Nas coisas que fazemos com as nossas mãos está o segredo para nos sentirmos bem sobre nós mesmos. Essa era a aposta de Maria Montessori, que observou humanos em desenvolvimento por mais de cinquenta anos.
Veja o que ela dizia, exatamente:
Quando a mão se aperfeiçoa em um trabalho escolhido espontaneamente e a vontade de ter sucesso nasce junto com a vontade de superar dificuldades ou obstáculos; é então que surge algo diferente do aprendizado intelectual. A realização do próprio valor nasce na consciência.
– em Da Infância à Adolescência, grifo meu
É fácil notar isso nas crianças. Uma criança que passe horas livre para usar suas mãos, e tenha objetos ou atividades interessantes para fazer, se trona rapidamente tranquila, afável e gentil. Coloque a mesma criança, pelo mesmo tempo, na cadeirinha de um carro com um tablet, e saindo da cadeirinha ela estará irritada, chateada e frágil.
Quando um grupo de adolescentes descobre que consegue construir coisas de verdade – com ferramentas, coisas pesadas, e muito trabalho -, em pouco tempo o grupo ficará mais forte, as amizades mais profundas, e a autoconfiança de cada um aumentará.
Não tenha medo de permitir que as crianças e os adolescentes usem as mãos. Tenha um forro de plástico para colocar embaixo, se precisar proteger o chão. E tenha capas de chuva, se for o caso. E um sabonete, para depois.
Fique por perto, com um livro, se precisar, ou entre junto na atividade, sem nunca fazer nada por eles, nem facilitar o processo, nem ensinar demais.
Ficar perto é bom, interferir é ruim.
Cuidado com as fotos, elas atrapalham.
Seus alunos serão infinitamente mais fortes, seus filhos serão mais inteligentes. Todos serão mais calmos e felizes.
A atividade precisa ter um objetivo. Ele não é importante de verdade, o que importa é o processo. Mas as crianças só vão se envolver nisso tudo se o objetivo for claro. Encher um reservatório de água com um pequeno balde de cada vez é um objetivo, assim como fazer pão, costurar, plantar, amarrar alguma coisa, cortar, servir, pregar, trancar ou destrancar, pintar ou polir.
As ferramentas, os elementos para a atividade, precisam estar por perto e organizados.
Talvez você precise demonstrar uma vez ou duas, devagar.
Deixe-os errar e corrigir seus próprios erros.
Eles devem ajudar a arrumar. Tudo bem se no começo ajudarem pouco, e ajudarem mais com o tempo.
Depois, me conte como foi. Me faz muito feliz saber como foi.
Um abraço forte,
Gabriel
