Quando uma criança nasce, não sabe que tem vontades. A vontade se desenvolve devagar.
Primeiro, ela aprende que suas ações têm consequências no mundo: ela faz alguma coisa e alguém sorri, ela empurra um objeto e ele cai, ela grita e alguém se vira para olhar.
Aos poucos, a criança consegue fazer mais coisas, e percebe que tem vontade de fazer. Ela também descobre que, em geral, os adultos não levam essa vontade em consideração.
Quando a criança é muito nova, os adultos a carregam para onde querem, sem que ela possa opinar, e ela é alimentada, trocada, e posicionada como os adultos desejam. Mais velha, ela consegue fazer coisas, e quer que sua vontade seja considerada, mesmo que nem ela mesma saiba exatamente que vontade é essa.
Então, ela diz NÃO. O jeito da criança mostrar sua vontade é negar a vontade do adulto. É como se ela dissesse: “Ei, eu existo!”. Diante de um NÃO, o adulto tem duas possibilidades:
- Forçar a criança a aceitar a escolha dele, ou
- Oferecer outras opções para a criança.
É claro que a segunda opção é melhor do que a primeira, mas ela também deixa adultos e crianças confusos. A criança tende a dizer NÃO para quase tudo, e de repente se vê com a responsabilidade de fazer escolhas sobre todos os aspectos da sua vida, o que pode ser demais para ela.
O caminho Montessori nos ensina a oferecer escolhas antes de a criança dizer NÃO.
Este é o diálogo mais comum:
– Vem, vamos tomar banho, filho…
– Não!
– E se a gente brincar com seus brinquedos de borracha, que tal?
– Não
… Até que em algum momento a criança aceite alguma opção, ou o adulto fique exausto e force a dele.
Este é um caminho melhor:
– Filho, nós vamos tomar banho. Você quer levar seu pato ou seu peixe de borracha?
Ou:
– Filho, quando a gente chegar em casa, você vai tomar banho. Quer tomar o banho no chuveiro ou na sua banheira hoje?
Ou ainda:
– Nós vamos tomar banho daqui a pouco. (Fazendo um cafuné) Você quer começar esse banho pela sua cabeça, ou (pegando no pé da criança com carinho) pelo seu pé?
Em todos esses casos, a oferta da escolha vem antes do NÃO, e assim a criança consegue afirmar a sua vontade sem precisar negar o que o adulto ofereceu. Também ajuda se, em lugar de nós fazermos tudo pela criança, ela puder agir por si mesma.
Quando a criança ficar mais velha, sua vontade ficará maior. A escolha, então, pode incluir o que ela quer fazer depois do banho, ou alguma coisa que ela queira fazer antes. Ela também poderá opinar no horário do banho, na rotina, e em outros aspectos. Repare que em todos os casos, o banho em si é inegociável, mas tudo ao redor dele pode ser conversado.
O ponto de partida é entender o desenvolvimento da criança. Com isso, todo o resto fica muito mais fácil

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