O Jeito Certo de Errar com Nossos Filhos

É claro que nós erramos. E é claro que erramos muito mais do que achamos decente errar. Isso é verdade para você e para a(o) melhor mãe(pai) do mundo, que você acompanha no Instagram. Todo mundo sabe disso, menos você, e todas as outras mães e pais do mundo.

O ponto todo não é que não podemos errar. É que existe o jeito certo de errar.

Montessori sabia que o processo de se tornar um adulto preparado era árduo. Um adulto digno das crianças. Caminho difícil, longo, cheio de obstáculos e percalços. Ela reconhecia isso, tanto na pele, quanto testemunhando as centenas de pessoas que aprendiam com ela, e depois tentavam colocar tudo em prática. Ela via como a estrada do aprendizado era ladrilhada de erros.

Por isso, tomou essa matéria prima abundante e transformou em ferramenta para nossa evolução. Montessori escolheu os erros como principal suporte no desenvolvimento do adulto montessoriano.

Ela fala de tirania, raiva, paciência, humildade, caridade. Mas a única característica do adulto à qual ela dedica um capítulo inteiro de seu principal livro é o erro. Na obra Mente Absorvente, Montessori tem um capítulo profundo, chamado Os Erros e Suas Correções.

Nesse capítulo, Montessori deixa claro que o erro é um companheiro inseparável de quem tenta aprender. Ela começa olhando para a criança. A criança está aprendendo tudo. Então erra em tudo. Mas nós não corrigimos a criança nesse processo. E menos ainda, nós não diminuímos a criança pelos seus erros. Sabemos que são normais no processo de aprendizagem, e sabemos que “só erra quem faz”.

Mas é diferente quando é conosco. Por alguma razão, não temos a humildade recomendada por Montessori. Nós acreditamos, mesmo, que deveríamos ser perfeitos desde a primeira tentativa. E como não somos, nos frustramos o tempo todo.

Para Montessori, o erro é o que existe de comum entre todos os seres humanos que estão tentando ser melhores todos os dias. Um companheiro de caminhada.

Ela sugere que em vez de repudiar o erro, nós façamos as pazes com ele.

A cada vez que ele aparecer, ela indica, devemos olhar com atenção (eu adicionaria, com carinho) e compreender onde foi que ele surgiu. Quais as causas que o fizeram acontecer, como ele poderia ser evitado de uma próxima vez.

O erro, como qualquer bom amigo, nos indica onde podemos melhorar.

Uma Relação Amigável com o Erro

Se o erro nos indica onde melhorar, ele é nosso melhor aliado no caminho do aperfeiçoamento.

O erro só é ruim se queremos ser os únicos pais perfeitos do mundo.

Se queremos ser pais que estão continuamente melhorando, o erro é o único aliado com o qual podemos contar para sempre.

Por isso, ter medo do erro é bobagem.

Nós precisamos conhecer o erro.

Saber o que causou, quais as consequências imediatas, como prevenir. E colocar esse conhecimento em prática.

Da próxima vez, o erro vai aparecer com outra roupa, e talvez chegue mais tarde. Ele é um amigo que brinca de esconde-esconde e aparece de onde menos esperamos. Assim, nos ensina a reparar no que estava automático em nosso comportamento.

O jeito certo de errar é esse: considerar o erro um amigo, olhar para ele com atenção, compreendê-lo inteiramente e aprender a preveni-lo mais tarde. Sem isso, os erros são inúteis e desperdiçados. O erro não serve para nos encher de culpa e remorso. A utilidade dele é apontar o caminho da perfeição.

Se aceitarmos a estrada de erros, vamos, um a um, aprendendo a ser pais e mães melhores. Os erros são o recurso mais abundante que temos para melhorar com nossos filhos. Temos o dever de errar do melhor jeito possível.


Se você quiser entender melhor como você erra, e como acertar, continue conosco. Eu acredito que é possível viver muito melhor com crianças. Criei um curso para famílias que também acreditam nisso. Veja o que alguns alunos comentaram:

Me encheu de esperança em alcançar a paz com meus filhos e outras crianças.

Cristina Tavares, mãe

O Curso é excelente e bem eficaz. Estou muito feliz em fazê-lo porque está esclarecendo todas as dúvidas que eu tinha sobre a relação adulto e criança.

Liliane Araújo, mãe

Há 5 dias eu comprei o curso e assisti tudo. Fiquei tão maravilhado com o conteúdo e com seu amor em passar o que aprendeu… E só tenho a agradecer. A mudança é real.

Alan, pai
Preparação do Adulto, ,

Escrito por gabrielmsalomao

"A preparação que nosso método exige do professor é o auto-exame, a renúncia à tirania. Deve expelir do coração a ira e o orgulho, deve saber humilhar-se e revestir-se de caridade. Estas são as disposições que seu espírito deve adquirir, a base da balança, o indispensável ponto de apoio para seu equilíbrio. Nisso consiste a preparação interior, o ponto de partida e a meta." Maria Montessori, em A Criança

3 comentários

  1. Maravilhosa colocação. Eu me sinto muito melhor por conseguir identificar quando eu erro, por saber que errei e conseguir refletir só te como posso melhorar da próxima vez graças a Montessori.

  2. Lindo! Acho que estava mesmo precisando ler esse texto. Você tem sido uma grande inspiração em nossas vidas. Uma forma de nos aproximar dos ensinamentos que Maria Montessori nos deixou. É um tesouro tudo isso, é capaz de mudar a vida da criança e do adulto. Obrigada por facilitar nossa interpretação sobre o método Montessori. 🙂

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