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Paz VI: Esperança e Fé

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Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra.

Carlos Drummond de Andrade

Há crianças para quem Montessori parece encaixar-se como uma luva. A criança vem em uma direção, caminhando tranquila, sorridente e em silêncio. Na outra direção vem Montessori, nobre, silenciosa, encantadora. As duas se abraçam e caminham juntas a partir de então, em uma vida de concentração, trabalho, empenho contínuo e alegria sublime. Este texto não é sobre essas crianças. Este texto é sobre as outras.

Este texto é sobre aquelas que, ao avistarem Montessori longe à frente, param estagnadas, em susto, medo, dor e desespero. É sobre aquelas que arregalam seus olhos, gritam e se jogam no chão rindo escandalosamente. É sobre aquelas que começam a brincar com seres inexistentes e a fazer seres de fantasia a partir das pedras do chão. É sobre aquelas que correm, abraçam Montessori e depois puxam-na pela mão, querendo que derrube todos os objetos, quebre todos os pratos, empurre todos os colegas, em infinita e temível liberdade. É, finalmente, sobre aquelas que se recolhem, temendo o olhar firme, a mão refinada, as palavras diretas e simples. É sobre aquelas que se rodeiam de um fosso cheio de perigos e, enquanto impedem Montessori de entrar, proíbem a si mesmas de sair.

Este texto é sobre aquelas crianças acerca de quem, em um momento de desespero, dizemos: “Acho que Montessori não serve para ela” ou, em um desespero e desamparo ainda maior: “Acho que ela não serve para Montessori”.

Essas crianças existem. Montessori encontrou algumas delas ao longo da vida – várias. E muitas entre as classes mais abastadas. Montessori comentou sobre essas crianças em capítulos pelo meio do livro A Criança. E nós, famílias, educadores, cuidadores, profissionais da infância, encontramos essas crianças em nosso caminho. Elas desafiam nossas suposições, nosso conhecimento, nossa competência. Essas crianças nos fazem duvidar de nós.

O professor que era tradicional e optou por tentar Montessori, em um gesto de imensa coragem e ousadia, ao encontrar a criança que chuta o material apresentado pensa que quem sabe falte a este método a possibilidade de colocar limites… as crianças precisam de limites. O pai ou a mãe que foram criados com castigos, prêmios e imposições também sussurram para si, ou para quem confiam, que o quarto montessoriano funcionou muito bem, mas que Montessori precisa ser adaptado às crianças de nosso tempo, e precisa de alguns ajustes para o mundo de hoje.

Ainda mais difícil é o que acontece com a criança que, diante de todo material, recua. Com aquela que não deseja ouvir uma história, cantar uma música, participar de uma caminhada no jardim, trabalhar com um colega ou alimentar os animais da sala. Esta é silenciosa, fica a olhar a sala sem destino, e pode passar desapercebida ao professor. Para os pais, passa como um filho tranquilo, obediente. Mas ele não deseja fazer nenhuma daquelas coisas que se sugere em Montessori para casa. Só fica em seu canto, e só o que parece tomar sua atenção é a televisão… e então se vê televisão. Não é Montessori, mas, pensa o adulto, pensamos nós, mas Montessori não tem que ser igual para todo mundo.

A primeira criança é castigada. A segunda, ignorada ou esquecida. A primeira criança é reprimida, a segunda pode ser superestimulada ou deixada de lado. As duas correm um risco em comum: serem deixadas às margens de Montessori. Utiliza-se com elas os materiais todos, mas se abre mão da busca pelo Equilíbrio Natural da Criança. Nós lembramos que a criança deve aprender. Mas esquecemos de que ela pode e deve ser feliz. Lembramos de educar suas mãos para que ela escreva – antes de ler! -, mas nos esquecemos de ajudar a fazer brotar a sua concentração. E aí começam os nossos erros.

Educar as mãos humanas, fazer com que se aprenda um conteúdo, incutir uma habilidade, isso não precisa de Montessori para acontecer. A escola comum ensina a escrever. A família comum ensina a tomar banho e a comer. A escola comum ensina as cores. A família comum ensina a não bater a porta e a escovar os dentes. Nós não precisamos de Montessori para que os aprendizados ocorram e as habilidades sejam adquiridas. Nós precisamos de Montessori para o milagre científico do desenvolvimento fabuloso do cérebro humano. Precisamos de Montessori para a concentração, a alegria, o amor ao trabalho e ao silêncio, a autonomia. Precisamos de Montessori para a independência e a vida.

Mas isso é fácil de esquecer. É fácil esquecer que Montessori não é um conjunto de brincadeiras para deixar o filho ocupado. Que não é uma moda gourmet de decoração infantil. É fácil esquecer que Montessori não é o método da moda, que não é um cult. É fácil esquecer que Maria Montessori não é uma dessas personalidades que surgem para abalar os debates sobre educação e depois sumir em segurança, deixando tudo intocado. É fácil esquecer que Montessori não desenvolveu o método Montessori, mas a Pedagogia Científica, o Método de Ajuda à Vida. É fácil esquecer que o objetivo de Montessori era salvar a humanidade, que era um mundo novo, cheio de milagres e que, sobre os milagres, ela dizia que as crianças sabem fazê-los bem.

Montessori exige de nós, especialmente com as crianças que se fecham ou fogem, esperança e fé. É necessário crer profundamente, em todos os recantos de nossos corações inconscientes, que a criança irá se revelar por meio do trabalho com as mãos. É necessário esperar pacientemente, cheio de energia e vida, cheio de atenção no olhar, pelo momento em que uma criança e um trabalho falarão um com o outro, e o mundo ganhará mais uma peça no lugar certo. Isso, entretanto, não significa esperar inerte. Significa esperar agindo, ajudando, observando, dando distância.

Nós muitas vezes desejamos que as crianças se apaixonem pelos trabalhos disponíveis em nossa sala de aula na mesma sequência em que gostaríamos de apresentá-los. Seria magnífico, quase coreográfico. Mas não é sempre assim. É necessário ter flexibilidade. Acreditar na criança. Ter fé. É necessário lembrar que podemos estar errados sobre um interesse, um período sensível, uma capacidade já (ou ainda não) adquirida. E quando percebemos nosso erro é necessário ter esperança. Esperança de que seguindo a criança poderemos acertar da próxima vez.

Nós temos obrigação de conhecer os planos do desenvolvimento. De saber pelo menos os principais períodos sensíveis. Nos cabe, se queremos Montessori, conhecer as características que um trabalho deve ter para ser digno de nossas crianças. Precisamos saber pelo menos os princípios mais gerais da preparação de um ambiente. É necessário que conheçamos as propriedades da mente infantil e seu estado de graça, o Equilíbrio. Mas isso não basta.

Quando colocamos tudo para funcionar, quando damos o primeiro impulso na teia de relações entre todos os fatores do método Montessori, precisamos alimentar essas engrenagens com esperança e fé. Precisamos crer que, demorando mais, ou demorando menos, a criança surgirá. Que em um ambiente realmente preparado, com trabalhos realmente adequados, em algum momento a criança abraçará Montessori. Em algum momento elas caminharão juntas.

Talvez não para sempre. Talvez haja uma nova discussão, uma nova briga. Talvez aquela criança que demorou sete meses para se concentrar verdadeiramente, por vinte, trinta, quarenta e cinco minutos, sem desviar seu foco, recusando outros estímulos ou interferências externas, talvez aquela criança que depois de um semestre letivo finalmente entrou no caminho do Equilíbrio, talvez ela fraqueje. Especialmente se seu contexto extra-escolar dificultar demais as coisas. Especialmente se, ao contrário da casa, a escola não é Montessori. É nosso trabalho acreditar de novo. Nós não a perdemos para sempre. Nós não a perdemos. Ela só saiu um pouquinho do caminho da alegria, do bem estar, da tranquilidade. Mas ela vai voltar, por vontade.

Não nos cabe chamá-la. Montessori é concentração. E ninguém se concentra porque assim foi mandado. Só é possível se concentrar por vontade. Só é possível retornar ao caminho da felicidade por decisão interior. Nosso trabalho é crer e esperar. Fazer tudo a nosso alcance e então crer e esperar.

Algumas crianças nos desafiam. Desafiam nossa fé. Desafiam nossa esperança. Algumas crianças desafiam tudo o que sabemos. E elas são especiais. São essas crianças que nos farão dar mais um passo, ir um pouco mais longe. São essas crianças que nos obrigarão a saltar uma fenda em pedra mais larga que nossas pernas. São essas que nos farão correr o risco de cair, de desmontar, de falhar sonoramente. Essas crianças são aquelas que nos darão o impulso necessário para tentar algo que jamais tentaríamos antes. São essas que nos farão olhar para Montessori, para seus livros, para nossos treinadores e, gritando com os olhos, silenciar enquanto dizemos: vocês estão todos errados! Montessori não é para todas as crianças.

São essas crianças que nos farão crer que Montessori é para todo mundo. Para cada um. Sem exceção nenhuma. São essas crianças que nos empurrarão até o limite de nossa resistência e nos farão lembrar das palavras da mulher de Calcutá: amando até doer, descobrimos que em um momento não pode haver mais dor – só mais amor. Confiando até o limite, crendo até além de nossas capacidades, descobrimos em um momento que não há mais opção senão acreditar. Senão aperfeiçoar o que sabemos e fazemos de Montessori, acreditar e esperar.

Então, um dia, descobriremos impressionados, incrédulos, cansados, que aquela criança se concentrou. Que ela aceitou saltar a fenda conosco. E que ela chegou do outro lado. Olharemos para todos os livros, para Montessori, para nossos treinadores, com a garganta em um nó de vergonha. Eles estavam certos. Montessori serve para cada uma. Para todas. E nós descobriremos que assim é porque o objetivo de Montessori não é que se aprenda mais e melhor. O objetivo de Montessori é ajudar a vida. E onde há vida, pode haver ajuda. Onde a vida brota, pode haver Montessori.

Este texto foi integralmente baseado em crianças reais. Cada frase, exemplo, metáfora e exagero retrata um caso específico de criança presenciado pelo autor. Os números relativos ao tempo de concentração e a atitude das crianças também foram observados de verdade. Algumas dessas crianças exigem esperança e fé ainda hoje. Outras são bálsamos que garantem: se deu certo com elas, pode dar certo com todas as outras.

O que fizemos juntos em 2014

Leitores queridos,

a plataforma que hospeda o Lar Montessori gera um relatório anual sobre o funcionamento e o desempenho das páginas hospedadas. Há algumas coisas boas, legais, outras menos legais, menos boas. Mas da mesma forma que os textos deste blog estão sob uma licença Creative Commons, e os textos são nossos para quase todos os fins, os números desse blog também são nossos. Você leu, comentou com seus amigos e familiares, compartilhou. A única atitude honesta é mostrar a vocês onde isso levou o Lar – mas muito, muito, muito mais do que isso, a única atitude honesta é mostrar a vocês quantas crianças, em quantos lugares, a gente, junto, ajudou a ajudar.

Obrigado pelo ano passado, e por todos os futuros!

Aqui está um resumo:

O Museu do Louvre, em Paris, é visitado todos os anos por 8.5 milhões de pessoas. Este blog foi visitado cerca de 210.000 vezes em 2014. Se fosse o Louvre, eram precisos 9 dias para todas essas pessoas o visitarem.

Clique aqui para ver o relatório completo

Características de uma Escola Montessori

O método Montessori nasceu da observação de crianças trabalhando com objetos para a educação dos sentidos. Esse foi o começo rudimentar do que conhecemos e do que nos maravilha hoje. Montessori, quando começou suas escolas, não tinha o ambiente incrível que desenvolveu depois, nem todos os materiais que hoje utilizamos. No começo a professora tinha liberdade total para criar novidades, e Montessori ia conversando, aconselhando, observando junto. Aos poucos, ambas tomaram notas de coisas que agradavam às crianças e coisas de que elas não gostavam, e Montessori buscou tomar como base essa lista para a elaboração gradual do método todo. Trinta anos depois, em 1936, ela escreveu:

É também maravilhoso constatar que na posterior estruturação de um verdadeiro método educativo longamente elaborado com base na experiência, tenham-se conservado intactas as primitivas diretrizes vindas do nada. […] Assim, no primeiro esboço de um método educativo existe um todo, uma linha básica, onde se destacam três fatores principais: o ambiente, o professor e o material[…]

As primitivas diretrizes vindas do nada compõem a lista de que falamos:

  1. Trabalho individual
  2. Repetição do exercício
  3. Liberdade de escolha
  4. Verificação dos erros
  5. Análise dos movimentos
  6. Exercícios de silêncio
  7. Boas maneiras nos contatos sociais
  8. Ordem no ambiente
  9. Meticuloso asseio pessoal
  10. Educação dos sentidos
  11. Escrita isolada da leitura
  12. Escrita anterior à leitura
  13. Leituras sem livros
  14. Disciplina na atividade livre
  15. Abolição dos prêmios e castigos
  16. Abolição dos silabários
  17. Abolição das lições coletivas
  18. Abolição de programas e de exames
  19. Abolição de brinquedos e guloseimas
  20. Abolição da cátedra da professora

São vinte características que definem em linhas gerais os limites e a área sobre a qual se ergue todo o método Montessori. Se nos perguntam haver mais características, diremos que é claro que há. Se nos perguntam serem estes os princípios mais gerais de Montessori, diremos que não são. Os princípios mais gerais são menos detalhados, mais filosóficos e estão explicados em nossa página O Método, que você pode encontrar acima. Essa é realmente uma lista de características eminentemente prática na qual se detalham pontos muito importantes de uma sala montessoriana, e que, se se mantiveram inalterados ao longo de trinta anos de observação de Montessori, não há porque supor que deveriam ser alterados hoje.

Dessa forma, tomamo-los como base para uma lista de características de uma escola montessoriana. A lista, em formato PDF e com diagramação especial, você encontra ao final do texto, para download. Aqui, detalhamos cada um dos itens da lista, muito brevemente, para você saber o que cada um significa. Pode ser necessário recorrer a outros textos do Lar Montessori para compreender melhor alguns pontos. Este texto e o anexo são suportes para você escolher a escola de seu filho, mas essa é uma tarefa importante demais para ser feita com base em um texto só. Se você não entender alguma coisa, procure no Lar e fora daqui – especialmente, leia no próprio livro A Criança, de cuja tradução para o português foi tirada a lista acima, e que conta com capítulos e trechos explicando cada uma das características nas palavras de quem as descobriu.

  1. Trabalho Individual

A noção de trabalho individual não quer dizer que não há trabalho em grupo ou interação entre as crianças, mas você as encontrará mais sozinhas, trabalhando de forma independente, concentradas, e não em tarefas de grupo, coordenadas pelo professor.

  1. Repetição do Exercício

Há sempre crianças concentradas em salas montessorianas. E é comum que haja muitas repetindo o mesmo trabalho vezes sem conta. Isso é voluntário e não é estimulado ou impedido pelo professor. As crianças aprendem com liberdade para repetir o que gostam.

  1. Liberdade de Escolha

As crianças trabalham com materiais concretos que elas mesmas escolhem nas estantes da sala, onde eles ficam expostos. Há uma sequência de materiais apresentados para a criança e, dentro dela, a criança é absolutamente livre para trabalhar com o que quiser.

  1. Verificação dos Erros

Em uma sala montessoriana, você não encontrará um professor corrigindo o trabalho de uma criança. É possível que ele corrija comportamentos nocivos ao grupo. Os trabalhos são todos corrigidos pelas crianças, percebendo seus erros na interação com o material.

  1. Análise dos Movimentos

O ambiente montessoriano é um local de movimento constante, com as mãos e o corpo. Faz parte desse ambiente um conjunto de exercícios que auxiliam a criança a desenvolver a coordenação motora necessária para se mover cuidadosamente, devagar e com precisão.

  1. Exercícios de Silêncio

Um verdadeiro pilar de Montessori, os exercícios de silêncio são o ápice da concentração da criança e do domínio sobre seus movimentos. Todas as crianças fazem silêncio juntas e mantém o silêncio até que seja quebrado pelo professor, chamando cada um baixinho.

  1. Boas Maneiras nos Contatos Sociais

Quando você visitar uma sala montessoriana, não se surpreenda se as crianças forem educadas demais, gentis e até solícitas. Elas aprendem, no dia a dia, a cuidar bem umas das outras, e a tratar bem os visitantes, pessoas importantes que vêm conhecê-las.

  1. Ordem no Ambiente

Você notará sempre uma ordem quase sublime na sala montessoriana. Tudo está no lugar, limpo e organizado, paredes limpas, ambiente tranquilo, e os únicos estímulos serão os materiais, algumas plantas e peças decorativas delicadas e escolhidas com cuidado.

  1. Meticuloso Asseio Pessoal

Você já sabe que as crianças aprendem a se cuidar. Então vale saber que elas adoram fazer isso. Há numerosos trabalhos de Vida Prática, que ensinam a criança a executar tarefas do dia a dia, como se vestir e despir, lavar as mãos, pentear o cabelo e assoar o nariz.

  1. Educação dos Sentidos

Essa é a base material de toda a pedagogia montessoriana. Há materiais concretos para a educação dos sentidos. A criança os manipula e aprende dimensões, massas, cores, aromas, sabores, texturas e tudo o que pode ser absorvido e organizado pelos sentidos.

  1. Escrita Isolada da Leitura

Em Montessori não ensinamos escrita e leitura ao mesmo tempo. Aprendemos com as crianças que a escrita formal é mais simples, e a ensinamos com materiais concretos, que podem ser manipulados pelas crianças, e pela correspondência entre as letras e seus sons.

  1. Escrita Anterior à Leitura

Pelo fato de a escrita ser mais simples, ela vem antes da leitura. A criança elabora palavras porque aprende os sons das letras, mas não lê o que escreve no começo. A composição é feita e não pode ser sempre checada – vale dizer, ela não é corrigida pelo professor.

  1. Leitura sem Livros

A criança pode aprender a ler por meio de palavras que possa associar diretamente ao seu ambiente. É assim que fazemos. Depois, ela lê ações, em forma de ordens, primeiro muito curtas e depois mais longas, que executa, e assim, literalmente, aprende fazendo.

  1. Disciplina na Atividade Livre

A liberdade para trabalhar existe, e é dominante na sala. Dentro dessa atividade livre, as crianças são surpreendentemente autodisciplinadas e, quando necessário, respeitosamente auxiliadas pelo professor a encontrar o melhor comportamento em uma situação social.

  1. Abolição dos Prêmios e Castigos

Nós nunca usaremos, em uma escola, uma premiação ou um elogio para reforçar um bom comportamento, da mesma forma que punições e castigos jamais serão usados para exterminar um comportamento inadequado. Nós buscamos soluções, não atalhos.

  1. Abolição dos Silabários

A criança aprende por materiais concretos, e pelos sons individuais das letras, ou por dígrafos, em alguns casos. Não usamos os silabários, presentes em algumas instituições mais tradicionais de ensino, mas materiais como o alfabeto móvel e as letras de lixa.

  1. Abolição das Lições Coletivas

Há contação de histórias e músicas cantadas em grupo. Mas a participação nessas atividades deve ser voluntária e lições coletivas nunca são predominantes na sala. Quase todas as lições são individuais, muito breves, sucintas e objetivas.

  1. Abolição de Programas e Exames

É necessário escolher entre um currículo rígido e um programa preciso, ou o respeito à criança. A gente fica com a segunda opção. Temos uma sequência flexível de lições, e não aplicamos exames. A avaliação acontece por observação da atividade livre da criança.

  1. Abolição de Brinquedos e Guloseimas

Uma sala montessoriana não tem brinquedos, em sentido estrito. Não há nada sem objetivo, impensado. Os materiais são todos cuidadosamente criados e escolhidos. Também não usamos doces ou guloseimas para premiar o bom comportamento infantil.

  1. Abolição da Cátedra da Professora¹

Havia na primeira escola de Montessori uma grande mesa para a professora. Hoje não há mais. O professor caminha pela sala e vive no mesmo ambiente das crianças, e o ambiente é das crianças. Tudo é feito do tamanho delas, não há um espaço só do professor.

Lembre-se, a lista que fizemos aqui é só uma lista. Ela não é todo o método Montessori, o método é mais complexo e mais completo que isso. Entretanto, se a escola que você visitar contar com todas, ou pelo menos a maior parte, dessas qualidades, nós acreditamos que seu filho receberá excelente ajuda no caminho longo de seu desenvolvimento. Boa sorte

¹ – Achamos válido mencionar: no caso de o professor não contar com outros espaços para trabalhos burocráticos, é importante que a sala conte com uma mesa e uma cadeira para o professor. Essa cadeira pode ser usada em momentos de contação de histórias, por exemplo, também. É importante, porém, que a cadeira e a mesa não se tornem nunca símbolos da autoridade do professor ou uma muralha atrás da qual ele se guarde.

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Obrigado, e vamos juntos.

Este é o último texto do Lar Montessori em 2014. Nós já até temos um texto delineado para começar 2015 com o pé direito. Mas queremos nos despedir aqui do que, para nós, foi o melhor ano até agora. O ano em que conseguimos levar Montessori para mais gente, mais lugares e mais iniciativas. Nós vamos ficar longe até o meio ou final de janeiro – um mês. Mas o motivo é bom: eu (Gabriel) estou escrevendo um livro. E a ideia é tê-lo pronto pelo início do ano. Por isso, é necessário um afastamento breve.

O livro vai ser uma introdução aos princípios do método Montessori, em uma tentativa de recuperar as palavras de Maria Montessori e o sentido original de algumas de suas formulações. Quero que seja um livro de leitura fácil, leve, gostosa. Cheio de exemplos e citações retiradas dos livros mais importantes de Montessori. Não vai ser um manual de aplicação – isso, a Montessori deixou pronto para a gente no Dr. Montessori’s Own Handbook e no Pedagogia Científica. Vai ser um livro discutindo princípios fundamentais do método. Mas não é disso que queremos tratar neste texto.

Queremos, aqui, desejar a cada um de vocês, de verdade, com um abraço, um final de ano excelente. E um começo de ano melhor ainda. Queremos deixar um campo de flores de gratidão. Uma floresta inteira, verde e viva, de alegria e vontade. Queremos dar a você um calor intenso de raios de sol fortes e cheios de energia. Queremos dar a você o brilho do olhar da criança quando olha a libélula tocar a água em busca de alimento.

Nesse final-começo de ciclo velho-novo, queremos desejar a você mais encanto profundo com seus filhos, mais sorrisos tranquilos e caretas de concentração com seus alunos, mais conquistas com os seus pacientes. Queremos desejar a cada uma das crianças com quem você (con)vive um monte de chances de ver céus cheios de estrelas, mares cheios de água e de peixe e de planta. Praias cheias de areia e concha. Campos cheios de grama e grilo. Bosques e praças cheios de árvore, de flor e de raiz grande para sentar e descansar à sombra das folhas, lá no alto.

Nós queremos desejar a você a chance nova de mergulhar fundo no silêncio, de penetrar no íntimo das (não)palavras e de se emaranhar na confusão de muitos aprendizados novos de uma vez, para se desemaranhar depois e organizar conhecimentos novos, como a criança que separa, tom a tom, sessenta e três cores diferentes em um tapete, em uma sala na qual outras trinta crianças fazem outras trinta coisas diferentes, organizadamente também. Nós queremos que você possa acreditar. Na criança. Na capacidade interior fenomenal da criança. Queremos que você acredite que crianças podem aprender sozinhas. Queremos que você acredite que elas são as construtoras da humanidade. Foi isso o que tentamos costurar esse ano, e agora, que é hora de entregar o presente, este texto é só o embrulho, o pacote, e o cartão. O presente mesmo é o agora. É a sua vida e a da sua criança. O presente é o que você faz. O que a gente faz. A vida que a gente vai costurando no tecido puído e brilhante do tempo.

A gente vai desejar um Feliz Natal, para todos os que comemoram o Natal, um ótimo Ano Novo, para todos os que têm em 31 de dezembro e 1º de janeiro o marco da virada de um ciclo anual. A quem comemora diferente, acredita diferente e vive com outras datas, pedimos com toda a gentileza e humildade verdadeira, que considerem esse texto quando o seu ciclo for recomeçar. Este não é um texto datado. Ele é só um pacote. Você coloca dentro o presente que quiser. O presente que for o seu.

Um grande abraço, cheio de carinho, imenso de gratidão, feliz de conquista, esforço recompensado e votos longos e intensos de um 2015 incrível, cheio de descobertas. Votos de um “mundo novo, cheio de milagres”!

Gabriel, e o Lar Montessori.

PS: Se você gostaria muito de ter o que ler nas férias, nós preparamos uma lista com quatro textos, um para cada semana de nossa ausência, que já foram publicados no Lar Montessori, mas que vale ler de novo:

  1. Sobre Brinquedos que Brincam Sozinhos
  2. Natal Sem Noel: Uma Perspectiva a Favor da Imaginação
  3. Manual do Proprietário de Uma Criança Montessori
  4. O Buraco Negro e As Estrelas: Formas de Disciplina

Os Objetivos do Partido Social da Criança

O texto que segue foi traduzido a partir do original na página dos Educadores Sem Fronteiras, uma organização da Association Montessori Internationale que tem por objetivo levar Montessori para populações que ainda não foram verdadeiramente alcançadas por nós: crianças em situação de risco, crianças com deficiências ou necessidades especiais, adolescentes, idosos com demência e Alzheimer e outros grupos. Ele foi escrito por Maria Montessori, em 1937, para a Conferência Internacional de Montessori, em Copenhagen.

OS OBJETIVOS DO PARTIDO SOCIAL DA CRIANÇA– Por Maria Montessori

Afirmamos que a Criança tem não somente o Direito à Vida, mas também o de Ser Considerada um Cidadão do Estado.

Como cidadã, a Criança deve ser reconhecida em sua dignidade humana e deve ser respeitada como a Construtora do Ser Humano. A importância da personalidade da criança deve ser consagrada entre os princípios morais da humanidade, porque da criança depende não somente a constituição física do ser humano, mas também seu caráter moral. O futuro da Sociedade está, portanto, ligado à criança tão incondicionalmente quanto os efeitos às suas causas.

Declarando a importância da infância para a sociedade, afirmamos que a criança deve ter direitos iguais aos dos outros cidadãos perante a lei e as instituições que dirigem a organização social.

Portanto, objetivamos estabelecer que:

  1. Instituições governamentais sejam criadas para representar os interesses da criança, onde quer que os poderes constitucionais estejam em funcionamento. Portanto:

A. Membros especiais sejam eleitos no Parlamento, com o encargo de representar os Direitos da Criança e da Juventude em todas as discussões legislativas.

B. Um Ministério especial, O Ministério da Criança, seja instituído para executar as exigências práticas do reconhecimento dos Direitos da Criança como uma Cidadã do Estado e para coordenar todas as disposições existentes para garantir a vida e o desenvolvimento das crianças.

 

  1. Os direitos da Criança sejam considerados em toda reforma legal, e em toda decisão de interesse público, para que o progresso social futuro inclua um paralelo progresso para a vida da Criança.

 

  1. O Ministério da Educação aja, em todas as questões que digam respeito à organização das escolas e dos programas, sob a decisão do Ministério da Criança e os Membros do Parlamento que defendem seus vitais interesses.

 

  1. A Educação Obrigatória da criança e do jovem tenha como sua base a proteção do ser humano durante o curso de seu desenvolvimento físico e espiritual, e leve em consideração as necessidades vitais e naturais da criança. Desta maneira, os programas e a forma da educação prática, intelectual e social sejam concebidos de forma a responder às demandas da cultura, indispensáveis à organização social, de acordo com as exigências naturais do desenvolvimento humano.

 

  1. O cuidado necessário para o para o bem estar físico e espiritual *psicológico e emocional* da infância constituam parte indispensável de tal instrução compulsória.

 

  1. Instrução especial acerca dos cuidados físicos e psicológicos das novas gerações torne-se obrigação legalmente reconhecida àqueles que desejarem se casar; e que um certificado de completude destes estudos constitua-se um dos documentos necessários à celebração do matrimônio.

 

  1. À celebração do casamento, na leitura dos deveres mútuos efetuada pelo casal, sejam também incluídos os deveres dos pais para com seus filhos.

 

  1. O Estado seja o escrupuloso guardião das crianças e assuma, se reconhecido como insuficiente, o cuidado tomado pela família e interfira por poder legal quando o cuidado para com a criança for inadequado.

 

  1. A Questão da Criança seja representada e considerada em todos os movimentos sociais que objetivem alcançar a Paz entre os povos.

 

  1. A infância seja considerada como uma Nação, a Nação da Humanidade; que, sendo sua população a mais numerosa e sua importância suprema, sua autoridade prevaleça sobre aquela de qualquer nação, pois que seus membros formam parte de todas as nações e representam seu interesse mais inviolável, o interesse da Vida e da Existência. Dessa maneira, quando uma Liga das Nações estiver formada com o objetivo de organizar uma sociedade pacífica, a Nação da Infância seja legalmente representada.

Maria Montessori, Copenhagen, 1937

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Vinte Anos em Montessori

Publicado em

Lutar, e lutar pela Paz. – Maria Montessori

Hoje, agorinha, a página do Lar Montessori no Facebook chegou a 1.000 likes. Mil. Há três anos eu mal pensava que haveria dez. Faz três prazerosos anos que escrevo sobre Montessori e que falo sobre Montessori todos os dias. É uma realização que eu não sabia que se podia ter tão cedo na vida.

Mas faz mais anos que vivo Montessori. Fui matriculado em uma escola montessoriana aos dois anos de idade, e lá permaneci por doze, até sair no meio de minha adolescência, porque a escola terminava na antiga oitava série e eu devia seguir para o primeiro colegial em um Ensino Médio tradicional.

Durante os três anos do Ensino Médio não passei mais de um mês sem revisitar a escola onde estudara, e fui lá conversar com os adolescentes sobre Montessori e sobre como estudar, e como fazer valer a pena o tempo que eles estavam passando lá. Ainda na faculdade, retornava mês a mês na escola.

Eu estudei Letras na minha graduação. Ler era minha paixão – ler ainda é minha paixão. E ler era pelo menos um bom passatempo para a maior parte dos colegas que vinham da escola montessoriana onde eu havia estudado. Mas ler não era uma passatempo para os meus colegas de Ensino Médio tradicional, nem para os meus alunos de aulas de reforço e aulas particulares.

Buscando entender isso melhor, eu voltei para a escola onde estudara ao longo de toda a infância e parte da adolescência. E sentei para observar – a minha coordenadora não quis me explicar nada antes de eu sentar e observar – à época, eu não entendia quão montessoriana era a prática à qual ela me submetia. Mas sentei e observei.

A revelação de dez horas de observação seguidas foi chocante. O que fazia aqueles alunos gostarem de ler era poder escolher o que eles leriam. Não só em literatura, romance, conto, poesia, crônica… Também em Geografia, Ciências, História, e para meu espanto, inclusive em Matemática se podia escolher o que ler. É muito diferente ser aluno em uma realidade, e depois olhar para ela de novo, com olhar investigativo. Minha coordenadora confirmou minha hipótese, mas jogou um geladíssimo balde d’água em minhas expectativas de levar a prática para a escola tradicional. “Ou você adota o modelo inteiro, ou não consegue adotar nada”, foram mais ou menos as palavras dela.

E se era questão de adotar o modelo inteiro, eu fui fazer o que tinha aprendido com ela, e com a escola: fui estudar o modelo, estudar Montessori. Lia um artigo aqui, um ali, meia dúzia de vídeos, mais uns sites interessantes, e ia achando tudo muito bonito, muito com cara de solução mágica para os problemas do mundo.

Em uma noite, assisti ao filme “Maria Montessori: Uma Vida Dedicada às Crianças” e li o livro “Dr. Montessori’s Own Handbook”. Foi então que entendi: não era mágica, mas era mesmo a solução para muita coisa. O problema de não ser mágica era que, por ser ciência, precisava ser muito bem compreendida, e se era algo científico, ia ter de ser feito por muita gente. Então eu precisava ler e escrever, assistir e falar, aprender e espalhar muito.

Por uma trilha que começou com Formação do HomemA Educação e a Paz, continuou com Pedagogia Científica e depois migrou para as edições em língua inglesa de Mente AbsorventeA CriançaA Descoberta da Criança, fui (re)conhecendo o caminho pelo qual eu caminhei, por doze anos, e o caminho que eu decidia, página a página, trilhar a vida toda.

Completam-se agora vinte anos de Montessori em minha vida, e eu preciso dizer: o fato de poder dividir com todos vocês os três anos mais recentes, de poder entrar um pouco na casa de vocês, na intimidade absoluta dos quartos dos seus filhos, na delicadeza sutil e frágil dos olhares que vocês laçam às suas crianças, nos movimentos de suas mãos quando lidam com os pequenos, tudo isso fez dos últimos três anos os melhores da minha vida.

O Lar Montessori começou muito frágil, simples, pequeno (você pode ver o começo dele nos posts mais antigos). Começou com traduções de artigos estrangeiros, e aos poucos uma ou outra opinião, uma ou outra reflexão. Isso aos pouquinhos tomou corpo, eu tomei um pouco de coragem – um pouco, só, confesso – e treinei os ombros para a responsabilidade de que me alertou a diretora da escola montessoriana, quando lhe contei que o Lar havia sido visitado 10.000 vezes.

Hoje, são quinhentas visitas por dia, de dezenas de países, e a responsabilidade é muito grande. Quando parece demais, quando parece muito, lembro-me do que escreveu Montessori:

 “Lutadores – é o que somos: lutamos pela “paz na terra” […] neste momento, não podemos fazer diferente – continuamos ‘porque devemos’, porque ‘é assim que as coisas são’ e ‘é assim que devem ser'” e  “Este é nosso destino: semear! Semear em todos os lugares, sem cessar, nunca colher”.

Pessoalmente, parece-me momento oportuno para, com uma frase de Montessori, finalmente colocar a missão do Lar Montessori, muito genericamente expressa na frase “Montessori para Todas as Crianças”, como sendo a de ajudar a levar a cabo as medidas expressas na declaração seguinte:

“Nossa preocupação principal deve ser educar a humanidade – os seres humanos de todas as nações – para orientá-los a buscarem objetivos comuns. Precisamos nos voltar e fazer da criança nossa principal preocupação. Os esforços da ciência devem se concentrar sobre ela porque ela é a chave para os enigmas humanos… A sociedade deve reconhecer completamente os direitos sociais da criança e preparar para ela e para o adolescente um mundo capaz de garantir o seu desenvolvimento espiritual” (em A Educação e a Paz).

O Lar Montessori, e vocês, fizeram juntos muita coisa por Montessori. Juntos fomos muito longe. Há muitas crianças que vivem melhor hoje do que há três anos atrás, em decorrência do trabalho desenvolvido por um grupo de pessoas extremamente dedicadas, que se empenha na moderação de grupos em redes sociais, e mais um grupo maior de famílias e educadores muito conscientes da importância da criança, e que não perdem a chance de despertar mais um adulto para o tipo de comportamento que precisamos ter no mundo se desejamos honrar a vida daqueles que são os melhores entre nós.

Se é possível lhes fazer um pedido, nesta data que para mim é especialíssima, peço encarecidamente:

Fale com seus conhecidos, parentes, colegas de trabalho, amigos mais próximos. Você não precisa dizer a palavra Montessori se achar que vai assustá-los de início, ou que vai afastá-los. Mas converse com eles, conscientize-os sobre a importância da criança. Juntos, e só juntos, nós podemos fazer muito.

Juntos nós podemos tornar concreta uma “educação capaz de salvar a humanidade”.

vamos?

Curso Presencial em Dezembro

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Estudar Montessori por escrito é muito bom. Eu sei, eu também faço isso o tempo todo. Assistir a vídeos e trocar informações online são mais chaves incríveis de aprendizado montessoriano. Mas uma nova possibilidade vem surgindo para famílias que desejam levar Montessori para casa, e o Lar Montessori comunica cheio de alegria que, junto com os Pais do Ben, é protagonista nisso.

Neste segundo semestre de 2013, exatamente cem anos depois do primeiro curso internacional ministrado por Maria Montessori, se iniciam os cursos de Montessori para famílias no Brasil – por enquanto, na cidade de Fortaleza, Ceará. Em nosso último encontro, tivemos cerca de vinte presentes, e a experiência foi incrível. Então, decidimos fazer de novo:

Dias 14 e 15 de dezembro, em Fortaleza

Curso de Introdução ao Método Montessori*

Veja tudo sobre o curso e faça sua inscrição aqui.

Venha descobrir Montessori pessoalmente e trocar com famílias que têm os mesmos anseios que você.

Há alguns meses escrevi no blog do Centro de Educação Montessori de São Paulo um convite a colegas que, como eu, pensassem em fazer um curso de formação montessoriana para atuar em sala de aula. A situação é distinta, e nosso curso é de introdução, e não de formação em Montessori, mas acredito que uma das reflexões lá consideradas nos serve bem aqui:

A leitura é imprescindível. Estudar Montessori à exaustão é o mínimo que se pode fazer, é o primeiro passo no imenso caminho de se tornar um professor (e uma família, diríamos) montessoriano, mas ainda é só o primeiro passo. Viver Montessori como aluno é para mim uma lanterna, e a leitura de seus livros é como um cajado. Como manto, a observação de salas de aula me serve bem, e como mapa as conversas com professores muito antigos. Mas para realmente iniciar o caminho, o curso é, para mim, a trilha.

Espero você nos dias 14 e 15 de dezembro, em Fortaleza, para estudarmos e aprendermos sobre Montessori.

*Para aqueles que já fizeram o curso de Introdução, haverá também um de aprofundamento.

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