Desculpas são uma coisa engraçada. A palavra, em si, é interessante: des-culpa. É um pedido para que alguém tire de nós a nossa culpa. Para que não sejamos mais culpados. Ou para que possamos nos sentir inocentes de novo. É bonito, mas a gente sabe que não é sempre eficaz.
Quando erramos, podemos pedir desculpas por três motivos:
- Para deixar claro que nós entendemos que o erro foi nosso, e não do outro;
- Para demonstrar coragem, força e vulnerabilidade, ao mesmo tempo, reconhecendo o próprio erro e o desejo de fazer diferente, ou de parar de causar dano;
- Para aliviar a nossa consciência e nós conseguirmos lidar conosco mesmos com menos rigor.
Os dois primeiros casos são excelentes, o terceiro é egoísta. Vamos a alguns exemplos.
Exemplo 1 – O erro foi meu:
Se a criança está colocando os sapatos muito devagar, e eu perco a calma e grito com ela, é importante pedir desculpas. Ela estava colocando os sapatos, fui eu que gritei, o erro é meu. As desculpas são assim:
“Hoje mais cedo, você estava colocando os sapatos e eu gritei com você. Desculpe. Eu estava com pressa e fiquei ansioso. Mas isso não é motivo para gritar com você, eu sinto muito.”
Exemplo 2 – Coragem para mudar:
Diariamente ocorrem conflitos na hora do banho, até que eu aprendo um jeito novo de convidar a criança para o banho, e percebo que os conflitos ocorriam porque eu estava fazendo errado. Posso falar com a criança, e as desculpas são assim:
“Faz muitos dias que nós temos discussões na hora do banho. Peço desculpas. Eu não sabia que era importante você poder terminar o que estava fazendo antes, mas agora eu sei. A partir de hoje, vou te avisar um pouco antes, e vou evitar interromper o que você está fazendo.”
Exemplo 3 – Eu quero ficar bem sem mudar:
Aqui, temos duas situações interessantes. Uma é aquela em que eu peço desculpas todas as vezes que perco a calma com a criança, mas continuo perdendo a calma indefinidamente. Se eu não vou mudar, não tenho direito de pedir desculpas pela mesma coisa. Pedir desculpas é só o primeiro passo, é a mudança depois dele que é realmente importante.
Na segunda situação, usamos o pedido de desculpas para tirar a culpa de nossas costas e colocar nas costas da criança:
“Quero te pedir desculpas por gritar com você mais cedo. Você estava demorando muito, a gente ia chegar atrasado, e eu precisava te apressar. Você não me escutou, por isso eu gritei. Mas quero te pedir desculpas. Me escuta da primeira vez amanhã para eu não precisar gritar, pode ser?”
Se você sente que está na situação 1, ou na situação 2, vale a pena pedir desculpas. Se você sente que está na situação 3, guarde o seu pedido por enquanto, deixe que as suas emoções se acalmem de verdade, para que você perceba o seu erro, e peça desculpas quando você tiver o que mudar.
Nós temos só mais um recado sobre os erros do adulto esta semana, e talvez seja o mais importante de todos (sim, é por isso que ele ficou por último). Ele chega para você amanhã de manhã, pelo horário de Brasília. Até lá!

