Períodos Sensíveis II – Mão e Movimento

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Antes de ler este texto, leia a Visão Geral sobre Períodos Sensíveis.
 
Mão e Movimento


Montessori disse que as mãos são os instrumentos da inteligência humana. Explicou também que é por meio das mãos que a mente humana se revela, e fez um apelo: Nunca dê à mente mais do que der à mão da criança. Se a pedagoga insistiu tanto na importância das mãos, este é um ponto cujo estudo nunca será demasiado. É por meio da utilização dos sentidos que o cérebro da criança se desenvolve, e a possibilidade de utilizar suas mãos desde muito cedo é decisiva para um desenvolvimento tranquilo. Em livros que tratam da adolescência e da formação do adulto, Montessori recupera ainda a importância das mãos e demonstra que foi por meio delas que a civilização se desenvolveu – ressalta a importância das mãos para a experimentação científica e para a prática da medicina, mas a menciona no desenvolvimento da arte, assim como na fabricação de bens de consumo e na agricultura. Mãos bem educadas, para Montessori, seriam portas e janelas para uma mente bem educada. Embora todo o movimento importe para o primeiro período sensível, e o movimento das pernas seja extremamente relevante, neste artigo focaremos as mãos, por tudo o que foi exposto acima. Posteriormente, o Lar abordará o tema do “Andar” em artigo específico.

Assim, devemos examinar a evolução da utilização das mãos desde a mais tenra idade, e percebemos que logo ao nascer a criança mexe seus braços. Ela ainda não é capaz de pegar, nem de utilizar seus movimentos para nenhum propósito específico, a não ser é claro aqueles que são instintivos e servem especialmente à alimentação. Os reflexos mais comuns às mãos das crianças muito pequenas são os de segurar aquilo que lhes toca. Quando colocamos nossos dedos em suas mãos, elas tentam segurá-los. Mas isso não é um movimento voluntário. Trata-se somente de um reflexo de desenvolvimento, que aos poucos se desenvolve para a tentativa de alcançar coisas. Neste momento do desenvolvimento, tudo que a criança consegue é sentir, e por isso propiciar-lhe texturas diferentes e temperaturas distintas para sentir pode ser interessante. É uma forma de explorar o mundo ainda sem ter nenhum controle sobre ele.

Rapidamente a criança passa do segurar involuntário para o alcançar voluntário, quando tenta, por exemplo, alcançar os objetos que pendem de um móbile ou busca pegar objetos que estão por perto, enquanto está sentada ou é segurada por um adulto. Aos três ou quatro meses a criança já é capaz de alcançar objetos próximos voluntariamente e neste período também aprende a segurá-los, embora sem muita firmeza. Nisso também não há outro propósito que não seja o desenvolvimento em si. A criança não deseja objetos específicos, nem os deseja por algum motivo especial. Trata-se somente da necessidade de “pegar”, e assim nos cabe prover objetos, belos ou naturais, se possível, para que a criança possa pegar.

Entre os cinco e os sete meses de idade a criança aprende a sentar, e assim consegue focar sua atenção em suas mãos, sem depender tanto de um adulto que a segure. Neste período, ela também se torna capaz de escolher o que pegará, agindo intencionalmente com suas mãos. Aqui, a Cesta dos Tesouros e as Caixas Sensoriais podem se fazer bastante interessantes. Os objetos providos podem ser os mais variados. Desde batatas até brinquedos com uma textura interessante.

Entre os seis e os oito meses acontece uma intensa evolução das possibilidades de utilização das mãos, e a criança consegue passar objetos de uma mão para outra, pegar-e-soltar coisas e mais para o final deste período, controlar seus dedos separadamente. Objetos menores, que possam ser completamente dominados por uma só mão, podem ser uma boa ideia. Há que se cuidar, no entanto, para que estes não sejam pequenos o suficiente para se engolir ou que, o sendo, não façam mal. Pode-se usar, de um lado, esferas ou formas tridimensionais geométricas (cubos, prismas, paralelepípedos), assim como bonecos ou brinquedos. De outro, há a chance de se dar comidas para pegar com a mão, como amoras, tomatinhos e morangos, ou esferas de batata, pera e maçã.

Aos nove ou dez meses, a criança consegue desenvolver o movimento de pinça. Aqui, objetos bem pequenos são interessantes, mesmo. Feijões, folhas, brinquedos menores, penas, formas geométricas pequenas, tudo o que for “micro” interessará à criança, já que ela está focando toda sua vontade em desenvolver a coordenação do polegar e do indicador. Veremos em artigo próximo que este período responde muito ao interesse da criança aos detalhes e objetos pequenos do mundo, como chaves, pedras e manchas na parede, assim como a seres minúsculos que o habitam, como formigas e mosquitos.

Logo depois, a criança se torna capaz de segurar objetos com os braços, e aí tudo o que for realmente grande passa a ser mais interessante. Almofadas e bolas, bonecos maiores, abraços. Tudo o que exigir os dois braços inteiros vai ser de preferência dos pequenos, e nós podemos provê-los com tudo isso usando somente aquilo que já temos em casa!

Dos dez meses até o primeiro ano de idade, movimentos precisos com as mãos se desenvolverão, seguidos pela utilização das duas mãos por um só objetivo. Primeiro, a criança terá prazer em utilizar as mãos para passar objetos de um recipiente para outro, para encher um pote ou copo com pequenos objetos, para tampar e destampar recipientes de tampas que se soltem fácil. Depois, usar as duas mãos para algo será divertido: abrir e fechar gavetas e transportar objetos maiores, por exemplo. Antes disso a criança já era capaz de usar suas mãos em conjunto, quando aos nove meses, mais ou menos, começou a segurar-se para andar. Mas agora utiliza as mãos por si mesmas, e não para auxiliar um outro objetivo maior.

Finalmente, a partir do primeiro ano de idade, a criança está pronta para utilizar suas mãos para o trabalho, com a finalidade não de desenvolver a elas mesmas, mas de utilizá-las para desenvolver sua inteligência, compreensão de mundo, apreensão da realidade e absorção do todo, de forma a obter cada vez maior controle e maior independência.


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