A Ciência das Palmadas e Porque Bater Não Funciona

Quase todo adulto bate e quase toda criança apanha. No Brasil, sete de cada dez crianças já apanharam, e dessas, quase todas começaram a apanhar antes dos três anos de idade. É o segundo tipo de “castigo” mais usado por pais com seus filhos. Diante disso, cabe a pergunta honesta: as palmadas ajudam de alguma maneira? Quais as consequências de educar batendo?

Os estudos científicos mais recentes e mais sérios não encontraram bons motivos para usar palmadas, mas encontraram problemas. Muitos problemas. Ser educada com palmadas ou violência física de outros tipos tem consequências graves para o desenvolvimento emocional, cognitivo e social das crianças. Veja abaixo algumas das descobertas recentes, e compartilhe com outras famílias para que mais crianças tenham chances maiores de um desenvolvimento positivo.

Bater não melhora o comportamento das crianças. Em todos os estudos, bater nas crianças não levou a mudanças no comportamento indesejado. As crianças não deixam de fazer as coisas porque apanham, basicamente.

O comportamento das crianças piora! Além de não resolver os problemas, as palmadas fazem o comportamento da criança ficar mais complicado ainda. É o oposto do que os adultos desejam, mas é a consequência mais comum.

Palmadas podem levar a problemas na saúde mental. Então quando um adulto diz “Eu apanhei, e não me fez mal”, ele pode não estar errado, mas é um argumento ruim. Para muita gente, apanhar fez mal.

Punição física aumenta a chance de comportamentos anti-sociais. Isso vale inclusive para longo prazo. É claro que não é uma única palmada que vai causar tudo isso. Mas em quase todos os países, 70% das crianças apanham com frequência, então isso pode ser grave para bastante gente.

Se bater não funciona, e bater é a única ferramenta, então os pais vão bater mais e mais. Punições físicas não funcionam para levar as crianças a obedecer, então os pais acham que precisam punir mais e mais. É por isso que é tão perigoso. – Elizabeth Gershoff, PhD (Univ. do Texas, Austin)

Na hora pode ser que bater funcione para parar um comportamento, porque as crianças têm medo de apanhar. Mas no longo prazo, pode tornar as crianças mais agressivas.

Crianças que apanham acham que bater é uma forma adequada de resolver problemas e de mudar o comportamento de outras crianças. Crianças que apanham tendem a bater mais.

Bater aumenta as chances de comportamentos graves no médio e longo prazo. Crianças que apanham têm mais chance de se tornarem adolescentes e adultos que utilizam drogas ilícitas, tentam ou cometem suicídio.

Os estudos demonstram que bater leva a mudanças negativas no comportamento. Não há estudos mostrando que as crianças melhoram.  – Elizabeth Gershoff, PhD (Univ. do Texas, Austin)

Muitas vezes, pais e mães batem porque não conhecem outras formas de educar. Se você faz as coisas de um jeito diferente, conte para nós como você faz aqui nos comentários. Se você ainda bate, mas quer mudar, pode dizer isso para nós também.

Além disso, o Lar Montessori tem uma seção especialmente dedicada a “Disciplina”, que você visita clicando aqui. Vários dos textos selecionados para nosso livro também tratam do tema. Estamos aqui para você e para o seu filho.

Referências:  http://www.iflscience.com/brain/spanking-your-kid-actually-leads-to-more-behavior-problems/ ; https://www.scientificamerican.com/article/what-science-says-and-doesn-t-about-spanking/ ; https://www.sciencealert.com/science-why-you-should-never-spank-children ; http://www.apa.org/monitor/2012/04/spanking.aspx ; http://www.iflscience.com/brain/spanking-leads-angrier-and-more-defiant-children/


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Escrito por gabrielmsalomao

"A preparação que nosso método exige do professor é o auto-exame, a renúncia à tirania. Deve expelir do coração a ira e o orgulho, deve saber humilhar-se e revestir-se de caridade. Estas são as disposições que seu espírito deve adquirir, a base da balança, o indispensável ponto de apoio para seu equilíbrio. Nisso consiste a preparação interior, o ponto de partida e a meta." Maria Montessori, em A Criança

3 comentários

  1. Minha mãe foi criada, ainda na década de 50, sem nunca ter tomado um tapa do meu avô, que era um homem muito sábio e com pensamentos muito além daqueles de sua época. E assim ela criou três filhas, sozinha, sem nunca ter batido em nós. Meu filho está sendo a terceira geração a ser criada sem nenhum tipo de violência física e, ao contrário do que muitos gostam de dizer pra justificar as palmadas, não nos tornamos bandidos nem delinquentes por conta disso. Pelo contrário, somos pessoas de bem que procuram viver da melhor forma possível, sempre respeitando e ajudando ao próximo. Sonho com o dia em que não haverá mais nenhuma criança sequer sofrendo qualquer tipo de violência em seu lar.

  2. Eu conheci a Disciplina Positiva e aprendi a usar suas ferramentas, que muito me ajudou a educar meu filho caçula que hoje tem 6 anos. Ele é um menino muito criativo e ativo, está sempre querendo fazer coisas diferentes e muito questionador, tem necessidade de se expressar vebalmente, tem senso de justça. Aprendi a focar nas soluções dos problemas e conquistar a cooperação dele pra resolver os conflitos.

  3. Meus bebês têm menos de 3 anos, então, basicamente, utilizo as ferramentas da Disciplina Positiva “Supervisão, distração e redirecionamento”, bem como os ensinamentos da Maria Montessori sobre ambiente preparado, confiança e promoção na autonomia/protagonismo da criança e muita, muita, brincadeira ao lar livre, na natureza, com rodízio de brinquedos, sem eletrônicos, buscando a CONEXÃO, comunicando limites com generosidade e respeito. É cedo para avaliar, mas eu e meu esposo estamos felizes com os resultados. <3

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