O Presente de Montessori para as Mães

Quando Maria Montessori iniciou sua primeira Casa de Crianças, em 1907, o cuidado com as crianças era uma função materna. Hoje, esse ainda é o caso de 90% das crianças. Quando, então, falamos de criar as crianças usando Montessori, é muito fácil entender que se trate de mais uma exigência para as mães que cuidam dessas crianças. E essa não era a ideia da mulher que criou o método.

No discurso de inauguração de uma de suas primeiras escolas, Montessori disse:

Todos conhecemos as vantagens da socialização dos ambientes… Com a Casa das Crianças […] não podemos mais dizer que a conveniência de deixar suas crianças [para trabalhar] rouba da mãe o dever […] de cuidar e educar sua delicada prole. […] Estamos socializando a “função materna”, um dever feminino, dentro da casa. Podemos ver aqui que este ato prático resolve muitos dos problemas das mulheres que pareciam impossíveis de resolver. O que ocorrerá com a casa, pergunta-se, caso a mulher saia dela? A casa se transformará, e assumirá as funções da mulher. Eu acredito que no futuro da sociedade, outras formas de socialização virão.

Maria Montessori, Discorso Inaugurale in Occasione dell’Apertura di Una “Casa dei Bambini” nel 1907, Apêndice da edição italiana do livro La Scoperta del Bambino, Garzanti, 1984.

A expectativa de Montessori nunca foi que seu método servisse como mais uma maneira de sobrecarregar mães. Suas descobertas, ela se preocupava sempre, deveriam servir para trazer a paz, aliviar a opressão, e pavimentar o caminho da liberdade.

Hoje, se falamos de Montessori para famílias, é fundamental compreender que a família vive dentro de uma sociedade muito maior. Em 1945, Montessori escreveu:

Quando falamos de educação, estamos pregando uma revolução, uma em que tudo o que conhecemos hoje será transformado. Penso nela como a última revolução; não uma revolução de violência, menos ainda de derramamento de sangue, mas uma de que a violência seja completamente excluída – porque a pequena produção psíquica da criança é mortalmente ferida pela mais leve sombra de violência. […] Esta é a educação, compreendida como uma ajuda à vida.

Maria Montessori, em Mente Absorvente

Por isso, porque Montessori é uma educação revolucionária, a família que se propõe a fazer Montessori envolve-se em uma tarefa que ultrapassa os muros da casa. Há a questão do tempo que temos disponível. E a do espaço interno da casa. A da área verde nas praças e parques públicos, e a da oferta excessiva de brinquedos para crianças pequenas.

Fazer Montessori é passar a olhar o mundo, e viver no mundo, de uma maneira que afeta o mundo e luta por sua transformação. Para fazer Montessori, não nos basta a preparação dos ambientes, e percebemos isso logo. É necessário refazer a vida.

Montessori desejava que a escola fosse o espaço privilegiado da vida da criança: a escola pode atender muitas crianças de uma só vez, é um espaço igualitário, socializado e democrático. Em especial a escola pública, como foi o caso de suas primeiras Casas de Crianças. A presença de seu método na casa e na família não deveria ser a maior ou a única na vida da criança. O maior dever, nesse sentido, seria do espaço profissionalmente preparado para a criança: a escola.

Amanhã é Dia das Mães, e há muito o que honrar neste dia. Em um país no qual quase todas as crianças são criadas por suas mães, e um enorme número não tem sequer registro do nome do pai na certidão de nascimento, há tanto para lamentar quanto para honrar neste dia.

No Dia das Mães, lembramos quase sempre dos deveres que as mães cumprem na criação dos filhos, lembrando menos do cansaço e do sacrifício que isso representa. Talvez pudéssemos lembrar, mais ainda, dos deveres da sociedade para com essas mães. Montessori apontava a direção: a socialização da “função materna”.

Este é o presente que Montessori tentou entregar às mães da Nação Única, a nação da infância, cujo território se estende por toda a Terra: um espaço fascinante, uma outra casa, que compartilhasse com a primeira a tarefa de educar crianças.


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Escrito por gabrielmsalomao

"A preparação que nosso método exige do professor é o auto-exame, a renúncia à tirania. Deve expelir do coração a ira e o orgulho, deve saber humilhar-se e revestir-se de caridade. Estas são as disposições que seu espírito deve adquirir, a base da balança, o indispensável ponto de apoio para seu equilíbrio. Nisso consiste a preparação interior, o ponto de partida e a meta." Maria Montessori, em A Criança

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