O Quarto Montessoriano

O Lar Montessori gostaria de fazer um pedido. Se você tem um blog e quer escrever sobre o quarto montessoriano, mas ainda não tem informação suficiente para produzir um texto completo, você pode copiar trechos do nosso, ou até mesmo o texto integral. Só pedimos que você mantenha, explícita e honestamente, a referência ao Lar Montessori.

Para compreender melhor este artigo visite o blog
How we Montessori“. Há lá fotos belíssimas.

Em vários artigos deste blog o quarto montessoriano é mencionado, mas percebi há poucos dias que em nenhum dos textos eu o detalhei com cuidado. Como há cada vez mais textos e reportagens sobre o quarto montessoriano, com boa e má qualidade de informação, achei uma boa ideia escrever, pela primeira vez, um texto em detalhes sobre o quarto da criança em Montessori.

O primeiro passo para a montagem de um quarto infantil é adotar o ponto de vista da criança. Aquilo que ela puder acessar deve ficar ao nível de suas mãos. Os brinquedos dela são dela, e podem ser deixados em prateleiras baixas o suficiente para que os alcance. O mesmo se pode dizer de suas roupas. Se queremos que a criança se vista sozinha um dia, e saiba escolher o que vestir, devemos deixar pelo menos algumas de suas peças disponíveis para o acesso.

O ponto de vista da criança não é só a altura de seus olhos ou o alcance de seus braços, mas o comprimento de suas pernas. Um quarto muito grande no qual haja brinquedos e materiais por todas as paredes é pouco prático, caro, dá trabalho para limpar e organizar e a criança não consegue de nenhuma forma controle total sobre seu ambiente.

Então, aqui, vamos abordar três grandes tópicos:
1. A Cama
2. A Mobília
3. Os Estímulos

A cama da criança pode ser mesmo uma cama. Não precisa ser um berço, e eu vou dizer isso de novo: não precisa ser um berço. Quando comecei a estudar Montessori em casa, me parecia radical demais tirar o berço. Mas só é assim porque culturalmente somos criados para pensar que ele é necessário. Em dezenas de outras culturas (que não a branca ocidental), as crianças dormem no chão, em colchões ou almofadas dos mais variados tipos, a depender do povo. O que nós defendemos, com uma abundância de evidências positivas bastante animadora, é que a criança pode, sem risco de saúde ou segurança, dormir em um colchão, que pode ser colocado direito sobre o chão ou sobre um estrado baixo ou uma camada de borracha, para isolá-la da temperatura do piso.

Quando o bebê é pequeno, muitos pais gostam de proteger este colchão com almofadas, em volta, para que a criança não corra o risco de cair durante a noite. É uma ideia que pode ser boa, especialmente se o piso é frio, mas que não é essencial uma vez que a criança ultrapasse os primeiros meses de vida. Em nenhum momento uma cerca é necessária. A criança não precisa ficar presa se o quarto for adequado a ela, basta que fique segura. Até a possibilidade de cair é importante, porque a criança aos poucos aprende a controlar seu corpo durante o sono – Durante o dia, deixe a cama sem proteção alguma, para que seja fácil para seu filho subir e descer da cama quando desejar.

Ao lado do colchão, você pode deixar um tapete longo, para que a criança não pise direto no chão gelado quando acordar. Isso não é uma recomendação estritamente montessoriana, mas a tensão imediata dos pés de manhã cedo pode ser bem desconfortável e tensionar o corpo todo em seguida. Se o quarto for pequeno, ou se o piso for de madeira, isso é menos necessário.

Muitos leitores nos questionam sobre a cama compartilhada. Havia uma passagem aqui, que não advinha estritamente de Montessori. Optamos por editar o texto. Montessori não faz nenhuma observação sobre o compartilhamento de cama, e há inúmeros argumentos, na obra de Montessori, que podem ser usados com igual justiça a favor e contra a cama compartilhada. Por isso, não nos manifestamos aqui.

A mobília do quarto infantil é simples. Não é necessário haver nada muito sofisticado, mesmo! As crianças gostam de ser, muito mais que de ter. Se pudermos proporcionar a elas a possibilidade de se tornarem seres humanos plenamente desenvolvidos, isso já as satisfaz. Assim, poucas coisas são realmente necessárias no quarto infantil: um espelho horizontal baixinho; estantes baixinhas; uma barra na parede; espaço livre e uma janela que ilumine bem o cômodo.

O espelho é interessante por diversos motivos. A criança pequena gosta muito do rosto humano. Por algum motivo biológico mesmo, é algo que lhe agrada. Assim, poder ver um rosto humano a qualquer momento sempre é bom. Fora isso, é importante para o bebê reconhecer seu próprio rosto, as possibilidades de movimento dele e as partes de seu corpo. Isso não se dá de forma consciente e nem é um processo imediato. Mas não temos pressa. O tempo da criança é interno a ela e nossa tarefa é só ajudar. Fora isso, enxergar-se pode ajudar a criança a se reconhecer como indivíduo, auxiliando no desenvolvimento da autonomia e da força de vontade. Por motivos de segurança, o espelho precisa ser muito bem preso. Pode ser de vidro, bastando ser bem colado em uma placa firme de madeira ou MDF.

As estantes baixas não precisam ser construídas à parte – embora possam, se você assim o desejar, e isso só será positivo. Você pode adaptar os armários que já existem, tirando suas portas, colocando puxadores mais para baixo ou simplesmente deixando as portas sempre abertas. Usar as gavetas de baixo para colocar as roupas às quais a criança pode ter acesso também é uma boa ideia. Você não precisa nem deve colocar todos os brinquedos e todas as roupas à disposição do seu filho de uma só vez. No livro Montessori: The Science Behind the Genius, Lillard explica que até seis opções são uma boa ideia, porque aumenta a sensação de bem estar da criança. Mais que isso começa a ser demais e muito mais que isso fica realmente confuso. Você pode praticar uma rotação de objetos e deixar sempre presentes aqueles que a criança gosta mais e ir trocando aqueles que ela escolha com menos frequência.

A barra na parede tem uma utilidade só: ajudar a criança a andar, sem depender da ajuda direta dos pais. Pode-se pendurar objetos nesta barra, com espaços de intervalo, para que a criança tenha objetivos a atingir quando tentar caminhar. A utilização da barra precisa ser ensinada, claro, devagar, passo a passo, e quando você perceber que seu filho está tentando levantar e dar os primeiros passos. A barra poder ser daquelas de cortina, mesmo, bem presas a mais ou menos 50cm do chão- isso vai variar conforme a altura de seu filho.

O espaço livre aumenta se o quarto é feito seguindo algumas dessas dicas. Diminuem os móveis, e a dimensão dos que sobram é menor. Assim, a criança tem mais espaço para brincar, aprender, se mover e ser livre. A janela é importante para que haja luz natural no quarto, que faz sempre bem.

Os estímulos de que a criança precisa são os do mundo que a cerca. Os brinquedos e os materiais, assim como os livros, não precisam ser muitos e nem muito sofisticados. Madeira e metal são os melhores materiais para brinquedos, porque realmente oferecem prazer para os sentidos, muito mais que plásticos.

Um dos materiais mais interessantes para a criança pequena é a Cesta dos Tesouros, que você pode ver clicando aqui. Para bebês novinhos, móbiles são uma boa ideia também – você pode ver mais sobre eles aqui e aqui. Tome uma precaução quanto aos móbiles: evite colocá-los sobre a cama ou sobre o colchão da criança. Esses são espaços de dormir. Os móbiles devem ficar em espaços de movimento, como diante do espelho, por exemplo.

Os livros não precisam ser materiais sensoriais. Eles podem ser só de leitura, e o exercício de abrir, ver figuras e virar páginas já será interessante para a criança. Especialmente se os pais lerem para a criança e para si mesmos (é muito, muito importante que os pais leiam como atividade de lazer, sozinhos, para estimular a leitura nas crianças). Evite a todo custo livros que emitam sons. Excessos de estímulos não fazem bem para a criança e fazem com que a atenção dela seja desviada de qualquer foco possível.

Vale a pena ter instrumentos musicais e um rádio, no qual podem tocar, por períodos do dia, músicas de compositores clássicos, em geral adorados pelos pequenos. Os instrumentos podem ser uma flautinha doce simples e boa, um violão, um chocalho ou um tambor.

~

O Quarto Montessoriano é um dos temas mais discutidos no grupo do Facebook “Montessori para Mamães”, no qual papais e educadores também são muito bem vindos e você pode encontrar boas informações nos seguintes links:

Vídeo de um lindo bebê em uma cama montessoriana:

Reportagem do iG Delas:
http://delas.ig.com.br/filhos/2012-11-01/seu-filho-precisa-mesmo-de-um-berco.html
Blog Potencial Gestante:
http://potencialgestante.com.br/tag/quarto-montessoriano/
Montessoriando – Quartos para recém nascidos (Fantásticas ilustrações):
http://montessoriando.blogspot.com.br/2012/05/quarto-montessori-para-recem-nascidos.html
Montessori & Família (blog do Montessori para Mamães):
http://montessoriefamilia.blogspot.com.br/2012/05/um-outro-conceito-sobre-quartos-de.html


16 comentários sobre “O Quarto Montessoriano

  1. Uau, Gabriel, achei corajoso de sua parte ahahahaMas falando sério, ótimo artigo, que como todos os ótimos artigos, fomenta várias relfexões! Aqui partilhamos a cama com os bebês até dois anos, mais por praticidade (amamentação em livre demanda) que só pelo fato de ser agradável (mas é bom mesmo!). Aqui o esquema era o berço ao lado da cama, sem uma das grades, e assim que aprederam a andar, antes de 01 ano, eles já subiam e desciam com tranquilidade. A passagem para o quartinho deles, aos dois anos,foi sem traumas, na verdade, nos dois casos, foi com festa, eles adoraram ter seus próprios cantinhos, acho até que poderia ter sido antes, mas não pude por fatore$ diver$o$. Sobre ninar, sou adepta da teoria da extero-gestação, que você deve conhecer bem, então não acredito que issof gere qualquer tipo de insegurança, mas fortique o vínculo afetivo. Alguns pediatras não sabem a diferença 🙂 Hoje mesmo eu li um post muito interessante sobre sufocamente e segurança na cama compartilhada, no blog "As delícias do Dudu". Acho que foi um dos poucos, além do seu, que eu vi tratarem de forma objetiva sobre essa questão, sem fugir dos fatos. Será que posso partilhar o link aqui? ACho que sim, pois você falou sobre troca de informações, Dá uma olhada: http://www.asdeliciasdodudu.com.br/2012/07/cama-compartilhada-cc.htmlNão concordo com tudo que a autora ala, mas a parte sobre segurança é bem esclarecedora. Eu queria mesmo era ver a opinião da Nádia Mota Monteiro aqui, para saber se Montessori e Extero-Gstação são conciliáveis, já que ela defende as duas 🙂

  2. Cheguei aqui após procurar informações sobre gestação. Caí primeiro no potencial gestante e de lá acabei aqui. Estou até agora com um misto de sentimentos me impulsionando a querer entender e conhecer essa forma de dar à criança a capacidade do participar do mundo de maneira natural e suave. Há alguns dias conversava com minha mãe e irmã sobre o fato de não querer berço no quarto do meu filho. No mesmo momento em que falei fui praticamente apedrejada: "como pode um quarto sem berço? A criança vai dormir onde?" Eu dizia: "na cama." Mas eu só não sabia como faria para que a criança não caísse da cama, não sabia se colocava um colchão do lado ou barreiras nas laterais. Após ler esse post vou me empenhar em procurar mais informações sobre o colchão. Adorei os móveis à altura da criança, a barra na parede e os espelhos baixos, com eles o quarto realmente é para a criança e não para os adultos cuidarem das crianças. Ainda não sei se estou grávida, mas seu artigo me fez ter a certeza de que quero meu filho integrado ao mundo desde cedo, quero-o independente, curioso, capaz de pensar e concluir ideias sozinho. Continuarei lendo os posts antigos. Obrigada.

    1. Eu estou começando a ler sobre os assuntos, já que pretendo ter filhos logo. O que eu posso dizer é que já tive conversas com minha mãe sobre não berço, e a resposta foi a mesma que você: “Como não ter berço?”
      Por enquanto só vejo vantagens nesse método. Vou continuar a estudar mais e ver no que isso vai dar

  3. Olá Gabriel! Um novo mundo se abriu para mim desde ontem, quando comecei a ler sobre o metodo Montessori! A gente sempre acredita que está fazendo o melhor por nossos filhos e então, bum, descobrimos muitas coisas novas!!!Enfim, minha filha está com 02 anos, vai ao berçario desde os 7 meses e é extremamento independente, ou tenta ser..digo, adormece sozinha, se alimenta sozinha, essas coisas. Mas o acesso ao berço, ou a comida, por exemplo, ela não tem!!! Eu estou muito interessada em mudar isso, por exemplo iniciando com seu quarto, pois é um espaço muito grande para uma criança, mas que pode ser tão rico em oportunidades. Gostaria de sua ajuda no sentido de como fazer essa transformação aos poucos? Ela dorme no berço, sempre dormiu…NUNCA dormiu em outro ambiente durante a noite…Não sei como seria passa la para uma cama baixa neste momento…não quero ter gastos, então já estou pensando em coisas da casa para aproveitar…Mas enfim, o que quero saber é- mudamos tudo de uma vez, ou aos poucos?Na verdade ela fica pouco em seu quarto, pois moro em sobrado, então ficamos mais na sala- no ambiente de baixo, onde ela tem seu cantinho com brinquedos e tem acesso a todos eles…mas eles ficam numa caixa (isso sempre me icomodou, pois percebo que ela não sabe nem quais brinquedos tem). Isso vai mudar!Bom, é isso, agradeço se puder me orientar! Vou continuar lendo…ObrigadaJuliana

    1. Oi ANonymous, minha netinha passou para o colchão no chão (minha filha é professora em uma escola que usa o método Montessoriano)aos dois anos e de um dia para outro. O berço foi para a vizinha que ia ter nenê, e o colchão foi para o chão. Ela adorou a novidade e adormece lá na maior tranquilidade.

  4. Olá Gabriel. Tudo bom? Estou começando a me familiarizar agora com o método Montessori.
    Já possuo espelho e brinquedo na altura do meu bebe no quartinho dele.
    Minha dúvida é a seguinte. Gostaria de tirar o berço. Ele tem exatos 18 meses. Gostaria de saber até q idade eles podem dormir no chão? Pergunto isso pq gostaria de uma opinião sua. Será que ainda dá tempo de colocar ele para dormir no chão em uma cama estilo Montessori ou eu já deveria comprar uma minicama?
    É meu primeiro filho e não tenho idéia de qual é a idade q a criança já consegue subir e descer de uma cama infantil…
    Dormir diretamente no chão é recomendado até q idade?
    Abs e parabéns pelo site!

  5. Posso ter além das coisas necessárias num quarto montessoriano uma poltrona, uma cômoda e um guarda roupa fechado normal ou tenho que retirar do quarto?
    Pq fico me perguntando onde guardarei as outras coisas q não ficarão à disposição do baby
    Obrigada

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s