A Salvação Virá da Criança

Em 1945, Montessori era prisioneira de guerra na Índia e seu filho passou um período em um campo de concentração. O mundo estava destruído pela Segunda Guerra Mundial, Montessori havia sido expulsa da Itália fascista por suas ideias de liberdade, e pelos mesmos motivos uma pira foi feita com seus livros para queimar uma estátua sua na Alemanha nazista. Ainda assim, durante um de seus últimos cursos, Montessori repetiu o que disse, de inúmeras formas, por toda a sua vida:

Se a salvação e a ajuda hão de vir, virão da criança, porque a criança constrói o ser humano.

Maria Montessori não era inocente, e sabia do poder de destruição das Guerras. Sabia do poder de silêncio do autoritarismo e dos enormes perigos de políticos que não enxergam além de seus próprios preconceitos. Mesmo assim, disse:

A construção da paz duradoura é tarefa da educação. Tudo o que a política pode fazer é evitar a guerra.

Evitar a guerra é importante. Talvez seja tarefa essencial para se construir a paz. Mas é uma tarefa diferente. Construir a paz é tarefa produtiva, positiva, para o futuro. Tarefa da criança.

Leis e tratados não são suficientes”, ela dizia, “é preciso um mundo novo, cheio de milagres.

Nós, adultos, podemos ter esquecido como se faz milagres, mas…

“a criança sabe realizá-los bem”, dizia Montessori.

É a criança que nos perdoa vezes sem conta por cada erro cometido.

É ela que acredita em nós de novo e de novo, e porque nos dá mais uma chance, nos dá a oportunidade de melhorar.

São nossos filhos que nos fazem encontrar o melhor de nós.

São eles que nos permitem perceber o nosso pior, e transformar.

A criança se esforça mais do que qualquer adulto em suas tarefas, e nos mostra quanto é possível conquistar com esforço incessante: parte da dependência absoluta, e alcança gradativa, mas rapidamente, a independência total de seus pais e professores. A criança vive pela lei do máximo esforço. E por isso nos mostra como o mundo poderia ser se todos se esforçassem ao máximo, verdadeiramente.

Nós temos a chance, todos os dias, com nossos filhos e alunos, de fazer o que Montessori chamou de a última das revoluções. Podemos ir mais longe do que jamais se foi na história da humanidade, se respeitarmos as necessidades da criança e a liberdade necessária para seu desenvolvimento.

Leis e tratados não são suficientes, mas não são dispensáveis. Se desejamos a revolução da infância, isso não se fará só dentro de nossas casas. Nossos mais importantes aliados para uma mudança de mundo que nos permita tempo com nossas crianças, escolas dignas da infância, e respeito a todas as necessidades infantis são a Declaração Dos Direitos da Criança e o Estatuto da Criança e do Adolescente. Hoje, no Brasil, quem melhor luta pela proteção dos direitos da criança é o Instituto Alana, pela iniciativa Prioridade Absoluta.

Vamos usar, proteger e garantir os direitos da criança e o adolescente, garantir a salvação e a ajuda que virão da criança, que constrói o ser humano, garantir um mundo novo, cheio de milagres.

Esta é a educação, compreendida como uma ajuda à vida. Uma educação desde o nascimento, que alimenta uma revolução pacífica e une a todos em um objetivo comum, atraindo-os como a um só centro. Mães, pais, políticos: todos devem combinar em seu respeito e ajuda a este delicado trabalho formativo, que a criança executa nas profundezas de um íntimo mistério psicológico, sob a tutela de um guia interior. Esta é a resplancente nova esperança para a humanidade” – Maria Montessori, Mente Absorvente


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Curso Montessori

Escrito por gabrielmsalomao

"A preparação que nosso método exige do professor é o auto-exame, a renúncia à tirania. Deve expelir do coração a ira e o orgulho, deve saber humilhar-se e revestir-se de caridade. Estas são as disposições que seu espírito deve adquirir, a base da balança, o indispensável ponto de apoio para seu equilíbrio. Nisso consiste a preparação interior, o ponto de partida e a meta." Maria Montessori, em A Criança

2 comentários

  1. Curiosa a publicação deste texto hoje e não antes das eleições. O conhecimento não é compartimentado, não há revolução sem política.

    1. Oi, Judite. Meu fracasso. Passei as eleições escrevendo ativa e constantemente em meu perfil pessoal. Faltou-me coragem para fazer isso aqui. Se por um lado não há (e eu concordo inteiramente contigo) revolução sem política, consolo-me em pensar que tampouco a política acaba nas eleições. Sobretudo agora, talvez seja importante continuar a lembrar a proteção dos direitos dos menores entre nós. Talvez ainda, sobretudo agora seja hora de continuar a fazer a política de que eles necessitam. Obrigado pelo seu comentário, mais do que importante.

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