Tirar as crianças das telas é quase sempre muito difícil. Veja estes dois comentários em aulas do nosso Workshop Gratuito sobre Telas:
Não é exclusividade da Luiza e da Petra. A hora de desligar pode ser uma chateação. A dica que eu vou te dar aqui não vai mudar tudo. Mas ela vai mudar muito.
Ela só não vai mudar tudo porque para mudar tudo uma dica não é suficiente, a gente precisa mudar a relação inteira. (O segredo sempre está nas relações não é?)
Mas vamos lá… Aqui está a dica que vai mudar a reação das crianças na hora de desligar a tela:
Ofereça previsibilidade. (eu sei, falando assim fica difícil, mas continua comigo)
Quando estamos fazendo algo de que gostamos muito, e precisamos parar de repente, porque outra pessoa pediu, ficamos chateados. Nós somos adultos, e não falamos nada, resolvemos nossa chateação, e continuamos a vida.
A criança, assim como a gente, fica chateada. Mas diferente da gente, ela ainda não tem o autocontrole necessário para não dizer nada. Então ela explode ou se chateia muito.
O jeito de mudar isso é oferecer previsibilidade em três partes:
Parte 1: O uso da tela precisa ser regulado na rotina. É sempre um episódio, ou uma partida, ou dez minutos, ou trinta minutos. A regularidade aqui faz toda a diferença.
Parte 2: Antes de a criança começar a usar a tela, o combinado da rotina precisa ser repetido. Ela precisa ser gentilmente lembrada do tempo, ou do número de episódios ou partidas de jogo que vai jogar.
Parte 3: Para interromper o uso, faça o seguinte:
- Espere o momento adequado (o final de um episódio, ou uma pausa no episódio, um intervalo no jogo)
- Diga algo como: Filho, no final do próximo episódio (ou da próxima partida) vai ser hora de desligar, combinado?
- A reação da criança aqui vai te dizer se o aviso foi muito em cima da hora, ou se você interrompeu um momento crítico. Vale a pena tomar cuidado para não interromper as pessoas na hora errada quando elas estão fazendo coisas que gostam de fazer. É etiqueta.
- Quando estiver perto da hora de interromper o uso de verdade, passe lá, e dê um beijo na cabeça da criança, ou um cafuné rápido, e diga algo como: Ó, curte aí, e daqui a pouco eu venho para a gente terminar por hoje. Mas pode aproveitar até o final deste (episódio, partida).
- Na hora, chegue perto da criança sem medo, sem receio da reação dela, e avise: Filho, hora de desligar. Vamos lá!
- Não coloque depois da tela algo que a criança não goste de fazer. Depois de desligar, ela deve ter um tempo de descanso com algo que gosta.
A criança pode ficar chateada, este não é o problema. Ela não vai ficar muito chateada, nem vai ter crises emocionais sérias.
Agora vale dizer, tudo isso só funciona dentro do contexto de uma relação afetiva muito tranquila e gostosa. Se a questão não for a tela, mas for a relação com as crianças, nós precisamos de outra conversa que você pode ver aqui.
Isso é só um pedacinho da minha estrutura geral para transformar a relação das crianças com as telas. Ela é embasada em ciência séria, não só sobre telas, mas sobre desenvolvimento infantil, e como funcionam os sistemas de recompensa e de alerta no cérebro das crianças. Ela é um pedacinho pequenininho do curso sobre Telas na Infância e na Adolescência.
Faz meses que estou desenvolvendo o curso Telas na Infância e na Adolescência, porque acredito em uma relação diferente com as telas. Algo parecido com o que a Cecília escreveu neste comentário sobre o nosso workshop:
As inscrições para o nosso curso vão até terça-feira próxima, mas o desconto de inscrição acaba hoje. Se quiser aproveitar, clique no link abaixo:
https://larmontessori.com/
Até lá!
Gabriel
