Por meio de suas longas observações, Montessori percebeu que a criança passava por diversos períodos sensíveis. De zero a seis anos, a criança está numa fase de intensa absorção de seu ambiente e ao mesmo tempo se trata de um período durante o qual os sentidos estão à flor da pele, buscando serem educados. Os materiais Montessori para primeira infância trabalham justamente com a ideia de educação sensorial, assim, há séries de materiais que educam os olhos para a discriminação minuciosa de cores e tons, para a identificação de formas geométricas mais e menos semelhantes, para texturas, pesos e tamanhos com gradações de variação, do óbvio ao quase imperceptível.
Estar “educado” aos cinco anos não quer dizer, no entanto, que não se possa tirar prazer da arte antes disso. Nas salas de aula Montessori, e na sua casa pode ser assim também, sempre há uma música tocando. Quase invariavelmente se trata de música clássica, pelo tipo de melodia que não atrapalha a concentração e auxilia a percepção musical da criança. As paredes são decoradas com quadros renomados, para que desde a primeira infância possa-se ter contato com as obras de arte fundamentais da civilização.
Se seu filho já aprendeu as cores, você pode perguntar que cores existem no quadro, e permitir que ele aponte onde está cada cor, mas nunca force sua atenção, faça tudo de forma que seu filho seja livre para demonstrar que não quer mais a qualquer momento. A arte deve ser algo agradavelmente absorvido e aprendido, e não uma sequência de lições forçadas que o façam saber todas as datas e os nomes, mas o façam desistir de visitar museus para sempre, sob a alegação de monotonia.
Ela percebeu, no entanto, que havia uma melhor desenvolvimento da habilidade manual da criança, e até uma preferência por parte dos pequenos, se inicialmente se permitisse o desenho livre por algum tempo, até serem inseridos os primeiros exercícios de desenho, baseados no contorno de formas geométricas em metal. Em seguida, se ensinaria a traçar linhas retas e a respeitar as bordas, para depois se ensinar a utilização de um mesmo lápis colorido para a produção de diferentes tons de cor e finalmente, depois de a mão se ver educada, se retornaria ao desenho, desta vez baseado em observação, um desenho que partisse da realidade.
Como sempre, se a criança demonstrar vontade de se desenvolver mais nas áreas ligadas à arte, esta liberdade lhe deve ser dada, e se deve perceber por observação o que é que ela busca, e auxiliá-la por meio de materiais e instrução. Caso seu filho demonstre que gosta de pinturas, procure mostrar a ele livros de mestres da pintura com diversas gravuras, e ensine um ou outro nome mais importante. Dê-lhe pequenas biografias de pintores para ler, para que se inspire, e se o interesse chegar a este ponto, procure um professor de desenho para crianças, que seja ao mesmo tempo libertário e rígido, para que seu filho possa seguir seus interesses e tendências pessoais, mas para que sua mente se sinte desafiada, e não somente propensa a criar rabiscos durante algumas horas todas as semanas.
Lembre-se, porém, que seu filho somente passará a cultivar o gosto pela alta arte a partir do momento em que tiver alguém em quem se espelhar. Ele passará muito tempo diante de um quadro se vir que há o que descobrir nele, e só verá isso se seus pais examinarem as obras com atenção e interesse verdadeiros. O mesmo se dará com a música. Pais que escutem música e conversem sobre tendem a cultivar o gosto e a educação musical nos filhos. Idas a museus não devem parecer nunca uma tarefa a cumprir, mas algo tão divertido quanto ir a um cinema ou um parque. Sendo a Literatura uma forma de arte, aproveito para ressaltar que o amor pela leitura tem a mesma fonte: não adianta ler para seu filho. Ele tem de ver que você lê para você também, por prazer e interesse, para que haja sentido ele o fazer sozinho, e não só em dupla com os pais e professores.
