Vamos respeitar os erros das crianças?

É claro que as crianças cometem erros. Como não? Todos nós cometemos, aos montes, às vezes um seguido do outro. Cometer erros não é o problema.

O problema todo é corrigir os erros. Perceber, entender, e corrigir.

Eu adoro fazer biscoitos. Às vezes dá errado. E tudo bem, tem fornada que se perde mesmo, especialmente quando eu experimento algo novo. Se eu perceber, entender e corrigir, os próximos ficam ainda mais gostosos.

O único jeito de não errar é ter medo demais, e desistir antes de tentar.

Crianças corajosas cometem erros. Crianças seguras cometem erros. Crianças incríveis cometem erros. Porque elas tentam.

E um erro é um professor severo e impiedoso. O adulto pode ser tranquilo, compassivo, paciente. O adulto preparado corrige com calma, reencaminha com amor, ensina com atenção.

O erro é pá-pum. Você não prestou atenção no copo por um instante, pá, caiu, pum, quebrou. Não tem compaixão, nem paciência. Já foi. Aprende.

E a criança aprende. A paciência e a compaixão que a criança precisa encontrar em nós, ela não precisa encontrar no ambiente. Esse imediatismo sem compaixão que os copos de vidro, as meias e os quebra-cabeças trazem é tão importante quanto a nossa tranquilidade.

Quando a criança erra, a gente não tenta impedir o erro de acontecer, nem diz que “não foi nada”. A gente não descarta o erro como desimportante e nem distrai a criança do erro com um bicho de pelúcia e um sorvete. A gente deixa essa relação acontecer.

O erro, professor severo, ensina. A criança, aprendiz dedicada, aprende.

E aí a gente não precisa gritar lá de longe: “Eu não falei?! Eu falei!!! Olha aí!!!”

Não precisa. O erro é um professor severo. E de professor severo, basta um. A gente só fica a uns passos de distância, deixando que ele ensine o que precisa ensinar.

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1 comentário

  1. É de suma importância todo esse aprendizado que temos por aqui. Por vezes, nos pegamos cometendo exatamente o que não se deve por questões de impulsão, pois fomos criados – na maioria das vezes – de maneira equivocada. Mas a voz que vem de dentro; essa voz que fala em nós depois de conhecermos Montessori, nos corrige. Este texto é como essa voz. Precisamos rever cada uma de nossas atitudes todos os dias.
    Obrigado pela grande contribuição na construção deste pensamento!

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