a parte da escola. Em casa, devemos ensinar os pequenos a fazer sozinhos tudo o que estiverem preparados para aprender.

3. Abaixe o teto ou levante o chão.
Há duas formas de adaptar o ambiente para seu filho. O primeiro é deixar tudo mais baixo, e é a melhor opção. Uma pia baixinha, e um vaso sanitário no banheiro; mesa e gavetas baixas na cozinha; cama e prateleiras baixas no quarto. Isso, no entanto, pode ocupar um espaço que você não tem em casa. Pode ser que sua cozinha seja pequena, que você não possa adaptar um banheiro inteiro para seu filho. Assim, a outra possibilidade é dar a ele um dos melhores presentes do mundo, a chave para a autonomia de movimento: um banquinho. Um pequeno banco no banheiro, outro na cozinha, um no quarto e outro na sala podem ajudar seu filho a alcançar todas as coisas. Claro, você pode unir as duas opções e abaixar o que for possível, colocando um banquinho nos outros locais.
Note também que se você tiver um banquinho, ou vários, deve garantir que todos sejam muito firmes e tenham espaço suficiente para quatro pés, pelo menos, assim seu filho correrá menos riscos. Ainda assim, aconselhamos que você fique por perto

4. Dê opções.
Todos os animais ficam felizes quando têm opções, embora alguns deles fiquem muito confusos. Mas um cão, um passarinho e uma anêmona não demonstram nenhum sinal de chateação por terem de comer o mesmo todos os dias, ou por viverem em locais decorados da mesma maneira por anos. Um ser humano, no entanto, precisa exercer o poder que tem de escolher. De alguma maneira, a possibilidade de escolher, por si só, é suficiente para que alguém que sinta melhor consigo e com seu ambiente (Angeline Lillard explica melhor este tema em seu “Montessori: The Science Behind the Genius”). Para a criança também funciona assim. Sempre que possível, permita ao seu filho escolher o que fazer, o que vestir ou mesmo o que comer. Deixar as roupas mais baixas, deixar alimentos na prateleira mais baixa da geladeira e colocar materiais e brinquedos organizados em uma estante ajudam a criança a desenvolver a habilidade de escolher e fazem com que se sinta muito melhor. Ter tempo é essencial para isto, a escolha da criança pode demorar, e aquilo que ela escolher pode ser algo mais demorado do que você escolheria. Mas vale a pena!

5. Tenha coragem de ser pacífico.
Gandhi [e eu posso estar enganado nos créditos] dizia que é muito mais difícil ser pacífico que violento, e que a verdadeira força estava naquele que se mantinha pacífico nas adversidades. Perder a paciência é simples, e sabemos disso – afinal, fazêmo-lo o tempo todo. Tenha coragem de se manter pacífico, de ser paciente, de compreender seu filho. Ninguém, e especialmente nenhuma criança, acorda e pensa: “hoje eu vou fazer o mal”. Se a criança irrita, e às vezes isso pode acontecer, o faz por algo que não tem a ver com você. Ela precisa tanto desenvolver a si mesma e a tantas habilidades dentro de si, que nem tempo tem de irritar você propositadamente. Procure realmente compreender seu filho, entender porque ele age como age e quais são as motivações subjacentes às suas atitudes. Compreender nos ajuda a ter paciência, e isto é especialmente importante para o bom desenvolvimento da criança.

6. Saiba ser gentil quando firme e firme quando gentil.
Em nossos artigos sobre autoridade, enfatizamos bastante que dar liberdade à criança não é permitir que faça o que quiser e quando quiser. A criança tem um guia interno para seu amadurecimento físico, mas precisa de sua ajuda para amadurecer psicológica e socialmente. É importante que você deixe claro, de forma gentil, quando está pedindo algo e quando está dando uma ordem. Pedidos podem ser recusados, ordens não. Ainda assim, é possível ser gentil, educado e falar em um volume aceitável. Gosto de pensar que temos de falar com as crianças pelo menos com a mesma educação que teríamos ao falar com um desconhecido em um restaurante de luxo. Pense em uma grande autoridade política ou religiosa se quiser, também serve. Cada criança é de fato pai ou mãe da humanidade inteira, e não podemos nos esquecer disso, mesmo quando estamos dando ordens.

7. Conheça a realidade profundamente.
Montessori dizia que “Não é suficiente ao professor amar a criança, é preciso antes amar e conhecer o universo”. Como adultos, temos maiores possibilidades de conhecer o mundo, enquanto a criança depende de nós para conhecê-lo. Precisamos ter um conhecimento aprofundado da realidade se quisermos levar este conhecimento à criança. O termo “conhecer” é usado repetidamente aqui de forma proposital. Conhecer é uma atividade, e depende da busca, da dúvida e da investigação. Acostume-se, aos poucos, a ler muito, observar a natureza, se interessar por diversos temas e, devagar, transmitir as maravilhas do conhecimento do mundo aos seus filhos de uma maneira informal e descontraída, com histórias e exemplos.

8. Espante-se com alguma coisa boa todos os dias.
O mundo tem belezas incríveis. Todos os dias, via Facebook, fico sabendo de algo fantástico que aconteceu em algum lugar, com alguém. O jornal também traz algumas notícias boas, enquanto que revistas e páginas científicas trazem novidades do mundo natural muitas vezes em uma linguagem bem acessível (a revista da FAPESP é fantástica neste sentido e tem uma edição online gratuita bem completa). Além disso, durante seu dia fique atento: um pássaro que você nunca tinha visto pode voar na sua frente, borboletas aparecem mesmo na cidade grande, o seu jardim pode ser casa de moluscos, insetos e plantas que você nunca havia notado. Maravilhar-se com o planeta é essencial para transmitir as maravilhas à criança.

9. Não busque brinquedos só na loja de brinquedos.
Esta dica nasceu da observação de salas montessorianas no Brasil e fora dele, somada à incrível experiência de conversar com famílias que adotaram Montessori em casa. As escolas e as famílias têm algo em comum: a criatividade ao desenvolver materiais incríveis com matérias-primas surpreendentes. Muitas das vezes, uma loja de cozinha, pro exemplo, tem potes, talheres e recipientes perfeitos para um material de verter líquidos, ou um tamanho de copos e pratos perfeito para seu filho. Em alguns outros casos, pode ser que uma loja de tecidos, ou mesmo cama, mesa e banho tenha uma variedade de tecidos incrível para uma atividade sensorial. Outras possibilidades estão em papelarias, mesmo as de bairro, que trazem várias cores e qualidades de papel, com texturas, além de várias tintas que permitem a criação de brincadeiras divertidíssimas. É claro que lojas de brinquedos até podem, de vez em quando, ter algo realmente bom. Mas é muito mais comum que coisas boas nasçam da união entre sua criatividade e os materiais de alta qualidade feitos para adultos.

10. Mantenha um diário que seja diário.
Conheço muitas famílias que têm seu livro do bebê, e algumas conquistas muito importantes são registradas nele: o primeiro corte de cabelo, o primeiro sorriso, a primeira palavra e o primeiro passo. Mas esquecemos de anotar em algum lugar quando foi o segundo passo, e como ele melhorou em relação ao primeiro. Não colocamos em lugar nenhum o que foi que fizemos e que ajudou a criança acaminhar melhor da segunda vez, ou se foi só ela que se desenvolveu mais um pouquinho. Manter um registro constante, embora leve e descontraído, de como a criança vem se desenvolvendo pode ajudar muito a pensar em interesses que ela possa ter, em passeios, presentes, em o que podemos fazer como familiares para que a vida da criança seja mais agradável e seu tempo melhor empregado. Esse diário pode ser mais direto, se você for mais metódico e tiver menos tempo, ou pode chegar a ser um scrapbook virtual, cheio de fotografias, vídeos e histórias divertidas.

11. Conte histórias.
Contar histórias é fundamental por mais de um motivo: primeiro, ajuda a criança a compreender diversos sentimentos, como medo e tristeza, sem que seja necessário passar por situações tão extremas quanto aquelas retratadas nos contos. Segundo, o conto narrado auxilia na construção do pensamento linear e na percepção de causa e consequência. Ainda seria possível considerarmos, se a história contada for lida de algum lugar, que a narração interessante a partir de uma fonte escrita é um excelente estímulo à leitura. Neste último caso, no entanto, ler para ou com a criança não basta. É necessário também ler para si mesmo na frente da criança, para que ela possa ver que a leitura é uma atividade interessante para aqueles que ela tem como exemplos maiores e que a acompanham o tempo todo, satisfazendo suas necessidades básicas e dando-lhe atenção e amor.

12. Conheça muito bem a escola de seus filhos.
Por mais tempo que os pais reservem a seus filhos, o período que a criança passará na escola será sempre considerável. Se a escola for de orientação montessoriana, peça para realizar observações em sala de aula, ao longo do ano e depois dos primeiros três meses de aula. Converse com a direção, coordenação, e com os professores de seu filho. Eles ficam felizes de falar com os pais. Deixo uma dica preciosa: nós, dentro da escola, queremos o melhor para o seu filho, exatamente como você. Divida com os professores de seu filho o que você puder, e procure entender pontos de vista diferentes do seu. Ainda assim, faça visitas bastante frequentes e conheça documentos como o Plano Político Pedagógico da escola e declarações de missão e visão. Conhecer bem a escola das crianças é uma forma de saber onde e como seus filhos estão quando estão longe de você, assim como compreender melhor algumas coisas que podem, mesmo, ajudar você e sua família na criação dos seus filhos.

13. Informe seus amigos e familiares e os professores de seu filho.
Você conhece Montessori, e cada vez mais pessoas conhecem também. A blogosfera brasileira e o Facebook estão espalhando muito a filosofia e a prática montessorianas, especialmente no que diz respeito à sua aplicação em casa. Entretanto, muita gente, nas escolas e fora delas, não conhece aquilo que nós conhecemos e de que gostamos tanto. É nosso papel levar as pessoas a conhecerem mais, se nós gostamos. E o motivo é um só: por meio do conhecimento e da aplicação dos princípios montessorianos, o mundo se tornará um lugar melhor para os nossos pequenos se desenvolverem com mais liberdade e alegria. Espalhe livros, artigos e vídeos que tenham contribuído para você e que você acredite que possam contribuir para a educação dos seus filhos e de tantas outras crianças.


21 comentários sobre “13 Dicas para Famílias Montessorianas em 2013

  1. Já visitei o blog muitas vezes e li sobre muitos assuntos. Estou “encantada” pelo método montessoriano. E quero aplicar em casa, começando do quarto do meu filho que está com 1 ano e 1 mês. Estou buscando informações porque como você disse muitas pessoas não conhecem, o meu marido tá nesse meio e me enche de perguntas do tipo: se por o colchão no chão e entrar bicho? E o mosquiteiro? Aqui tem muitos pernilongos? Ele não vai levantar no meio da noite? E por aí vai…

    Entrei no grupo do face e tô lendo alguns depoimentos pra falar com ele. Eu quero muito aplicar tudo isso aí que você disse, rs, acho que tô precisando de “coragem” pra por a mão na massa.

    Abraços!

    http://www.deinhabarbosa.blogspot.com.br

    1. Hahahaha, seu marido tem dúvidas extremamente válidas! Mas vá lá ao grupo e converse com outras mães que passaram pelos mesmos questionamentos! Tudo tem resposta e tudo tem jeito. No fim, tenho certeza de que você e seu marido chegarão a um excelente acordo!
      Sugiro a leitura do “Manual do Proprietário de uma Criança Montessori” para vocês! É um texto muito gostoso e muito válido que cobre diversos temas da criação montessoriana!
      Abraços!

  2. Fiquei sabendo do método Mntessori através de blogs. Confesso que não sei quase nada, nem por onde começar. Tenho m bebe de10 meses… Acho que vou começar mudando o quartinho dele 🙂

    Estou devorando o site para entender melhor!
    Obrigada por sua disposição em nos explicar tudo.

    Abraços!

    1. Benda, seja bem vinda! Por favor, volte para dar notícias de como as coisas caminham conforme vocês se adaptam e adaptam a casa a estas novas descobertas!
      Fico muito contente que o Lar esteja ajudando. Cada família que conversa comigo me faz ter mais vontade de escrever!
      Abraços!

  3. Me interessei também, e assim como a Brenda tento reunir argumentos pra explicar ao papai… Nosso principal objetivo é estimular a independência e a linguagem do Bruno, nosso pequeno de 2 anos. Ele tem síndrome de down, tem um blog, e uma irmã maravilhosa! Obrigada pelas dicas.

  4. Esse blog é muito estimulante, o método Montessori vai de encontro com meu modo de ver a vida, mas os textos do blog me fazem pensar em coisas que não tinha pensado antes, em analisar td por outro ângulo, literalmente rs
    Obrigada pelo compartilhamento de informações!

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