Individualidade e Socialização na Sala Montessoriana

Ontem, dia 21 de setembro, foi Dia Internacional da Paz. Nós já havíamos publicado um texto sobre a Paz bastante recentemente e achamos que seria repetitivo fazê-lo de novo. Escolhemos, então, um tema correlato: como o trabalho individual na sala montessoriana prepara a criança a vida social. Para este assunto, porém, há duas respostas prontas dadas por Montessori ela mesma, e achamos que o melhor a fazer seria deixar que ela falasse aqui. Por isso, traduzimos o texto disponível na página da Associação Montessori Internacional e o disponibilizamos integralmente abaixo. É sempre um prazer quando podemos trazer Montessori para nosso Lar.

Duas Questões Respondidas por Maria Montessori
Este Artigo foi publicado originalmente em “Call of Education, Vol.1, No.1, 1924”

Se as crianças em uma escola Montessori trabalham mais sozinhas do que coletivamente, como serão capazes de se preparem para a vida social?

A vida social não consiste em um grupo de indivíduos permanecendo sempre muito próximos, um ao lado do outro, e nem no avanço em massa sob o comando de um capitão, como um regimento em marcha – e nem em uma sala comum de escola infantil.
A vida social do homem tem suas bases no trabalho, harmonicamente organizado, e sobre as virtudes sociais – e essas são as atitudes que se desenvolvem em um grau extraordinário entre nossas crianças. Contância no trabalho, paciência quando devem esperar, o poder de se adaptarem às inúmeras circunstâncias que se apresentam diariamente, no convívio uns com os outros, a ajuda recíproca, e assim por diante, todos são exercícios que representam uma vida social prática e real, e que nós vemos, pela primeira vez, sendo organizada entre as crianças, em uma escola.
De fato, onde as escolas costumavam estar equipadas somente para acomodar as crianças, sentadas lado a lado, e se esperava que recebessem do professor (podemos dizer que de forma quase parasítica), nossas escolas, ao contrário, têm um equipamento que é adaptado a todas as formas de trabalho necessárias em uma pequena comunidade ativa e independente.
O trabalho individual no qual a criança é capaz de isolar-se e concentrar-se, serve para aperfeiçoar sua individualidade e, quanto mais perto o homem chega da perfeição, melhor ele é capaz de se associar harmonicamente com os outros. Um movimento social forte não pode existir sem indivíduos preparados, assim como os membros de uma orquestra não podem tocar juntos harmonicamente a não ser que cada indivíduo tenha sido treinado por exercícios repetidos quando sozinho.

Nas escolas Montessorianas o trabalho é escolhido pela criança ela mesma, que busca a ocupação mais interessante e, portanto, a mais agradável para ela. Como tal preparação pode ajudá-la a tomar seu lugar na sociedade quando um dever impõe tarefas que nem sempre são agradáveis, de fato geralmente contrárias ao gosto pessoal?

Aquele que se esforça, superando dificuldades apesar de sua tarefa não ser agradável, ou, em outras palavras, aquele que sacrifica a si mesmo deve, sobretudo, ser forte. Essa questão, portanto, pressupõe uma condição que é de importância fundamental: “sine qua non” – ser forte. Os exercícios espontâneos que as crianças fazem em nossas escolas, escolhendo o trabalho que gostam e permanecendo absortas nele por um longo período, em uma atmosfera de tranquilidade, os fortifica e, desta forma estão, ainda que indiretamente, preparando-se para as eventualidades desagradáveis da vida social futura. Da mesma forma, a criança que é alimentada durante o primeiro ano de sua vida pelo leite somente, está se preaprando assim para se alimentar de comidas diferentes mais tarde. Se a nutrição da criança foi tal a permitir um desenvolvimento físico robusto e saudável, então o homem adulto será forte o suficiente para digerir comidas pesadas, mas não se tiver sido alimentado de comidas pesadas e inadequadas quando era uma criança.
Aquele que adquiriu o equilíbrio perfeito de seu corpo pode curvar-se à direita ou à esquerda, e enfrentar passos e degraus difíceis sem cair. A aquisição do equilíbrio é, portanto, uma preparação necessária para os movimentos difíceis. O mesmo é real para a vida psíquica. A criança que executa exercícios espotâneos que levam a um equilíbrio mental saudável serão capazes de se adaptarem sem perderem sua individualidade. É por meio da doença que nos preparamos para sermos fortes? Os heróis se prepararam para seus atos heróicos gradualmente desde a infância? Não – sua vida é uma grande incógnita no que diz respeito ao futuro. O que se precisa preparar no presente é a força, o equilíbrio e a saúde. Aquelas crianças que ganharam força interna em seu trabalho e pelo exercício, quando homens serão mais capazes de se adaptarem aos esforços que não acharem prazerosos.


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