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Períodos Sensíveis II – Mão e Movimento

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Antes de ler este texto, leia a Visão Geral sobre Períodos Sensíveis.
 
Mão e Movimento


Montessori disse que as mãos são os instrumentos da inteligência humana. Explicou também que é por meio das mãos que a mente humana se revela, e fez um apelo: Nunca dê à mente mais do que der à mão da criança. Se a pedagoga insistiu tanto na importância das mãos, este é um ponto cujo estudo nunca será demasiado. É por meio da utilização dos sentidos que o cérebro da criança se desenvolve, e a possibilidade de utilizar suas mãos desde muito cedo é decisiva para um desenvolvimento tranquilo. Em livros que tratam da adolescência e da formação do adulto, Montessori recupera ainda a importância das mãos e demonstra que foi por meio delas que a civilização se desenvolveu – ressalta a importância das mãos para a experimentação científica e para a prática da medicina, mas a menciona no desenvolvimento da arte, assim como na fabricação de bens de consumo e na agricultura. Mãos bem educadas, para Montessori, seriam portas e janelas para uma mente bem educada. Embora todo o movimento importe para o primeiro período sensível, e o movimento das pernas seja extremamente relevante, neste artigo focaremos as mãos, por tudo o que foi exposto acima. Posteriormente, o Lar abordará o tema do “Andar” em artigo específico.

Assim, devemos examinar a evolução da utilização das mãos desde a mais tenra idade, e percebemos que logo ao nascer a criança mexe seus braços. Ela ainda não é capaz de pegar, nem de utilizar seus movimentos para nenhum propósito específico, a não ser é claro aqueles que são instintivos e servem especialmente à alimentação. Os reflexos mais comuns às mãos das crianças muito pequenas são os de segurar aquilo que lhes toca. Quando colocamos nossos dedos em suas mãos, elas tentam segurá-los. Mas isso não é um movimento voluntário. Trata-se somente de um reflexo de desenvolvimento, que aos poucos se desenvolve para a tentativa de alcançar coisas. Neste momento do desenvolvimento, tudo que a criança consegue é sentir, e por isso propiciar-lhe texturas diferentes e temperaturas distintas para sentir pode ser interessante. É uma forma de explorar o mundo ainda sem ter nenhum controle sobre ele.

Rapidamente a criança passa do segurar involuntário para o alcançar voluntário, quando tenta, por exemplo, alcançar os objetos que pendem de um móbile ou busca pegar objetos que estão por perto, enquanto está sentada ou é segurada por um adulto. Aos três ou quatro meses a criança já é capaz de alcançar objetos próximos voluntariamente e neste período também aprende a segurá-los, embora sem muita firmeza. Nisso também não há outro propósito que não seja o desenvolvimento em si. A criança não deseja objetos específicos, nem os deseja por algum motivo especial. Trata-se somente da necessidade de “pegar”, e assim nos cabe prover objetos, belos ou naturais, se possível, para que a criança possa pegar.

Entre os cinco e os sete meses de idade a criança aprende a sentar, e assim consegue focar sua atenção em suas mãos, sem depender tanto de um adulto que a segure. Neste período, ela também se torna capaz de escolher o que pegará, agindo intencionalmente com suas mãos. Aqui, a Cesta dos Tesouros e as Caixas Sensoriais podem se fazer bastante interessantes. Os objetos providos podem ser os mais variados. Desde batatas até brinquedos com uma textura interessante.

Entre os seis e os oito meses acontece uma intensa evolução das possibilidades de utilização das mãos, e a criança consegue passar objetos de uma mão para outra, pegar-e-soltar coisas e mais para o final deste período, controlar seus dedos separadamente. Objetos menores, que possam ser completamente dominados por uma só mão, podem ser uma boa ideia. Há que se cuidar, no entanto, para que estes não sejam pequenos o suficiente para se engolir ou que, o sendo, não façam mal. Pode-se usar, de um lado, esferas ou formas tridimensionais geométricas (cubos, prismas, paralelepípedos), assim como bonecos ou brinquedos. De outro, há a chance de se dar comidas para pegar com a mão, como amoras, tomatinhos e morangos, ou esferas de batata, pera e maçã.

Aos nove ou dez meses, a criança consegue desenvolver o movimento de pinça. Aqui, objetos bem pequenos são interessantes, mesmo. Feijões, folhas, brinquedos menores, penas, formas geométricas pequenas, tudo o que for “micro” interessará à criança, já que ela está focando toda sua vontade em desenvolver a coordenação do polegar e do indicador. Veremos em artigo próximo que este período responde muito ao interesse da criança aos detalhes e objetos pequenos do mundo, como chaves, pedras e manchas na parede, assim como a seres minúsculos que o habitam, como formigas e mosquitos.

Logo depois, a criança se torna capaz de segurar objetos com os braços, e aí tudo o que for realmente grande passa a ser mais interessante. Almofadas e bolas, bonecos maiores, abraços. Tudo o que exigir os dois braços inteiros vai ser de preferência dos pequenos, e nós podemos provê-los com tudo isso usando somente aquilo que já temos em casa!

Dos dez meses até o primeiro ano de idade, movimentos precisos com as mãos se desenvolverão, seguidos pela utilização das duas mãos por um só objetivo. Primeiro, a criança terá prazer em utilizar as mãos para passar objetos de um recipiente para outro, para encher um pote ou copo com pequenos objetos, para tampar e destampar recipientes de tampas que se soltem fácil. Depois, usar as duas mãos para algo será divertido: abrir e fechar gavetas e transportar objetos maiores, por exemplo. Antes disso a criança já era capaz de usar suas mãos em conjunto, quando aos nove meses, mais ou menos, começou a segurar-se para andar. Mas agora utiliza as mãos por si mesmas, e não para auxiliar um outro objetivo maior.

Finalmente, a partir do primeiro ano de idade, a criança está pronta para utilizar suas mãos para o trabalho, com a finalidade não de desenvolver a elas mesmas, mas de utilizá-las para desenvolver sua inteligência, compreensão de mundo, apreensão da realidade e absorção do todo, de forma a obter cada vez maior controle e maior independência.

Períodos Sensíveis I – Visão Geral

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períodos sensíveis

 Maria Montessori foi a primeira pessoa a compreender integralmente o desenvolvimento da criança. Nesta busca, percebeu algumas características muito peculiares aos seis primeiros anos de vida. Entre os pontos mais importantes estavam os períodos sensíveis, uma sequência de despertares da consciência da criança para o mundo que a rodeia. Esta sequência não é feita de acasos, mas é organizada biologicamente para o desenvolvimento ideal do ser humano.

Por meio de observações, Montessori descobriu os períodos sensíveis típicos de cada idade da criança, e percebeu que eles são bastante regulares em todos os lugares do mundo, sem que haja influência de culturas ou hábitos familiares na ocorrência destes períodos, mas somente sobre o perfeito desabrochar de cada um deles.

Os períodos sensíveis precisam ser trabalhados nas épocas em que aparecem. A exploração daquilo que chama a atenção da criança em um determinado período tem importância ímpar para seu desenvolvimento, e não é possível recuperar o desenvolvimento que se realizaria em um período depois que ele passou, embora o aprendizado objetivo, em si, possa ser desenvolvido por pressão externa ou força de vontade interna da criança.

Um ponto que vale ser ressaltado neste sentido é que a criança fará tudo o que estiver ao seu alcance para se desenvolver plenamente, e nos basta ajudar muito bem. Quando a criança busca realizar algo em prol de seu desenvolvimento e é impedida, ou não é ajudada, irrita-se em sua impotência e, diante de suas poucas possibilidades, chora, esperneia, faz “escândalos”. Estes escândalos, que nós costumamos interpretar como caprichos ou manifestações de fraqueza de caráter, são em diversos momentos apelos desesperados pelo nosso auxílio. Por isso, é importante conhecer o desenvolvimento da criança a fundo e compreender seus períodos sensíveis.

Aparentemente, não existe uma ordem na sequência de períodos, e para nós eles podem parecer um tanto quanto caóticos. Entretanto, observando as crianças, percebemos com facilidade que o bom desenvolvimento de um dos períodos é essencial para o desenvolvimento perfeito de alguns outros. Isto é bastante óbvio quando pensamos nos movimentos e na linguagem, mas pode parecer nebuloso quando o tema é “música e ritmo” ou “graça e cortesia”. Nós veremos, porém, que tudo tem seu motivo e pode ser compreendido dentro do conjunto maior do desenvolvimento da criança, na direção da conquista de sua independência.

Nesta série de artigos, faremos um revisão breve sobre cada um dos períodos sensíveis. Alguns, como o movimento e a linguagem, receberão atenção especial, tendo um artigo só para si. Outros serão abordados em conjunto dentro de um só artigo. Nossa intenção é desenvolver artigos sobre este tema até a metade de junho, explorando com cuidado e atenção todos os pontos importantes do desenvolvimento da criança. Esperamos seus comentários, sugestões e contribuições a esta série, e seus depoimentos são sempre bem vindos. Hoje, logo depois deste artigo, publicaremos o que trata do “Movimento”. Boa leitura!

Cinco Formas de Ser Mãe

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É dia das mães, e o Lar Montessori decidiu escrever sobre o que é ser mãe. Nós não conseguimos compor um texto coeso e fluido sobre isso, então decidimos tomar alguns conceitos que permeiam a obra e a prática de Montessori para construir algumas reflexões. Assim, chegamos a cinco formas de ser mãe.

 

1. Mãe é aquela que dá à Luz

O primeiro possível ato de ser mãe é conceber. Gestar vem em seguida. Mas todo este caminho só se concretiza na maternidade reconhecida e aclamada quando, finalmente, o feto se transforma em criança, e vem à luz. Todo o trabalho necessário, até o parto, no entanto, já é trabalho materno. Este trabalho, para ser perfeito, exige da mãe esforços específicos e variados: é necessário preparar bem o ambiente da criança, descansando o suficiente, mantendo um humor positivo, conversando e transmitindo carinho ao bebê. É importante nutrir a criança em gestação comendo alimentos adequados e evitando substâncias que possam fazer mal ao pequeno bebê ainda não nascido. Por todo este trabalho, esforço e amor desenvolvido durante a gestação, a mulher que pari já é mãe. Ela já criou a criança por nove meses, antes que a criança existisse no mundo extra uterino. Parabéns, a você, que deu à luz!

 

2. Mãe é aquela que alimenta

É interessante que em sua etimologia, a palavra aluno signifique aquele que é alimentado. De certa maneira, todas as crianças são um pouco alunas de suas mães. Desde o cordão umbilical, até o leite materno, e até as papinhas e os primeiros alimentos sólidos, a mãe é aquela que alimenta. Outros alimentos menos materiais também vêm da mãe: palavras de amor, carinho e sossego, lições sobre o mundo e as formas de agir nele, instrução, as primeiras aulas e os infinitos abraços e beijos, são todos alimentos para o que se queira chamar de emocionalalmapsicológico ou interior. Há na criança muito mais para alimentar além do corpo físico, e às mães que alimentam a criança inteira, parabéns!

 

3. Mãe é aquela que prepara

Primeiro, a mãe se prepara. Ela faz seus exames pré-natais, lê, estuda, conversa, pede dicas e informações, troca ansiedades com outras gestantes e descobre, pouco a pouco, o novo mundo da maternidade. Depois, prepara o parto da criança, segundo suas concepções de maternidade, e escolhe entre partos naturais, mais ou menos assistidos, em hospitais ou em casa. De alguma maneira, e segundo preocupações específicas, prepara as boas vindas ao seu filho. Logo, prepara também o ambiente onde o filho viverá: aprende como deve construir seu quarto, adapta toda a casa, escolhe cores, móveis e materiais, brinquedos, estímulos diversos, livros, roupas, trabalha para que o ambiente onde a vida da criança se desenvolverá seja o mais perfeito possível. A criança se desenvolve na interação com seu ambiente, e a todas as mães que prezam a preparação de si e do ambiente da criança, nossos parabéns!

 

4. Mãe é aquela que respeita

A criança é diferente de nós, em tamanho, em necessidades, em sua forma de ver o mundo e em sua sede de atividade e independência. A mãe compreende estas diferenças e as respeita. Ela percebe que é necessário ser um exemplo, e busca agir com perfeição e de acordo com aquilo que diz. A mãe reconhece a necessidade de silêncio e solidão da criança e prepara o ambiente como forma de demonstrar seu respeito e seu amor. Ela respeita as fases de desenvolvimento da criança e as características, às vezes desconfortáveis, de cada um destes momentos. Ela vê a criança pela perspectiva correta e a percebe em toda sua magnitude e importância, a enxerga como construtora da humanidade e como portadora de esperanças e promessas. Parabéns a todas as mães que respeitam como forma de demonstrar seu amor!

 

5. Mãe é aquela que ajuda a vida

Este é o aspecto mais sublime da maternidade. Dar a vida é natural, e só depende do tempo. Alimentar é também natural, e embora dependa de amor, ocorre sempre. O preparo é comum, e o respeito é ao menos um vontade de todas as mães. No entanto, ainda precisa aumentar a quantidade de crianças cujas mães lhes ajudam a vida. Isto é raro e difícil, exige estudo aprofundado, observação contínua, mudança de hábitos, vontades, personalidade e compreensão de mundo. Exige inversões de valores e aprofundamento teórico e prático. Exige a apreensão da natureza da criança para ajudá-la em sua libertação e em suas conquistas de independência. A estas mães, que dedicam-se imensamente a seus filhos, na tentativa de permitir que se desenvolvam plenamente e superem todos os desafios por meio do desabrochar perfeito de sua natureza, o Lar Montessori deseja os parabéns e pede: contaminem mais, polinizem mais, espalhem, criem, contem e comuniquem mais, para que cresça dia a dia o número de mães que ajudam a vida.

 

Aqui, quero aproveitar para agradecer e parabenizar minha mãe. Que deu à luz, alimentou, preparou, respeitou e ajudou a vida de dois filhos. Mãe, muito obrigado!

 

Com todo o carinho, respeito e reverência,

Lar Montessori

Os Dez Princípios do Educador Montessoriano

Por Maria Montessori


1 – Nunca toque a criança, a menos que seja convidado por ela de alguma maneira.


2 – Nunca fale mal da criança em sua presença ou ausência.


3 – Concentre-se em fortalecer e ajudar o desenvolvimento daquilo que é bom na criança, para que sua presença deixe cada vez menos espaço para o que é ruim.


4 – Seja ativo na preparação do ambiente. Tome cuidado constante e seja meticuloso com ele. Ajude a criança a estabelecer relações construtivas com ele. Mostre o local adequado onde são guardados os meios de desenvolvimento e demonstre seu uso apropriado.


5 – Esteja sempre pronto a responder à criança que precisa de você e sempre escute e responda à criança que a você recorre.


6 – Respeite a criança que comete um erro e pode corrigir-se mais tarde, mas impeça com firmeza e imediatismo todas as más utilizações do ambiente e qualquer ação que coloque a criança em risco, assim como seu desenvolvimento ou os dos outros.


7 – Respeite a criança que descansa, assiste ao trabalho dos outros ou pondera sobre o que ela mesma fez ou fará. Não a chame, nem a force a outras formas de atividade.


8 – Ajude aqueles que estão à procura de atividade e não conseguem encontrar.


9 – Seja incansável na repetição das apresentações para a criança que as recusou antes, ajudando a criança a adquirir o que ainda não possui e a superar imperfeições. Faça-o avivando o ambiente com cuidado, limites e silêncio, com palavras suaves e presença amável. Faça com que a criança que busca possa sentir sua presença, e esconda-se da criança que já encontrou o que buscava.


10 – Sempre trate a criança com a melhor das boas maneiras, oferecendo o melhor que houver em você e à sua disposição.



Você pode consultar a versão disponível em inglês na página da Association Montessori Internationale

Objetos Montessorianos: Brinquedo e Material

Crescemos com brinquedos. Nossos maiores objetos de desejo quando éramos menores foram brinquedos. Desejamos o carrinho, a bola, a boneca, o videogame, o trenzinho, o autorama, o cavalo de pau, e depois os minigames e videogames portáteis. Nos desenvolvemos acreditando que os brinquedos eram a graça da infância. Por isso, somos adultos que acreditamos nisso. Nós temos certeza de que os brinquedos alegram a criança e dão a ela motivos para sorrir. Somos adultos que vêem na brincadeira o verdadeiro objetivo de vida da criança. Nós achamos isso porque nossas crianças riem quando brincam, e nós amamos seus sorrisos. E ainda assim, em tanto amor e tanta alegria, estamos redondamente enganados.

A criança deseja conhecer, explorar e descobrir o mundo. Deseja ser independente e livre, e busca de todos os modos acessar o mundo do adulto, que é o universo que ela tem por modelo. Assim, tenta copiar seus pais em tudo o que fazem: o computador, o carro, o fogão. Nós, percebendo esta vontade da criança, buscamos satisfazer seu desejo lhe dando computadores de mentira, carros de plástico e fogões sem fogo. É uma boa ação, que fazemos com amor, e que a criança aceita de bom grado, porque é o máximo que poderá ter. Mas perto do mundo real, perto do que há de incrível na realidade, o brinquedo é quase uma troça com a vontade da criança de conquistar sua independência.

Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, brinquedo é “passatempo, distração, coisa que não é séria, coisa fácil de fazer”. As conquistas da criança são difíceis, exigem esforço, trabalho, empenho e dedicação. O aprendizado da fala, do caminhar, e da execução de tarefas do dia a dia, como vestir, limpar, lavar, secar, cortar, comer, pegar, desenhar, abrir, fechar e guardar, exige uma incessante busca e repetidas tentativas por parte dos pequenos, e não se tratam, portanto, de brincadeiras, de passatempos, ou de coisas fáceis de fazer. Acima de tudo, são, para a criança, esforços e trabalhos sérios.

Montessori, quando inaugurou sua primeira sala em San Lorenzo, também achou que as crianças poderiam gostar de brinquedos, e tentou utilizá-los. No entanto, esta sala era equipada com materiais montessorianos e itens do mundo real à disposição dos pequenos. Então, nenhuma criança utilizou os brinquedos que Maria Montessori disponibilizou. Uma professora montessoriana dos Estados Unidos, Paula Polk Lillard, escreve um excelente livro, que consiste no diário que fez durante um ano sobre sua atividade em sala de aula. Neste diário conta que no início do ano utiliza uma caixa de brinquedos para que as crianças achem a escoala semelhante à sua casa, mas que uma semana depois os brinquedos são retirados, e as crianças, já atentas aos materiais presentes na sala, sequer percebem a ausência do caixote.

O brinquedo é despretencioso, é uma distração. É muito bom, mesmo para nós adultos, brincar. Brincar com os filhos, com o cachorro, em um parque de diversões ou com os amigos. Nossas brincadeiras são mais sofisticadas, e gostamos de jogar, alguns gostam de videogames, apreciamos um bom papo jogado fora em volta de uma mesa com boa comida. Tudo isso é muito agradável, como é a brincadeira, mas nada disso nos daria prazer suficiente para que o fizéssemos por anos a fio. Para isso, é necessário o esforço, nós buscamos o esforço que se justifica por um grande objetivo – isso é sonhar e perseguir um sonho.

Com a criança acontece exatamente o mesmo. A criança gosta de brincar, e brincar deve ser considerado um de seus direitos, como é um dos nossos, o lazer. No entanto, a criança também tem suas buscas e seus objetivos. Para ela, no entanto, o trabalho e o objetivo são interiores. Não há para ela, como há para nós, a construção ou criação de algo externo, mas sim a construção de si mesma.

Para essa construção interna, a criança precisa de esforço, trabalho e atividade. Este trabalho, no entanto, precisa de um apoio exterior, um material para exercitar-se. Este é o material montessoriano. Ele serve para ajudar a criança a conquistar o desenvolvimento que ela deseja perseguir. Para que seja eficiente, deve atender a três requisitos principais, que são: a manipulação da criança, o isolamento da dificuldade e o controle do erro.

Primeiro, os materiais são da criança, e não dos adultos. Eles são feitos para serem manipulados pela criança e para que ela se sinta a vontade com eles, não só para que aprenda conteúdos, mas para que desenvolva seus sentidos e sua percepção da realidade.

Em segundo lugar, os materiais, para que ajudem, devem ter objetivos muito claros, trabalhar uma dificuldade, um elemento do mundo, de cada vez. Se um material tem muitos objetivos e ensina muitas coisas de uma vez, não ensina nada. A criança está descobrindo o mundo, e de confusão lhe basta a realide. De nós, ela precisa da ajuda, do apoio e do guia. Assim, quanto mais passo-a-passo puder ser a lição e quanto mais claro estiver para nós o objetivo único da atividade, melhor será para a criança a descoberta do mundo.

O terceiro ponto importante do material montessoriano é que ele contenha em si um dispositivo de controle do erro. O jogo da memória, embora não possa ser considerado um material, tem este dispositivo. Trata-se de algo que impede a finalização da atividade se ela não estiver completamente correta. Com o jogo da memória, se um pareamento é feito errado, ainda que quase todos os segintes sejam acertados, o último dará errado. Assim, o exercício não termina. Isso garante que a criança poderá aprender sozinha, e o professor não precisará corrigir nada, e a criança se desenvolverá por si mesma e seus esforços, sem ter de encarar a figura imensa do adulto desenvolvido o tempo todo.

Por todos os motivos expostos aqui, é possível dizer que não existem brinquedos montessorianos. Existem brinquedos mais inteligentes e menos inteligentes, alguns que trabalham mais e outros que trabalham menos o controle motor, e há os que respeitam mais e os que respeitam menos as fases do desenvolvimento da criança. No entanto, se um “brinquedo” tiver isolamento de dificuldade, um só objetivo, controle do erro e servir à manipulação da criança, sendo aplicado à educação de forma organizada e segundo a fase do desenvolvimento da criança, passamos a ter um material. Caso contrário, temos um excelente e despretencioso brinquedo. É excelente, mas não é Montessori.

E-Montessori: A Criança e a Tecnologia

Steve Jobs, fundador da Apple, ajudou e apoiou o desenvolvimento de uma série de aplicativos para iPod e iPhone baseados nos materiais montessorianos. Trata-se da série Montessorium, e são aplicativos de estética invejável e bom funcionamento. Quando os vi pela primeira vez minha reação inicial foi pensar que finalmente alguém havia conseguido unir o mundo digital e a educação montessoriana.

Mas eu estava errado. Conseguiram unir a abordagem montessoriana da matemática, da linguagem e da geografia com o mundo digital, e de forma magistral. Os aplicativos merecem ser usados. Mas ainda não conseguimos unir o mundo eletrônico à pedagogia montessoriana, e especialmente não o unimos de forma definitiva ou completa à criança como compreendida pela perspectiva montessoriana.

É sabido, e é bastante consensual, que a infância, especialmente até os seis anos de idade, é uma fase sensorial do desenvolvimento. Os pequenos gostam de sentir, e disso ninguém duvida. Pegam, mordem, agarram, abraçam, deitam sobre, lambem, olham, escutam, cheiram, tocam, pisam, esfregam e apertam. Eles usam as mãos ainda imaturas, os pés e pernas super flexíveis, os olhos imensos e atentos a tudo, os ouvidos ainda puros do excesso de ruido da civilização, o nariz e a boca investigativos, usam tudo o que têm para sentir o mundo e, sentindo-o, o absorvem. Por isso é fundamental que possamos prover a eles instrumentos de aprendizado que trabalhem todos os seus sentidos.

É até bom que estes materiais trabalhem poucos sentidos de cada vez. Excessos confundem. Os materiais montessorianos são pensados de forma a isolar o sentido trabalhado, para que a criança possa absorver uma informação de cada vez, em ordem, com cuidado, devagar. As crianças, é sempre bom repetir, chegam ao mundo em meio a um carnaval de rua, tudo é cor, som, movimento, e elas não entendem o que está acontecendo. Nosso trabalho é ajudar, sentido a sentido, informação a informação, ajudar a criança a compreender o mundo.

Isto posto, é necessário afirmar: mídias com tela não ajudam. A televisão é de todas a vilã mais representativa. Abundam estudos demonstrando que assistir televisão é nocivo à criança, do ponto de vista neurológico, psicológico e emocional. E é fácil entender: a televisão transmite informação demais. Primeiro, o mundo real é bastante estático. As coisas ficam paradas, e as pessoas se movimentam lentamente. Na televisão tudo se move rápido demais, com cor demais,  som demais. Além disso, a luz do mundo real é sempre refletida, as roupas, a pele, os móveis sempre refletem parte da luz das lâmpadas ou do Sol. Na televisão tudo tem luz própria, a luz emana da tela. Isso cansa a visão e cansa o cérebro. Depois de algum tempo diante da TV, o cérebro se estressa ou desliga: a criança chora ou fica inerte, dorme, desliga-se.

O computador é mais interativo, o tablet mais ainda. Assim, trazem benefícios que a televisão não traz. Isso não quer dizer, no entanto, que os malefícios sejam em algo diferentes. São os mesmos: excesso de cor e movimento, e excesso de luz. Por serem interativos, estes aparelhos não permitem que a saturação do cérebro se mostre por meio do desligamento, ou por meio do sono. Acaba acontecendo que o estresse é levado a níveis ainda maiores. É aí que entram aquelas observações leigas da mãe, tia e avó que diz “O que está deixando esse menino violento é esse monte de videogame e esses desenhos animados! Na nossa época não era assim”. Não era mesmo. Não porque os desenhos estejam mais violentos, ou os videogames, mas porque hoje há mais cor, mais movimento – enfim, porque hoje a tela é mais agressiva, mais estressante, e nos força a limites maiores.

Se sabemos, com garantia de anos e tantos registros de observação científica, que o mundo real educa a criança com perfeição, e que as mídias virtuais provocam efeitos majoritariamente nocivos, é nosso papel evitar que a criança seja prejudicada pelas invenções dos adultos. É nosso papel não usar a televisão para entretê-la enquanto tomamos banho ou dar o tablet para que fique em silêncio no restaurante. É nosso papel não instalar o DVD no banco de trás do carro para ligar em viagens longas cada vez mais curtas e não prometer que ela pode assistir ao desenho se comportar-se direitinho.

Se você já acostumou seu filho à televisão, sempre é tempo de mudar. Tirar a televisão não adianta. É necessário dar mundo real. Um passeio ao parque ou a um museu interativo em vez de passar o sábado assistindo à maratona do desenho favorito dele. Algumas horas encontrando insetos no jardim de casa ou do prédio, na praça ou no parque, em vez de horas assistindo a um filme sobre os insetos no iPad. Vale tudo: caixa sensorial, cesta dos tesouros, materiais. Dá mais trabalho, sim, não é mais fácil. É mais fácil a televisão. Mas é melhor para ele, para a relação de vocês e, você ainda vai concordar comigo, é melhor para você!

Quanto aos aplicativos do Montessorium, bom, talvez sejam uma excelente quase-exceção. Mas não são uma exceção inteira. Se for necessário usar o tablet, eles são uma opção melhor, não só por serem versões virtuais de materiais Montessori, e portanto trabalharem com controle do erro e isolamento da dificuldade, mas principalmente porque, seguindo inspiração montessoriana, são materiais minimalistas, clean, de cores mais leves e menos informação visual do que a maior parte dos outros aplicativos semi-educativos que pululam nas lojas de cada sistema operacional. Ainda assim, no entanto, tela é sempre excesso de luz, excesso de cor, excesso de estímulo.

Ainda não encontramos uma forma de unir Montessori e a utilização de mídias com tela. Por enquanto, a televisão e a Torre Rosa ficam em salas separadas. No entanto, vale lembrar: cada família deve fazer todo o possível para proporcionar às crianças uma excelente educação, mas não mais que o possível. Se os pais são amantes de cinema, e assistem filmes em casa regularmente, não há maneira de retirar a televisão da sala. Com uma mãe que seja programadora ou um pai que tenha uma start-up de aplicativos virtuais, o acesso ao computador e aos tablets e smartphones é inegável. Nesses casos, cada família deve desenvolver suas medidas, e trabalhar o melhor que puder, tentando compensar o excesso de tela com uma boa quantidade de mundo real.

Para finalizarmos, quero recuperar um trecho do Manual para Proprietários de uma Criança Montessori:

A televisão é uma grande interrupção no meu desenvolvimento. Desculpe! Eu sei que vocês não querem ouvir isso: eu preciso de muitas atividades manuais e preciso de muito tempo de processamento. A TV me distrai das atividades mais importantes e enche minha cabeça com mais do que eu tenho tempo para processar. Leiam para mim todos os dias, porque a leitura vai devagar, e me dá tempo para processar junto. A TV me amontoa com mais do que eu sei usar, então ou eu desligo ou fico frenético. Eu sei que vocês podem achar que alguns programas são bons para mim, e vocês podem achar que merecem a folga que a TV dá para vocês, mas nós todos pagamos um preço alto para cada meia hora que eu assistir.

   Eu não resisto à TV, mas tudo bem, porque qualquer criança de três a seis anos tem pais, e é para isso que os pais servem. A TV me deixa distraido, irritado, e me faz não cooperar com vocês. Quanto mais eu assistir, mais eu quero assistir, e aí surgem problemas entre nós. Se vocês não conseguem dizer não para o hábito de ver TV agora, onde está meu exemplo para dizer não para outros maus hábitos mais tarde? Além disso, quanto mais eu vejo TV, menos eu quero ser como vocês. Lembrem-se, eu imito o que assisto. Ah sim, cuidado também com os jogos de videogame e computador pelos quais eu vou implorar e que todos os meus amigos têm. Sei que vocês conseguem!
O vídeo abaixo está em inglês, mas vale assistir mesmo que você não entenda a língua.

Quando o Adulto Falha

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Nós falhamos, e com mais frequência do que gostaríamos. Nosso mapa está ok: Montessori está certa. Sabemos disso porque sempre que seguimos Montessori em todos os detalhes, dá certo. O problema é que nem sempre conhecemos todos os detalhes, e às vezes conhecendo-os esquecemos de um ou outro. Isso nos gera culpa, confusão, desorientação, e embora não prejudique muito nossas crianças, nos coloca em dúvida quanto à nossa competência. Por isso, acho que vale um artigo para trabalharmos os motivos das falhas que cometemos e como resolver problemas assim.

1. A diferença entre o erro e o sintoma do erro

Quando erramos, nem sempre percebemos o erro em si, mas o resultado dele. Percebemos que nossas crianças não querem desenvolver as atividades que propomos, ou que não desejam ficar sozinhas nunca. Podemos notar que elas rejeitam a possibilidade de fazer escolhas, ou que não querem trabalhar com os materiais que apresentamos, ou querem, mas de uma forma que jamais aprovaríamos, porque é evidentemente improdutiva.

Quando apresentamos uma atividade com a qual a criança não quer trabalhar, o erro não está necessariamente na nossa apresentação, e em geral não está na atividade também. O erro não se encontra nas estantes ou na possibilidade de escolhas, quando as oferecemos e as crianças não aceitam. Estes são só sintomas do erro. São a aparência externa do erro, aquilo que nos mostra que o erro existe, a manifestação palpável do erro. Mas o erro em si é invisível, ele não se encontra em nada que possa ser visto por nós, porque está do lado de dentro do adulto, e não do lado de fora.

Mesmo quando a casa não está adaptada, quando não oferecemos possibilidades de escolha e quando somos autoritários com nossos pequenos, o erro não está em nada disso. Isso tudo, tudo aquilo que consideraríamos como falha total, é só manifestação exterior do erro. Erros mesmo só existem dois, e são internos: falta de confiança na criançafalta de observação. Estes são os dois únicos erros, e são as origens e raízes de todas as manifestações externas que nos preocupam. Embora pareçam desafios imensos, esta é uma notícia boa: agora nós sabemos onde está o problema, e podemos refletir sobre ele.

2. A Observação

Observar é um ato de amor. Não há como observar sem amor. Se observamos sem amor, detalhes escapam, e sentimentos negativos se intrometem na observação. Sem amor, nós nos distraímos e a tarefa se torna enfadonha. Encarar a observação como um ato de amor – tanto quanto a amamentação, o preparo do almoço ou o beijo de boa noite – ajuda. Ela se torna mais agradável, e fazê-la todos os dias se torna mais prazeroso e, aos poucos, se percebe como é um ato de amor precioso.

Observar é tentar enxergar o que a criança nos diz sobre si mesma, sem articular verbalmente. A criança nos ensina a psicologia da infância, dizia Montessori. Estar atento à criança é estar atento a como o ser humano se desenvolve, como uma espécie vem a ser o que é. Ao mesmo tempo, é uma atividade despretensiosamente familiar, de um amor de mãe para filho, de professor para aluno, e uma atividade de investigação científica que pode revolucionar – como fez Montessori – a forma como o adulto compreende a criança. Decididamente, revoluciona a forma como cada um de nós compreende cada um deles.

Tenha um caderninho. Ele tem que ser querido, então você pode comprar um de que goste ou fazer um para você, encapar um com um tecido agradável ao toque. É bom que seja um caderno pequeno, porque é mais fácil de carregar com você e mais discreto. Ele vai ser um caderninho de observações sobre as crianças com as quais você convive. A outra opção é ter um bolinho de folhas de papel em cada cômodo de sua casa com uma caneta que deve permanecer sobre ele, e utilizar as folhas sempre. Depois, você pode arquivar as folhas em uma pasta ou encaderná-las. A caneta com a qual você vai escrever precisa ser gostosa para você também. Vale tudo para tornar a tarefa gostosa!

Todos os dias, sente-se para assistir sua criança fazer qualquer coisa: tomar banho, dormir, comer, assistir TV (eu não gosto de TV, e faz mal, mas demora para a gente aceitar tirar isso da vida de nossas crianças), brincar, conversar com amigos. Observe como ele faz, por quanto tempo se concentra, em quais atividades permanece mais tempo, se precisa de você e com qual intensidade precisa. Anote tudo. Veja se ele acordou mais disposto quando você mudou o colchão para o chão e veja se organizar tudo muito direitinho ajuda no humor dele. Escreva as alterações que acontecem conforme você insere o banquinho, a barra, o espelho, as estantes e as escolhas. Registre as mudanças que vão acontecendo conforme você estrutura a rotina e aprende a ser claro e direto, mesmo quando gentil, e conforme você substitui os prêmios e castigos pela autodisciplina. Anote tudo.

Se você fizer isso todos os dias, vai começar a notar padrões de comportamento, aprender o que é que ajuda seu filho, o que o torna mais tranquilo e o que o agita, o que o deixa feliz e equilibrado e o que só o alegra. Vai começar a distinguir pequenas crises de humor e o desejo de ficar sozinho para trabalhar, e vai ser capaz de ajudá-lo em seu desenvolvimento com muito mais eficiência. Quando não observamos, e não registramos por escrito, nossa visão, opinião e vontade se intromete no que achamos que é percepção objetiva dos fatos, e então impomos às nossas crianças aquilo que nós acreditamos ser o melhor naquele momento. Não nos cabe esta tarefa. Nosso trabalho é ver o que ela nos diz que é melhor, e prover aquilo que ela pede. Só a observação, como ato de amor, pode fazer isso por nós, e por isso, assim como a falta de observação é a raiz de quase todos os erros, também é a sustentação de todos os acertos.

3. Confiar na criança

“A criança é uma esperança e uma promessa para a humanidade”, dizia Montessori, que ainda adicionou: “Eu descobri a criança”. Não há como realmente auxiliarmos a criança se não acreditarmos que ela é capaz de se desenvolver sozinha. Nós somos auxiliares, nós precisamos preparar o ambiente, oferecer atividades, auxiliar com a rotina e algumas orientações, especialmente de adequação social. No entanto, a parte difícil ela faz sozinha. Nós não ensinamos nossa língua para os pequenos – nós só falamos com eles. E eles fazem a parte complicada: aprender, em um ano, a falar, e em três anos, a falar quase como nós.

A gente não ensina a criança a andar. Muitos de nós realmente não fazem nada neste sentido, mas mesmo assim um dia a criança anda. Sozinha, ela aprende. E isto serve para tudo. Não ensinamos que se deve fazer tais e quais coisas em tais e quais situações, mas a criança o faz, porque absorve o ambiente em que se encontra, e traduz sua absorção em comportamento. Ela vem com potencialidades inatas que propiciam o desenvolvimento das habilidades essenciais à sua sobrevivência. Se deixarmos à sua disposição a comida e a bebida, comerá quando sentir fome e beberá quando sentir sede. Se deixarmos os agasalhos ao seu alcance, e a ensinarmos a se vestir, ela, sozinha, irá buscá-los se sentir frio. Nós não precisamos ensinar isso, a criança aprende porque absorve o ambiente, e em seu ambiente os adultos fazem tudo isso, então ela faz também.

Por isso, um cuidado que beira o extremo com o ambiente deve ser tomado. O ambiente deve ser planejado e preparado para a criança em suas dimensões físicas e emocionais. A criança absorve tudo: ordem e desordem, paz e violência, amor e ira, calma e ansiedade. Se em seu ambiente nada se encontra ao alcance de suas mãos, o que absorve é a ideia de que depende do adulto para tudo – e um ambiente preparado leva, logicamente, à independência bela que vemos em crianças dentro de salas montessorianas.

Confiar na criança é acreditar que, assim como fez durante toda a história da humanidade, ela continuará a ser capaz de se desenvolver sozinha, e que o seu filho não é diferente. Ele precisa de você, de seu amor, de sua observação, de sua ajuda. Mas a parte difícil é trabalho dele, e você precisa deixar ele fazer o trabalho dele. Precisa acreditar.

Isto envolve permitir que ele erre, que enfrente dificuldades, que leve uns tombinhos, que use e quebre copos de vidro e pratos de cerâmica (leia sobre isso na categoria “cozinha”, aqui ao lado), que ele suba no próprio colchão e limpe o próprio bumbum, conforme aprende a fazer cada uma dessas coisas – e para aprender ele precisa que você ensine com cuidado, com observação e confiança.

4. Conclusão

Assim, fica claro que os erros que cometemos são os dois que apontamos: não confiar e não observar. Se confiarmos e observamos, as coisas caminharão. Se você está começando, leia as treze dicas do Lar Montessori para famílias montessorianas e o Manual do Proprietário da Criança Montessori. Em seguida, conforme for fazendo as adaptações do ambiente e ensinando seu filho a lidar com a nova independência, observe com cuidado como ele se desenvolve e o que lhe faz bem.

Confie. Ele vai se desenvolver. A criança é incrível, ela supera nossos erros quase sem perceber e vai em frente, rumo à vida. Confie na criança, e torne a observação um ato de amor. Você vai eliminar pelo menos quase todos os seus erros, assim. Depois, volte para contar como foi!

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