Oito Atitudes para Viver Montessori em Casa, Hoje

A obra de Maria Montessori é extensa, e sua perspectiva sobre a infância e a educação é profunda e vasta. Quando começamos a estudar, parece que não acabaremos nunca, e temos a sensação de que todos aqueles “milagres” são inatingíveis na nossa casa, na nossa família, com os nossos filhos. Eu quero sugerir que nós deixemos de lado os milagres por um tempo, e vejamos quais as atitudes que podemos ter agora, para tornar a vida de nossa família e de nossas crianças muito melhor, vivendo Montessori em casa.

1. Conversar de verdade – nós desprezamos a importância de uma boa conversa. Em um mundo de mensagens curtas e de interrupção, é fácil deixar que a distração e o stress vençam, e não conversar com as crianças. De fato, a maior parte dos diálogos entre pais e filhos é composto por ordens (“vem aqui”, “come!”, “desce”) e negações (“não faz isso”, “não pega nisso”, “não corre”). Precisamos aprender a escutar nossos filhos de novo, ouvir o que eles têm a dizer sobre a vida, o mundo, o dia. E precisamos reencontrar o prazer de falar com eles, também.

2. Preparar um ambiente com o que você já tem em casa – uma das bases de Montessori é o ambiente preparado. E você pode ter uma cama-casinha e um papel de parede de triângulos e bolinhas, e uma torre do ajudante. Mas nada disso garante Montessori em casa. O que garante mesmo é você olhar para o que você já tem em casa, e adequar para tornar acessível e amigável para seu filho. Sai o berço, o estrado vai para o chão com o colchão. As roupas mais comuns descem para a criança poder escolher, e as que ela não pode escolher sobem, ficam na altura do adulto. Na cozinha, uma vasilha com pedaços de frutas ou biscoitos fica à disposição do seu filho, na altura dele. Uma jarrinha ou garrafinha de água também. Aos poucos, você adapta a casa toda. Hoje, você começa com o que você tem à mão.

3. Esperar em silêncio – a criança tem uma vida interior riquíssima, e se esforça todos os dias para conquistar novas habilidades e novos patamares de independência, física ou intelectual. É assim, aprendendo e desenvolvendo-se, que a criança constrói o ser humano. Nós não enxergamos todo esse trabalho, que ocorre dentro da criança, e não percebemos a importância daquilo que ela faz todos os dias: brincar com a água, vestir e despir as roupas vezes seguidas, correr sempre que pode… E nós interrompemos, ajudamos, impedimos que a criança faça sozinha. Montessori nos sugeria a posição de um espectador interessado, no máximo. Testemunhando a construção do ser humano, sem interromper a criança em nada que pareça importante para ela, e que de alguma maneira a conduza à concentração.

4. Ajudar menos para ajudar mais – quando a criança se esforça para fazer alguma coisa, por exemplo fechando o zíper de um casaco, há duas coisas acontecendo. Por fora, ela está tentando fechar o zíper do casaco. Por dentro, desenvolve coordenação motora fina, resistência à frustração, percepção da sua curva de aprendizado, satisfação pela conquista… Quando nós fechamos o zíper para ela, ajudamos com a parte de fora, mas colocamos um enorme obstáculo para tudo que acontecia do lado de dentro da criança. Por isso, nunca devemos ajudar as crianças naquilo que elas estão empenhadas em fazer sozinhas. Assim, ajudando menos do lado de fora, nós ajudamos mais tudo o que se desenvolve do lado de dentro de nossos filhos.

5. Descobrir qual o Período Sensível que seu filho está vivendo agora – Maria Montessori fez várias descobertas sobre o desenvolvimento da criança, e entendeu que ao longo dos anos, a criança fica mais sensível a um tipo de estímulo, e menos sensível a outros. Mais apta e disposta a algumas formas de esforço, e menos a outras. Quando uma criança pode aproveitar um período sensível, desenvolve-se muito melhor, tem mais prazer em seus esforços e fica emocionalmente estável. O oposto é verdadeiro também: se ela é impedida de usufruir dos períodos sensíveis, seu desenvolvimento exige muito mais esforço e ela demonstra sinais emocionais de insatisfação diante da vida. O desenvolvimento em si ainda ocorre, mas é muito mais difícil e menos agradável. Leia sobre os períodos sensíveis e descubra qual o seu filho está atravessando, para oferecer a ele o suporte necessário.

6. Demonstrar como se faz as coisas – em Montessori dizemos que as crianças aprendem sozinhas. Mas isso não quer dizer que elas aprendam sem referências. A criança aprende a andar pelos seus próprios esforços, mas só porque há outras pessoas andando à sua volta o tempo todo. Para cada novo aprendizado, ajuda muito se a criança puder ver uma demonstração de como fazer as coisas. Desde abrir gavetas até lavar as mãos. Desde descascar bananas até colocar as meias. Para isso, três regras básicas: (1) apresente excessivamente devagar; (2) faça uma pausa de uma fração de segundo entre um gesto e o gesto seguinte de sua demonstração; (3) apresente em silêncio ou falando só palavras-chave. Veja mais orientações aqui.

7. Elogiar e corrigir menos – reagimos rapidamente a tudo que a criança faz. Se ela acerta, parabenizamos, fazemos festa, elogiamos. Se erra, prontamente corrigimos, ajudamos ou a conduzimos na direção correta. Montessori sugere que não façamos nem um, nem outro. Podemos permitir que a criança aja com liberdade. Quando acerta, não precisamos impor nosso julgamento, por mais positivo que seja. Podemos permanecer em silêncio e só reagir à alegria que a criança manifestar. Se ela olha para nós, sorrindo, podemos sorrir também. Se ela vem abraçar, abraçamos. Não precisamos elogiar sempre. Da mesma maneira, quando a criança erra, podemos permitir que ela perceba o erro. Se ela causa algum dano ou prejudica alguém, nós interferimos. Mas se erra no caminho do aprendizado, permitimos que ela continue aprendendo, esforçando-se e descobrindo.

8. Observar as crianças – cada uma das sugestões acima só vai funcionar se você conhecer seu filho. Pouca gente conhece. Quase ninguém olha para a criança. Tire cinco, dez minutos por dia. Respire quatro ou cinco vezes. Sente. Olhe. Anote o que vir. Faça isso por trinta dias. Depois compare o que você sabia sobre seu filho, como você o via, com como o vê agora. Tudo vai se encaixar melhor quando você começar a observar sua criança diariamente.

Montessori é um território vasto. Quanto mais sabemos e fazemos, melhor fica a vida de nossas crianças. Com esses oito passos (que você pode começar a dar hoje mesmo), a vida de sua criança já vai ser transformada profundamente, e a sua também. Eu quero muito que você volte aqui para contar o que aconteceu quando você começou a implementar esses caminhos na sua vida com seus filhos.


Se você quiser, existe mais um passo que você pode dar. Eu acredito que é possível viver em paz com crianças. Criei um curso para famílias que também acreditam nisso. Veja o que alguns alunos comentaram:

Me encheu de esperança em alcançar a paz com meus filhos e outras crianças.

Cristina Tavares, mãe

O Curso é excelente e bem eficaz. Estou muito feliz em fazê-lo porque está esclarecendo todas as dúvidas que eu tinha sobre a relação adulto e criança.

Liliane Araújo, mãe

Há 5 dias eu comprei o curso e assisti tudo. Fiquei tão maravilhado com o conteúdo e com seu amor em passar o que aprendeu… E só tenho a agradecer. A mudança é real.

Alan, pai

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Escrito por gabrielmsalomao

"A preparação que nosso método exige do professor é o auto-exame, a renúncia à tirania. Deve expelir do coração a ira e o orgulho, deve saber humilhar-se e revestir-se de caridade. Estas são as disposições que seu espírito deve adquirir, a base da balança, o indispensável ponto de apoio para seu equilíbrio. Nisso consiste a preparação interior, o ponto de partida e a meta." Maria Montessori, em A Criança

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