Cinco Formas de Ser Mãe

É dia das mães, e o Lar Montessori decidiu escrever sobre o que é ser mãe. Nós não conseguimos compor um texto coeso e fluido sobre isso, então decidimos tomar alguns conceitos que permeiam a obra e a prática de Montessori para construir algumas reflexões. Assim, chegamos a cinco formas de ser mãe.

 

1. Mãe é aquela que dá à Luz

O primeiro possível ato de ser mãe é conceber. Gestar vem em seguida. Mas todo este caminho só se concretiza na maternidade reconhecida e aclamada quando, finalmente, o feto se transforma em criança, e vem à luz. Todo o trabalho necessário, até o parto, no entanto, já é trabalho materno. Este trabalho, para ser perfeito, exige da mãe esforços específicos e variados: é necessário preparar bem o ambiente da criança, descansando o suficiente, mantendo um humor positivo, conversando e transmitindo carinho ao bebê. É importante nutrir a criança em gestação comendo alimentos adequados e evitando substâncias que possam fazer mal ao pequeno bebê ainda não nascido. Por todo este trabalho, esforço e amor desenvolvido durante a gestação, a mulher que pari já é mãe. Ela já criou a criança por nove meses, antes que a criança existisse no mundo extra uterino. Parabéns, a você, que deu à luz!

 

2. Mãe é aquela que alimenta

É interessante que em sua etimologia, a palavra aluno signifique aquele que é alimentado. De certa maneira, todas as crianças são um pouco alunas de suas mães. Desde o cordão umbilical, até o leite materno, e até as papinhas e os primeiros alimentos sólidos, a mãe é aquela que alimenta. Outros alimentos menos materiais também vêm da mãe: palavras de amor, carinho e sossego, lições sobre o mundo e as formas de agir nele, instrução, as primeiras aulas e os infinitos abraços e beijos, são todos alimentos para o que se queira chamar de emocionalalmapsicológico ou interior. Há na criança muito mais para alimentar além do corpo físico, e às mães que alimentam a criança inteira, parabéns!

 

3. Mãe é aquela que prepara

Primeiro, a mãe se prepara. Ela faz seus exames pré-natais, lê, estuda, conversa, pede dicas e informações, troca ansiedades com outras gestantes e descobre, pouco a pouco, o novo mundo da maternidade. Depois, prepara o parto da criança, segundo suas concepções de maternidade, e escolhe entre partos naturais, mais ou menos assistidos, em hospitais ou em casa. De alguma maneira, e segundo preocupações específicas, prepara as boas vindas ao seu filho. Logo, prepara também o ambiente onde o filho viverá: aprende como deve construir seu quarto, adapta toda a casa, escolhe cores, móveis e materiais, brinquedos, estímulos diversos, livros, roupas, trabalha para que o ambiente onde a vida da criança se desenvolverá seja o mais perfeito possível. A criança se desenvolve na interação com seu ambiente, e a todas as mães que prezam a preparação de si e do ambiente da criança, nossos parabéns!

 

4. Mãe é aquela que respeita

A criança é diferente de nós, em tamanho, em necessidades, em sua forma de ver o mundo e em sua sede de atividade e independência. A mãe compreende estas diferenças e as respeita. Ela percebe que é necessário ser um exemplo, e busca agir com perfeição e de acordo com aquilo que diz. A mãe reconhece a necessidade de silêncio e solidão da criança e prepara o ambiente como forma de demonstrar seu respeito e seu amor. Ela respeita as fases de desenvolvimento da criança e as características, às vezes desconfortáveis, de cada um destes momentos. Ela vê a criança pela perspectiva correta e a percebe em toda sua magnitude e importância, a enxerga como construtora da humanidade e como portadora de esperanças e promessas. Parabéns a todas as mães que respeitam como forma de demonstrar seu amor!

 

5. Mãe é aquela que ajuda a vida

Este é o aspecto mais sublime da maternidade. Dar a vida é natural, e só depende do tempo. Alimentar é também natural, e embora dependa de amor, ocorre sempre. O preparo é comum, e o respeito é ao menos um vontade de todas as mães. No entanto, ainda precisa aumentar a quantidade de crianças cujas mães lhes ajudam a vida. Isto é raro e difícil, exige estudo aprofundado, observação contínua, mudança de hábitos, vontades, personalidade e compreensão de mundo. Exige inversões de valores e aprofundamento teórico e prático. Exige a apreensão da natureza da criança para ajudá-la em sua libertação e em suas conquistas de independência. A estas mães, que dedicam-se imensamente a seus filhos, na tentativa de permitir que se desenvolvam plenamente e superem todos os desafios por meio do desabrochar perfeito de sua natureza, o Lar Montessori deseja os parabéns e pede: contaminem mais, polinizem mais, espalhem, criem, contem e comuniquem mais, para que cresça dia a dia o número de mães que ajudam a vida.

 

Aqui, quero aproveitar para agradecer e parabenizar minha mãe. Que deu à luz, alimentou, preparou, respeitou e ajudou a vida de dois filhos. Mãe, muito obrigado!

 

Com todo o carinho, respeito e reverência,

Lar Montessori


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