O Ciclo de Trabalho da Criança Pequena

Existe um caminho para o esforço da criança que entrega para ela os melhores resultados de desenvolvimento e bem estar. Em Montessori, chamamos esse caminho de ciclo de trabalho. A função dos adultos responsáveis pela criança é proteger o direito dela a ciclos de trabalho completos.

O ciclo começa quando a criança encontra alguma coisa que pode ser importante para o seu desenvolvimento e escolhe se dedicar à tarefa. Por exemplo, quando uma criança de um ano e oito meses caminha pela casa, vê uma gaveta, e imediatamente começa a abrir e fechar, ou quando um menino de quatro anos segura um livro com letras em baixo relevo na capa e começa a passar o dedo pelas letras e sentir suas formas. A criança reconhece o trabalho que lhe permitirá desenvolver a habilidade que ela está buscando.

Depois de começar, duas coisas podem acontecer. A criança pode não desenvolver concentração suficiente para continuar, ou pode se dedicar intensamente à atividade. Uma criança pode deixar de desenvolver foco suficiente na atividade porque não tem mesmo a habilidade da concentração, porque a atividade em si não é interessante, ou porque um adulto interrompeu sua ações e impediu a continuidade do seu interesse. Se, por outro lado, a criança continuar na atividade, nós podemos ver que sua dedicação aumenta conforme os minutos passam.

Se a criança continua na atividade, se inicia um segundo período importante, de repetição. A repetição é a oportunidade que a criança tem de aprofundar o seu interesse, desenvolver concentração e enfrentar os erros e as dificuldades no caminho do aprendizado. É claro que nada pode ser aprendido com perfeição se fizermos uma vez só. A repetição é o segredo da perfeição, disse Montessori em Descoberta da Criança. Mas no caminho para a perfeição, muitos erros são cometidos, reconhecidos e superados. É necessário lidar com a frustração, a expectativa e a força de vontade.

Tudo isso acontece se a criança for deixada livre para trabalhar. Se ela for interrompida pelo adulto, mesmo com amor e carinho, tudo isso é perdido. A criança precisa ir do início ao fim do seu interesse sem ser chamada por ninguém. Se puder fazer isso, ela percorre um caminho estimulante e desafiador, que passa pela ignorância, encontra dificuldades, atravessa e supera erros, e alcança o sucesso. Se a criança parar no meio, encontra só a dificuldade e os erros. Não descobre que o esforço leva ao sucesso, e por isso seu interesse no esforço diminui muito, e ela se empenha da próxima vez.

Quando a criança termina seu mergulho na repetição, é como se voltasse para o mundo. Retorna revitalizada e forte, alegre e bem disposta. Reconhecemos isso porque ela sorri, está tranquila, segura e emocionalmente estável. Agora, que terminou, é importante que guarde o que estava usando. Especialmente depois dos dois anos e meio, ou três, este é um passo muito importante. Guardar depois de usar é um ritual. Rituais organizam a percepção de mundo da criança. Se ela puder executar o ritual de finalização, formaliza a sensação de dever cumprido, e está pronta para o próximo desafio. Montessori diz:

A criança que tem sua atenção focada em um objeto escolhido, que concentra todo o seu ser na repetição do exercício, é uma alma entregue, no sentido da segurança espiritual de que falamos. Nesse momento não precisamos nos preocupar com ela – a não ser pelo preparo de um ambiente que satisfaça suas necessidades, e removendo os obstáculos que possam obstruir seu caminho para a perfeição.

Maria Montessori, Mente Absorvente

O ciclo de trabalho completo começa com a escolha, segue para a exploração, depois para a repetição, chega ao domínio e termina com o retorno do objeto ao seu lugar. Esse longo caminho pode ser percorrido pela criança todos os dias, várias vezes. Para isso, é necessário que ela encontre tudo sempre no mesmo lugar e que o número e o tipo de escolhas à sua disposição seja adequado, o que permite a escolha livre. Depois, é preciso que a criança possa repetir quantas vezes sinta ser necessário. Finalmente, é importante que ela se acostume a guardar o que utilizou, para perceber dentro de si o final deste belo ciclo.

O Ciclo de Trabalho da Criança em Montessori

A criança que tem a chance de passar por vários ciclos de trabalho ao longo do seu dia retorna o tempo todo à profunda concentração que só o trabalho oferece, e estabelece um chão de paz interior constante e firme. Ela sabe que o trabalho não é um dever, mas um refúgio. Reconhece no esforço não uma necessidade, mas uma chance e uma oportunidade. Percebe os erros como parte do caminho do aprendizado e as dificuldades como o caminho para a conquista de coisas novas. O ciclo de trabalho talvez seja o maior presente que a criança pode receber na vida, mas é um presente que nós não podemos dar. Ela conquista sozinha. De nossa parte, só podemos oferecer a ela um ambiente o melhor possível, tempo para se dedicar à repetição e um esforço completamente livre de interrupções. A felicidade ela encontra por si mesma.


Eu acredito que é possível viver em paz com crianças. Criei um curso para famílias que também acreditam nisso. Veja o que alguns alunos comentaram:

Me encheu de esperança em alcançar a paz com meus filhos e outras crianças.

Cristina Tavares, mãe

O Curso é excelente e bem eficaz. Estou muito feliz em fazê-lo porque está esclarecendo todas as dúvidas que eu tinha sobre a relação adulto e criança.

Liliane Araújo, mãe

Há 5 dias eu comprei o curso e assisti tudo. Fiquei tão maravilhado com o conteúdo e com seu amor em passar o que aprendeu… E só tenho a agradecer. A mudança é real.

Alan, pai

Escrito por gabrielmsalomao

"A preparação que nosso método exige do professor é o auto-exame, a renúncia à tirania. Deve expelir do coração a ira e o orgulho, deve saber humilhar-se e revestir-se de caridade. Estas são as disposições que seu espírito deve adquirir, a base da balança, o indispensável ponto de apoio para seu equilíbrio. Nisso consiste a preparação interior, o ponto de partida e a meta." Maria Montessori, em A Criança

um comentário

Deixe uma resposta