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Arquivo da categoria: Adolescência

A Educação dos Adolescentes


“acima de tudo é a educação do adolescente que é importante, porque a adolescência é o período em que a criança entra no estado da idade viril e se torna um membro da sociedade. Se a puberdade é do lado físico uma transição do estado infantil para o adulto, há também, do ponto de vista psicológico, uma transição entre a criança que tem de viver em uma família para o adulto que tem de viver em sociedade”. (Montessori, Maria – Os Filhos da Terra, tradução em revisão).

A base de toda a educação Montessori é um conjunto formado por liberdade e independência. Nas crianças muito pequenas, a liberdade se constrói por meio da interação entre a criança e o ambiente, especialmente com os materiais desenvolvidos por observação cuidadosa da natureza humana.

Conforme a criança cresce, suas necessidades mudam, e embora os materiais continuem sendo recursos didáticos interessantes, a formação do homem exige cada vez mais uma educação que vai muito além da sala de aula, e na qual a família tem – salvo raras exceções – um papel mais importante que o da escola.

Montessori propõe três grandes pilares para a educação adolescente

  1. O desenvolvimento do potencial comunicativo;
  2. Educação Moral, Matemática e Linguística;
  3. Educação como preparação para a vida.

As maneiras de desenvolver estes três pilares podem variar muito, e muita liberdade existe aqui, tanto para os pais quanto para os filhos. O desenvolvimento do potencial comunicativo passa, antes de tudo, pela habilidade de socializar com o jovem, e depois, pelo incentivo à comunicação dele com o mundo.


O aprendizado de todas as formas de arte, plásticas, textuais e musicais, deve ser incentivado. O incentivo não pode acontecer por meio da pressão. Mas pode surgir dos hábitos domésticos.

Musicalmente, pode-se escutar música não somente como fundo para um bate papo, mas como atividade exclusiva, por exemplo durante uma viagem de carro.

As artes plásticas podem ser incentivadas com visitas ocasionais a museus – mas o passeio não pode ser vazio de significado, o adolescente deve entendero que vê.

A arte textual é incentivada da maneira óbvia: a leitura. Ocorre, no entanto, que os pais acreditam que basta incentivar a leitura dos filhos ou ler para e com eles. Não é suficiente. A leitura deve, antes de tudo, ser um hábito dos pais. Uma casa sem livros raramente cria uma criança e um adolescente leitores.

A Educação Moral é desenvolvida em conversas. Mas essas conversas não devem ser só sobre as atitudes do filho, porque na adolescência lhe interessa muito a vida no mundo. A política, as organizações sociais, causas e consequências das atitudes tomadas por aqueles que detém o poder são assuntos relevantes para a mente adolescente.

O adolescente busca ser socialmente ativo, e é uma boa ideia permitir e incentivar a participação dele em projetos não governamentais (ONGs, cooperativas, associações). Durante algum tempo, é previsível e saudável que ele queira se engajar politicamente em mudanças sociais. Entretanto, segundo Montessori, nenhum tipo de violência é válido. Assim, tudo o que envolva violência verbal, moral ou física não é recomendada por nós.

As educações Matemática e Linguística podem ser deixadas a cargo da escola. No caso de o adolescente demonstrar uma curiosidade que a escola não consiga satisfazer, procure proporcionar os recursos necessários para o aprendizado. Segundo Montessori, nesta idade o estudo é uma resposta às necessidades da inteligência, por isso, nunca deve ser compreendido como algo obrigatório, mas sim como algo que o corpo e a mente do adolescente pedem. Só é necessário saber o que ele quer estudar, e auxiliá-lo nesta busca se necessário.

A educação como preparação para a vida envolve:

1.       O estudo da terra e das coisas vivas;
2.       O estudo do progresso científico e a construção das civilizações;
3.       O estudo da história da humanidade.

Montessori dizia que uma das buscas do homem é o aperfeiçoamento da natureza, ou como ela coloca: a construção de uma super-natureza. Esta construção se daria por duas vias: o progresso científico e os esforços de paz. As sociedades e a natureza seriam mais perfeitas quanto mais se aproximassem da paz e da compreensão científica da realidade.

Os estudos científicos e históricos, assim como os sociológicos, não precisam ser especialidades dos pais, mas é necessário que os pais estudem sempre, algo que seja de seu gosto, para mostrar aos filhos o prazer do conhecimento. Da mesma maneira, é importante saber identificar as áreas palas quais o adolescente mais se interessa, e dar todo o suporte necessário para o conhecimento florescer.

Hoje, com a internet, é muito fácil ter acesso a todo tipo de informação. Para isso, é necessário que o adolescente conheça línguas além do português. O estudo das línguas estrangeiras é ao mesmo tempo aquisição cultural e de ferramentas, e servirá a diversos propósitos durante toda a vida.

Dois pontos adicionais devem ser abordados aqui. Primeiro, a independência adquirida pelos muito pequenos é a física. Em seguida, dá-se alguns passos em direção à independência intelectual. Para o adolescente, a forma de independência necessária é a financeira. Assim, aprender a lidar com o dinheiro é extremamente relevante, e adquirir um ofício técnico é muito bom para a mente e o corpo do jovem.

Saber executar trabalhos manuais, assim como ter alguma prática com o cultivo da terra e responsabilidades em casa são pontos importantes do desenvolvimento adolescente, desde que todas as suas tarefas lhe sejam atribuidas mais com fins didáticos do que práticos. A habilidade de utilizar a mão para trabalhar é relevante porque o jovem deve perceber que todos os tipos de trabalho são desafiadores e todos devem ser igualmente respeitados. Além disso, conhecendo diversos tipos de ocupação antes de prosseguir à Universidade, poderá escolher seu curso com muito mais certeza e tranquilidade.

Em segundo lugar, nesta idade, o convívio com a natureza é muito importante. Se desejamos criar uma civilização melhor, uma super-natureza, devemos conhecer a perfeição da natureza em toda sua magnitude. Passeios para o campo ou para a praia, trilhas, acampamentos, navegações, todas as alternativas são válidas, desde que o adolescente faça coisas. Ele pode simplesmente observar a natureza, mas é menos válido que vá simplesmente para divertir-se, sem nenhuma ocupação mental. Quando insistimos na ocupação mental, deve-se ao fato já mencionado de que o estudo responde às necessidades da inteligência adolescente.

Para compreender melhor o conteúdo deste artigo, você pode ler sobre “valorização” da alma adolescente, em textos escritos por estudiosos do método Montessori. A pequena pesquisa que o autor deste blog desenvolve é sobre a educação de adolescentes, portanto, ficamos à disposição para tirar quaisquer tipos de dúvidas. Sabemos que as ideias expostas aqui são muito gerais e estamos prontos a auxiliar você em suas questões mais específicas.