Janaína tinha três anos e meia na altura dessa história. Ela tentava montar o Cubo do Trinômio. Se você não conhece o Cubo do Trinômio, aqui vai uma foto do cubo desmontado e montado:
São muitas peças, elas só podem ser montadas de um jeito, e se forem montadas do jeito errado, a caixa não fecha. Fazia mais de meia hora que a caixa de Janaína não fechava.
Nós ainda tínhamos esperança, ela estava melhorando, bem devagar.
Podia ser que conseguisse. Não era impossível.
Janaína continuou, por mais uns quinze minutos, uma pecinha, a outra, a próxima…
E aí, um pouco chateada, colocou a caixa desajeitada, mal-fechada e torta na estante.
Eu gostaria de te dizer que no dia seguinte, Janaína tentou de novo, e finalmente teve sucesso, e ficou muito feliz. Mas eu não estava na escola no dia seguinte, e nunca mais vi Janaína. [Mas vai até o final comigo, que tem esperança lá].
Às vezes, o seu maior esforço, o melhor que você pode fazer… ainda não é suficiente. Às vezes, mesmo dando tudo de si, não dá certo.
Eu não vi mais Janaína, mas eu observei crianças ao longo de minha vida o suficiente para saber que aconteceu uma de duas coisas:
- Ou Janaína tentou mais um pouco, e conseguiu…
- Ou decidiu que este não era um desafio para agora, e foi conquistar outra coisa.
De uma forma ou de outra, Janaína passou pelo ciclo de se dedicar ao máximo, se frustrar com o fracasso, e continuar com uma vida cheia de interesse, dedicando todo o seu esforço de novo. À mesma coisa, ou à próxima coisa importante.
Eu fico pensando nesse episódio como A Lição de Janaína… Nem sempre os esforços culminam no sucesso quando a gente quer. E a gente pode tentar de novo. E a gente pode focar em outra coisa. E nada disso é fracasso.
Fracasso é parar de se esforçar, e parar de se desenvolver. Não é?
Acho que é. Obrigado, Janaína.
Um abraço grande!
Gabriel
