O Seu Cérebro, o Cérebro do Seu Filho, e o que Fazer com Isso.

O texto que segue é uma tradução do artigo “Your Brain, Your Child’s Brain and What To Do About It”, do blog Montessori on the Double, escrito por Stephanie Woo. Nós buscamos a autorização para tradução e não recebemos resposta. De forma que, se em algum momento for exigido, esse texto sairá do ar imediatamente. Enquanto isso, optamos por trazê-lo à língua portuguesa pela qualidade das informações e a clareza de exposição de sua escrita. Veja o artigo original e o excelente Montessori on the Doube aqui.

A criança pequena tem um cérebro diferente do nosso. Digamos, totalmente diferente. E sim, é provado cientificamente.

Um exemplo: no ambiente correto, as crianças podem aprender até quatro línguas ao mesmo tempo, e entender todas elas aos três anos de idade. Como temos cérebros diferentes, aprendemos diferente. As crianças absorvem tudo de seu ambiente – sem esforço, facilmente, incoscientemente Nós, infelizmente, não aprendemos assim.

Um cérebro não é melhor que o outro. Mas como você pode ver, somos totalmente diferentes. Aqui vai outro exemplo:

As crianças são aprendizes sensoriais. Isso significa que aprendem por meio de seus sentidos. Uma criança que rasga um livro está fascinada pelas sensações do papel rasgando e amassando em suas mãos. A criança que coloca seus dedos no copo e mexe está experimentando mexer com água. A criança que faz bagunça com a comida o faz porque está aprendendo a comer.

Agora, de nosso ponto de vista, do ponto de vista dos pais que precisam colar as páginas do livro, enxugar a água, limpar a bagunça (e também todas as outras coisas que precisamos fazer como pais), pode parecer que ele está bagunçando, fazendo tudo de propósito ou, talvez, ela seja mimada e “ruim”. Com nossas mentes lógicas, racionais, adultas, supomos esse tipo de coisas.

Temos então o cérebro da criança – e temos o cérebro do adulto. Dois cérebros absolutamente distintos, tentando co-existir.

Como o adulto é maior, a Mamãe e o Papai podem dominar a criança fisicamente e removê-la daquilo que não desejam que ela faça. Mas a criança… A criança tem uma motivação interna para aprender. De fato, essa força interior é tanta, tão profunda, tão instintiva, que toda sua existência depende dela. Assim, só para você saber, dá próxima vez que ela tiver uma chance, vai fazer tudo de novo.

Então, essencialmente, temos duas possibilidades de escolha. Podemos dominar a natureza da criança (e assistir enquanto nossas rugas e cabelos brancos se multiplicam) OU nós podemos nos alinhar a ela.

Aqui vai o que aconteceu comigo há algum tempo. É hora do banho. B e M estão brincando na banheira com seus potinhos, passando a água de um pote ao outro. Bom, alguém teve a ideia genial de derramar água fora da banheira. Da primeira vez que isso aconteceu, meu marido entrou gritando: “Sem água fora da banheira!” e depois tirou os dois do banho e “os fez” limpar tudo (à exceção das crianças de dois anos, os pequenos adoram limpar e pegaram ansiosos as toalhas para limpar – então não foi a punição que o Mark tinha em mente).

Claro que isso não os impediu de repetir no dia seguinte (e no outro) quando nós, de novo, os tiramos do banho prontamente, apontamos nossos dedos para eles e aumentamos o volume de nossas vozes, para ensinar uma lição aos dois.

Até que eu entendi: eles adoram água. Adoram despejar água. Tentar pará-los é como tentar fazer uma semente não crescer ou fazer o sol não nascer de manhã.

Então decidi, em lugar de impedir, alinhar-me com a Natureza.

No dia seguinte, quando as crianças estavam na banheira, eu peguei uma lata de lixo grande e vazia e a coloquei do lado da banheira. Disse a elas: “Se vocês quiserem despejar água, podem fazê-lo dentro desta lata de lixo. Vamos ver se conseguem fazer isso sem derramar nada no chão!”.

Funcionou. Eles imediatamente encheram a grande lata de lixo com copos da água da banheira. E de forma cuidadosa. Então eu despejei a água no vaso sanitário. E eles procederam a encher o balde de novo. Antes de o encherem pela segunda vez até a metade, já tinham perdido o interesse e estavam brincando com seus animais marinhos.

As crianças vão querer brincar com água o tempo todo. Vão trabalhar com gotas, vão pegar, esfregar e agarrar enquanto comem. Vão querer tocar tudo. Vão correr e subir em tudo. Vão cantar e falar alto, mesmo quando for inapropriado. É sua Natureza. Você pode desmoronar sobre eles, pode puni-los, manipulá-los, distraí-los (e admito que haverá momentos em que você pode ter que fazer essas coisas). Mas considere trabalhar com a Natureza, pelo menos na maior parte do tempo.

Encontre formas criativas de satisfazer as necessidades das crianças. Elas vão seguir sua natureza, queira você ou não. Então encontre um caminho para que elas POSSAM fazer o que querem – permita que caminhem livremente em um novo ambiente (eles conseguem aprender a ficar longe de perigo e a manusear objetos frágeis), dê-lhes o que escalar em casa, dê-lhes pilhas de papel para rasgar, deixe que brinquem por mais vinte minutos com o chuveiro, a pia, a banheira etc.

Quando você se ouve dizendo “Não!” ou “Não faça isso!”, na maior parte das vezes, suspeito eu, é porque você não está alinhado à Natureza da criança. Então, o que quer que você tenha de fazer, encontre uma forma de se alinhar, meu amigo. É seu caminho para a paz e a sanidade.


5 comentários sobre “O Seu Cérebro, o Cérebro do Seu Filho, e o que Fazer com Isso.

  1. fiquei ate emocionada com o texto…pensei no 1 milhao de “naos” que falo para a minha filha em um unico dia. Claro que em alguns momentos eles serao necessarios, mas estou convencida que em 90% das vezes ele e desnecessario e desgastante para a nossa relacao de mae e filha. obrigada!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s