Os Encantos do Real – Materiais de Pareamento

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Em 1907, Maria Montessori já havia passado alguns anos a testar seus materiais. Entretanto, foi entre esse ano e os dois seguintes que percebeu o potencial latente daquilo que havia desenvolvido antes. As adaptações que fizera às criações de Itard e Séguin, assim como aquilo que ela mesma criara, proporcionavam o que muitos jornais chamaram de “milagre da educação” – algo que Montessori se recusou a ver inicialmente por descrença, mas que foi forçada a aceitar depois: Aquele conjunto belo de peças delicadamente construídas e sabiamente dispostas e apresentadas permitia às crianças o desenvolvimento da autoeducação.

Montessori tentou usar muitos materiais, brinquedos e objetos além daqueles que existem nas salas hoje. Ela não sabia o que agradaria aos pequenos e os ajudaria em seu caminho para a vida. Aos poucos, porém, notou que um determinado conjunto de materiais era o que sempre atraía olhares, mãos e concentração de suas crianças e, por isso, eliminou aos poucos tudo o que se fazia supérfluo, conservando somente a – imensa – gama de materiais utilizados diariamente e espontaneamente por seus alunos. Notou, também, que tudo o que permanecia tinha como característica fundamental um conjunto de três princípios ativos:

  1. Manipulação da Criança
  2. Isolamento da Dificuldade
  3. Controle do Erro

Manipulação da Criança: Os materiais montessorianos são materiais de desenvolvimento, mais do que materiais didáticos. Por isso, é fundamental que sejam usados pela criança, pelas mãos da criança, para aprender e se desenvolver, mais do que pelo adulto para ensinar e transmitir conhecimentos. Os materiais devem ser usados em trabalhos que engagem mão, mente e coração. Por isso, é importante que sejam agradáveis ao toque e atrativos para a criança – e não impostos por nós por quaisquer motivos. Nós dispomos e apresentamos, mas não impomos jamais.

Isolamento da Dificuldade: Quando a criança vem ao mundo, não sabe como tudo isso funciona. Por esse motivo, apresentar a ela uma dificuldade de cada vez é ajudá-la a compreender o universo à sua volta e a agir nele com sucesso desde muito pequena. Assim, cada material montessoriano envolve um desafio, um objetivo, uma dificuldade. Em vez de tentar ensinar o máximo no menor espaço de tempo, tentamos ensinar qualquer coisa em um tempo justo, para que a criança absorva com alegria e sossego.

Controle do Erro: É possível chamar esta característica de um dispositivo contido em todos os materiais e que garante a autoeducação em si – não em isolamento, mas tendo de estar obrigatoriamente presente. Todos os materiais montessorianos têm algo em si que permite à criança corrigir-se e repetir sozinha a atividade até alcançar sua perfeição (usualmente algo superior à nossa). O material “diz” à criança quando ela erra, e o adulto não precisa fazê-lo. Assim, os pequenos podem trabalhar ininterruptamente por horas, aperfeiçoando habilidades e conhecimentos, sem que precisemos interromper ou corrigir.

Em todos esses sentidos, é um desafio muito grande construir materiais que ensinem conteúdos às crianças. De um lado temos materiais como a Torre Rosa e os Cilindros, que contém todas as propriedades dos materiais, mas cujo conteúdo é muito mais sensorial que intelectual. Outra é tentar ensinar como vivem as plantas ou os animais. Neste sentido, a alternativa mais comum são os materiais de pareamento.

Materiais de pareamento são aqueles que trazem, de forma geral, belas ilustrações, figuras tridimensionais e etiquetas com palavras, para que a criança agrupe objeto, figura e palavra. São uma boa alternativa, entretanto via de regra enfrenta-se problemas porque é difícil encontrar uma figura tridimensional que corresponda a uma outra figura impressa ou desenhada de forma satisfatória para podermos contar com o isolamento da dificuldade e o controle do erro.

Nesses aspectos, a Montesorriso inovou corajosamente. Utilizando seus esforços para a construção de modelos tridimensionais artesanais, possibilitou o pareamento perfeito entre uma ilustração e uma peça, já que busca criar peças que correspondam de fato às ilustrações utilizadas. O trabalho desafiador escolhido pela Montesorriso foi mais do que criar materiais montessorianos – foi, antes, ajudar escolas e famílias a encontrarem algo precioso para nossas escolas e nossos lares: materiais montessorianos que de fato contem com todas as características necessárias.

Os materiais da Montesorriso também trazem consigo características para-didáticas, também sempre presentes nos materiais montessorianos, e que são responsáveis por dar ainda mais prazer à criança enquanto ela executa suas atividades: são organizados, belos e simples. O artesanato com cores leves e um material agradável ao toque, assim como a construção minuciosa dos modelos semelhantes às imagens permite à criança a noção da harmonia interna do material, evidenciando assim o encanto do mundo real e auxiliando a criança em sua caminhada para a vida.

Montesorriso

Materiais

Escrito por Gabriel Salomão

Eu sou Gabriel Salomão, pesquisador e autor do Lar Montessori. Eu ajudo famílias e professores a incorporarem o método Montessori em sua vida e seu trabalho. Fui aluno de uma escola montessoriana por doze anos, e trabalhei em algumas escolas montessorianas depois, como professor e consultor. Vivo Montessori todos os dias, como pai, professor, consultor, ou pesquisador. Em 2019 terminei meu Doutorado sobre Montessori na Mídia, pela Universidade de São Paulo. Veja mais sobre meu trabalho aqui.

6 comentários

  1. Gabriel, seus posts são sempre maravilhosos.Eu aprendo muito com seus textos e seus vídeos no youtube. Por que você não monta um “curso” a distância pra nós mamães estudarmos todo o conteúdo de 0 a 6 anos, passo a passo??? sinto falta de materiais de estudo organizados pra gente estudar em casa…. sei lá, é só uma ideia… Abraços!

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