Antes de começarmos, leia esta citação de Montessori:
A libertação de uma criança consiste em remover o máximo possível desses obstáculos por meio de um estudo próximo e completo das necessidades secretas da primeira infância, a fim de ajudá-la.
– em A Descoberta da Criança (grifo meu)
Veja que coisa. A libertação da criança, para Montessori, não consiste em dar algo a ela, mas em tirar alguma coisa.
Nós, adultos, quando pensamos na liberdade, pensamos logo em ter mais, fazer mais, poder mais.
Para a criança, por outro lado, a liberdade tem dois aspectos, e Montessori destaca os dois:
- Liberdade dos obstáculos que impedem seu desenvolvimento;
- Liberdade para satisfazer suas necessidades de desenvolvimento.
Se parecer que é uma coisa só, é porque você leu certo.
Para Montessori, a grande liberdade da criança é biológica: a liberdade para se desenvolver. A criança precisa ter essa liberdade porque só ela pode se desenvolver. O adulto não pode desenvolver a criança. A criança se desenvolve na sua relação com o mundo.
Há, dentro de cada criança, o desejo de se desenvolver. É graças a esse intenso desejo de desenvolvimento que crianças sobem e descem uma escada cinco vezes seguidas. Quando uma criança está aprendendo a andar e cai, é graças a esse desejo que ela se levanta quantas vezes forem necessárias.
Essa energia que vive dentro da criança e que a conduz ao desenvolvimento vai ajudar a criança a procurar, em cada momento de sua vida, aquilo de que precisa para se desenvolver: movimento, linguagem, estímulos sensoriais, repetição, música… a lista é longa.
É difícil adivinhar as necessidades da criança por ela. Só ela sabe do que precisa mais, e só ela pode desenvolver a si mesma.
A grande tarefa do adulto é permitir que isso ocorra. Preparar o ambiente com cuidado, colocar somente os limites necessários, e fazer silêncio para que a criança possa crescer.
O primeiro obstáculo? A nossa impaciência, é claro.
É o nosso tema de amanhã.
Um abraço grande,
Gabriel
