Você está nervosa, nervoso, porque isso tudo é um assalto.
O tempo que te falta foi roubado. A atenção que você não tem mais foi roubada também. O amor dos amigos, a ancestralidade, o sonho.
Algumas pessoas tiraram isso de você para trocar por dinheiro.
Montessori dizia:
Outro dia, um jovem padeiro que trabalhava numa grande máquina de fazer pão, prendeu uma das mãos entre as engrenagens e estas agarraram depois todo o seu corpo e o mastigaram. Não é por ventura isto um símbolo das condições nas quais permanece esta humanidade inconsciente e vítima de seu destino? [Logo antes:] O proprietário é misterioso. O tirano é onipotente como um deus. É o ambiente que devora e tritura o homem
– Maria Montessori, em Formação do Homem
E é compreensível que o nosso desejo seja levantar contra isso, com placas, tochas, armas e gritos.
Foram exatamente essas as ferramentas usadas para construir esse estado de coisas:
Com placas, algumas pessoas cercaram a terra que era de todos e disseram: É Meu. Como uma criança que sofre e se agarra aos seus brinquedos porque não sabe que ainda pode brincar com eles, se forem de todos.
Com tochas, caçaram os que eram diferentes, e acreditavam em outras coisas. E, bom, com armas…
E com gritos os poderosos humilharam os oprimidos, por séculos e séculos.
Nós não mudaremos nada usando as ferramentas que nos trouxeram até aqui.
Nós precisamos do avesso: em vez dos gritos, um silêncio tão forte que troveje. No lugar das placas que excluem, braços abertos para agasalhar quem mais precisa. Em vez das armas, sementes. Em vez das tochas, aceitar a escuridão da incerteza: o futuro é incerto, e só por isso podemos ter tanta esperança.
A brutalidade de quem quer mais nos trouxe até este momento na história: em que quase tudo foi roubado.
Mas uma coisa não foi, e essa é a pista de nosso caminho.
No processo de ter mais, eles precisaram abrir mão de uma coisa, e essa é a fraqueza deles.
Nossa força está nisso:
Nós ainda temos a capacidade de perceber delicadezas.
Se vamos ter uma revolução, será a mais delicada.
A nova educação é uma revolução, mas não-violenta. É a revolução não-violenta. Depois dela, se tiver sucesso, será impossível haver uma revolução violenta.
– Maria Montessori, em A Mente da Criança
Um abraço grande,
Gabriel
