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Arquivo da categoria: Datas Comemorativas

Um Belo Presente

que dia é hoje?
um dia eu soube
hoje me foge.

[Leminski]

Na música “Pensar em Coisas Lindas”, Oswaldo Montenegro nos fala do mundo das crianças.

Balas, travessuras, carinho, carrinho, beijo de mãe,
Brincadeira de queimado, árvore de natal,
Árvore de jabuticaba, céu amarelo, bolas azuis,
Risadas, colo de pai, história de avó…

E é um mundo bonito, cheio de maravilhas, cheio de encantos. Em uma árvore, cujas raízes descem às profundezas e cujas folhas vão além do que os olhos distinguem com clareza, repousam infinitas formas de vida. Passeiam insetos entre as ranhuras de sua casca, lagartas em suas folhas, abelhas e borboletas em suas flores. Pássaros moram em seus galhos, mamíferos também. A seiva corre e escorre em seu tronco e seus galhos, os brotos nascem diariamente sob o sol, brilhando novos e verdes. Duas pequenas joaninhas caminham: uma, branca com pintas amarelo-escuras, fica na casca da árvore e outra, vermelha com pintas brancas, pousa no seu braço. Você sorri, porque joaninha dá sorte, e a devolve em uma folha, depois de mostrar para sua criança. Mas enquanto pensava que joaninha dava sorte, esqueceu de reparar em como suas pintas são iguais nas duas asas (ou simétricas). Quantas outras coisas escaparam aos seus olhos atentos e carinhosos?

Existem, principalmente, duas formas de ver a realidade, quanto ao tempo. A primeira, em que quase todos nós nos encontramos, é relembrar o passado para planejar o futuro. A segunda é viver o presente. Não é errado que vivamos no passado e no futuro, fomos condicionados assim e isso permite nossa sobrevivência em uma sociedade que só funciona desta maneira (grande exemplo disso é o noticiário noturno que, depois de passar em revista tudo o que já aconteceu, prevê o tempo do dia seguinte). Podemos viver assim, se queremos. Mas precisamos saber: a criança vive em um longo presente.

Quando uma criança tem à sua volta o mundo, e lhe é permitido ter acesso a ele, não perde tempo a lembrar do que já foi e não se preocupa em antecipar o que virá – quase não há nenhuma ansiedade. Ela vive em um presente de ação e trabalho. E este presente, para ela, é algo que recebe naturalmente da vida, e usa. Para a criança, não existem férias, feriados, finais de semana. O seu grande trabalho é construir-se, seus superiores hierárquicos são ela mesma e suas leis internas de desenvolvimento. Assim, seu trabalho é constante e seus desafios não param de chegar. Sempre há algo para conquistar e descobrir.

Assim, o que melhor podemos dar à criança – no dia das crianças, que passou, e em todos os outros – não é um presente, mas a oportunidade de viver o presente que já tem. O melhor que podemos dar é nosso respeito e nossa reverência, nosso amor na forma de atenção, cuidado e carinho, transmutados em preparação do ambiente e em autoconhecimento para nos tornarmos auxiliares da vida, e podermos de fato guiar a criança quando ela precisar, e sair de perto quando ela não necessitar de nós.

Em épocas comemorativas somos inundados de comerciais de presentes para as crianças. Pior, elas o são. Isso é sério, por dois motivos maiores. Primeiro, porque tira de nós a noção do que importa para a criança e deliberadamente nos engana, fazendo-nos pensar que ela se alegra mais com um novo objeto do que com a vida que existe ao seu redor, do que com a cozinha, o banheiro, o parque, os insetos, a terra e a chuva. Mas o segundo motivo é mais sério: a exposição da criança à publicidade infantil e a nossa aderência a essa publicidade condicionam-na a permanecer longe e isolada de sua natureza fundamental, transformando as conexões neuronais da criança para que ela passe a buscar a sensação efêmera de bem estar proporcionada pelo presente (sem itálico, o objeto) em vez de buscar fruir o presente (com itálico, o tempo e o lugar de agora).

Há quem diga que todos os dias são dias das crianças, e é real. Elas estão vivas todos os dias, e por isso estão todos os dias trabalhando e vivendo o presente. Isso não quer dizer que precisem receber de nós muitos objetos – sejam brinquedos, materiais ou artefatos educativos de qualquer natureza. Isso quer dizer que precisam receber de nós todo o respeito e toda a reverência, sempre. De todas as coisas, dizia Montessori, a mais potente é o amor. Ela também disse:

Não podemos prever as consequências de suprimir a espontaneidade de uma criança quando ela está começando a ser ativa. Podemos até sufocar a vida ela mesma. Aquela humanidade que é revelada em seu esplendor intelectual durante a idade doce e terna da infância deve ser respeitada com uma reverência religiosa. É como o sol que aparece ao amanhecer, ou a flor que começa a desabrochar. A educação não pode ser efetiva a menos que auxilie a criança a abrir-se para a vida.

Que todos os dias sejam dia de auxiliar sua criança a abrir-se para a vida. Tanto a criança que nasceu de você quando a que existe aí dentro, e precisa redescobrir a maravilha do mundo. Sabemos, por Montessori também, que “é preciso amar e conhecer o universo”. Que o ano que decorrerá entre este dia das crianças e o próximo seja de incríveis descobertas.

Cinco Formas de Ser Mãe

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É dia das mães, e o Lar Montessori decidiu escrever sobre o que é ser mãe. Nós não conseguimos compor um texto coeso e fluido sobre isso, então decidimos tomar alguns conceitos que permeiam a obra e a prática de Montessori para construir algumas reflexões. Assim, chegamos a cinco formas de ser mãe.

 

1. Mãe é aquela que dá à Luz

O primeiro possível ato de ser mãe é conceber. Gestar vem em seguida. Mas todo este caminho só se concretiza na maternidade reconhecida e aclamada quando, finalmente, o feto se transforma em criança, e vem à luz. Todo o trabalho necessário, até o parto, no entanto, já é trabalho materno. Este trabalho, para ser perfeito, exige da mãe esforços específicos e variados: é necessário preparar bem o ambiente da criança, descansando o suficiente, mantendo um humor positivo, conversando e transmitindo carinho ao bebê. É importante nutrir a criança em gestação comendo alimentos adequados e evitando substâncias que possam fazer mal ao pequeno bebê ainda não nascido. Por todo este trabalho, esforço e amor desenvolvido durante a gestação, a mulher que pari já é mãe. Ela já criou a criança por nove meses, antes que a criança existisse no mundo extra uterino. Parabéns, a você, que deu à luz!

 

2. Mãe é aquela que alimenta

É interessante que em sua etimologia, a palavra aluno signifique aquele que é alimentado. De certa maneira, todas as crianças são um pouco alunas de suas mães. Desde o cordão umbilical, até o leite materno, e até as papinhas e os primeiros alimentos sólidos, a mãe é aquela que alimenta. Outros alimentos menos materiais também vêm da mãe: palavras de amor, carinho e sossego, lições sobre o mundo e as formas de agir nele, instrução, as primeiras aulas e os infinitos abraços e beijos, são todos alimentos para o que se queira chamar de emocionalalmapsicológico ou interior. Há na criança muito mais para alimentar além do corpo físico, e às mães que alimentam a criança inteira, parabéns!

 

3. Mãe é aquela que prepara

Primeiro, a mãe se prepara. Ela faz seus exames pré-natais, lê, estuda, conversa, pede dicas e informações, troca ansiedades com outras gestantes e descobre, pouco a pouco, o novo mundo da maternidade. Depois, prepara o parto da criança, segundo suas concepções de maternidade, e escolhe entre partos naturais, mais ou menos assistidos, em hospitais ou em casa. De alguma maneira, e segundo preocupações específicas, prepara as boas vindas ao seu filho. Logo, prepara também o ambiente onde o filho viverá: aprende como deve construir seu quarto, adapta toda a casa, escolhe cores, móveis e materiais, brinquedos, estímulos diversos, livros, roupas, trabalha para que o ambiente onde a vida da criança se desenvolverá seja o mais perfeito possível. A criança se desenvolve na interação com seu ambiente, e a todas as mães que prezam a preparação de si e do ambiente da criança, nossos parabéns!

 

4. Mãe é aquela que respeita

A criança é diferente de nós, em tamanho, em necessidades, em sua forma de ver o mundo e em sua sede de atividade e independência. A mãe compreende estas diferenças e as respeita. Ela percebe que é necessário ser um exemplo, e busca agir com perfeição e de acordo com aquilo que diz. A mãe reconhece a necessidade de silêncio e solidão da criança e prepara o ambiente como forma de demonstrar seu respeito e seu amor. Ela respeita as fases de desenvolvimento da criança e as características, às vezes desconfortáveis, de cada um destes momentos. Ela vê a criança pela perspectiva correta e a percebe em toda sua magnitude e importância, a enxerga como construtora da humanidade e como portadora de esperanças e promessas. Parabéns a todas as mães que respeitam como forma de demonstrar seu amor!

 

5. Mãe é aquela que ajuda a vida

Este é o aspecto mais sublime da maternidade. Dar a vida é natural, e só depende do tempo. Alimentar é também natural, e embora dependa de amor, ocorre sempre. O preparo é comum, e o respeito é ao menos um vontade de todas as mães. No entanto, ainda precisa aumentar a quantidade de crianças cujas mães lhes ajudam a vida. Isto é raro e difícil, exige estudo aprofundado, observação contínua, mudança de hábitos, vontades, personalidade e compreensão de mundo. Exige inversões de valores e aprofundamento teórico e prático. Exige a apreensão da natureza da criança para ajudá-la em sua libertação e em suas conquistas de independência. A estas mães, que dedicam-se imensamente a seus filhos, na tentativa de permitir que se desenvolvam plenamente e superem todos os desafios por meio do desabrochar perfeito de sua natureza, o Lar Montessori deseja os parabéns e pede: contaminem mais, polinizem mais, espalhem, criem, contem e comuniquem mais, para que cresça dia a dia o número de mães que ajudam a vida.

 

Aqui, quero aproveitar para agradecer e parabenizar minha mãe. Que deu à luz, alimentou, preparou, respeitou e ajudou a vida de dois filhos. Mãe, muito obrigado!

 

Com todo o carinho, respeito e reverência,

Lar Montessori

Feliz Ano Novo

Feliz Ano Novo!

Em 1907, alguém desejou Feliz Ano Novo a Maria Montessori, e naquele ano ela abriu a primeira escola Montessori do mundo, que chamou de Casa das Crianças. É com este espírito que desejo hoje um Feliz Ano Novo a todos os nossos leitores e leitoras.

Em 2013 teremos algo a comemorar: são cem anos desde que Rabidranath Tagore recebeu seu Prêmio Nobel de Literatura com Gitanjali, seu livro de poemas líricos. O poeta e Maria Montessori comunicaram-se algumas vezes e tinham um pelo outro grande admiração. Montessori, por ocasião da morte de Tagore, escreveu-lhe que “Há lágrimas que expressam o próprio coração e a própria alma, elevam a humanidade […]. São estas as lágrimas que sinto hoje”.

Esta admiração de Maria Montessori, e esta tristeza, não vieram gratuitamente. Tagore foi, entre tantas outras maravilhas, o poeta das crianças. Em seu livro “A Lua Crescente”, publicado recentemente em uma reunião chamada “Poesia Mística”, pela editora Paulus, o poeta das crianças canta ao bebê:

Ah! Se eu pudesse penetrar até ao centro mesmo do mundo do meu bebé para aí escolher um pacífico retiro!

Eu sei que esse mundo tem estrelas que conversam com ele, um azul que desce até ao seu rosto e o diverte com os seus arco-íris e as suas nuvens bizarras.

Os que fingem ser mudos e parecem incapazes de fazer um movimento deslizam em segredo para a sua janela para lhe contar histórias e oferecer-lhe bandejas cheias de brinquedos de cores brilhantes.

Ah! Se eu pudesse caminhar nas estradas que atravessam o espírito do bebé e seguir por elas mais longe, mais longe, além de todos os limites!

Lá onde mensageiros sem mensagem passam e repassam entre os Estados de reis sem história, lá onde a razão faz das suas leis papagaios de papel e larga-os no espaço, lá onde a verdade liberta os factos dos seus entraves.” (Tagore, O Mundo do Bebê, segundo tradução disponível em http://antmes.planetaclix.pt/a_lua_jovem.htm).

Tagore concordaria com Montessori quando ela disse que “A criança é a esperança e o futuro da humanidade” e quando sugeriu que a educação precisava de uma revolução que transformasse tudo o que conhecemos. As crianças, dizia Tagore, “são seres vivos, mais vivos que os adultos, porque estes têm escudos de hábito em volta de si. Assim, é absolutamente necessário para sua saúde mental e para seu desenvolvimento que não tenham somente escolas para suas lições, mas um mundo cujo espírito orientador seja o amor pessoal”. De todas as coisas, concordava Montessori, a mais poderosa é o amor.

O Lar Montessori deseja que 2013 seja o ano da criança. Se em 2011, 3.000 visitas foram feitas ao nosso blog, e em 2012, 40.000, desejamos que em 2013 400.000 famílias descubram o método Montessori, descubram seus princípios guiadores e que possam falar como Montessori ao resumir sua contribuição à humanidade: “Eu descobri a criança”.

A minha maior alegria este ano, no entanto, com todas as visitas incríveis que fiz e os contatos maravilhoso que conseguimos, foi a formação de grupos montessorianos por todo o Brasil, em especial do Círculo de Estudos em Montessori, formado por estudantes de educação, mães e profissionais de diversas áreas. Alegra-me até o fundo da alma saber que estamos conseguindo materializar debates que até pouco tempo só podiam ser feitos via Internet. Tenho certeza que muitos outros grupos surgirão em 2013 e nos anos seguintes, e isso me faz sorrir.

A todos aqueles que nos acompanharam em 2012, fazemos um apelo sincero: no ano que chega, continuem conosco, espalhem esta semente, nos ajudem a dar a todas as crianças um Lar Montessori.

E fazemos a vocês também um voto, um só, simples e breve: Desejamos que vocês em suas casas e em seus hábitos construam uma geração de Paz. Uma geração que compreenda a ligação de tudo o que há no cosmos e perceba que de todas as coisas, a mais poderosa é o amor.

Um abraço a cada um de vocês e a seus filhos,

Que 2013 seja um ano de sorrisos, descobertas e fascínios,

Lar Montessori.

Fotografia cedida por http://www.flickr.com/photos/40765798@N00/2396559684

 

Comemorações de Final de Ano – A noite de hoje

Aos nossos leitores mais assíduos, este artigo vem precedido de um pedido de desculpas. Havíamos escrito um outro texto, bastante extenso, sobre a comemoração do ano novo e a criança, e perdemos o artigo completo. Por isso, precisaremos deixar somente algumas dicas rápidas sobre o assunto, antes de passar ao texto final deste ano!

Para prevenir qualquer tipo de estresse de afetar a criança e gerar situações desconfortáveis para todos, é muito importante respeitar o tempo, o espaço e as ações da criança.

O respeito ao tempo aparece quando permitimos que a criança demore mais para comer, ou saia da mesa antes dos adultos. Aparece quando permitimos que durma tranquila enquanto comemoramos a passagem de ano e que brinque sossegada enquanto conversamos e comemos.

Respeitamos o espaço da criança quando a ela é permitido usar seus materiais no chão, e não ter de ficar sentada no sofá, e quando não precisa necessariamente ficar em um espaço reservado à criança, como um quarto de brinquedos, um cercadinho, um berço ou um quarto. Está muito bem que espaços para a criança existam, é bom, desde que ela possa os utilizar só se quiser.

As ações da criança são respeitadas quando levamos para eles os brinquedos que usam com mais frequência ou seus materiais favoritos. Uma pequena cesta dos tesouros, um boneco. Da mesma maneira, quando não interrompemos a criança o tempo todo para que fale com os adultos também estamos respeitando que aja. Por fim, à mesa, é necessário lembrar de o que a criança já sabe fazer e usar isso a seu favor. Coloque ou peça que coloquem à mesa os talheres que seu filho sabe utilizar e deixe a comida em um estado que seja perfeito para ele, garantindo assim o bom andamento do jantar.

Espero que as dicas, curtas, tenham sido úteis e novamente me desculpo por não ter reescrito o texto mais longo.
Uma ótima noite para todos,
Gabriel

 

Comemorações de Final de Ano – Cozinha

Em outros posts do nosso blog, já trabalhamos bastante a ideia da criança na cozinha. A cozinha é um dos espaços mais interessantes da casa, do ponto de vista do aprendizado infantil, porque propicia um  a infinidade de possíveis experiências para a criança que já consegue caminhar, ou pelo menos sentar e usar as mãos com tranquilidade.

A época das comemorações de fim de ano é especialmente adequada para as atividades culinárias da criança, porque além de curtir a atividade em si, depois haverá a oportunidade de a criança ver toda a família comendo e elogiando aquilo que ela faz. Não é o elogio que a alegrará, mas a percepção de que “sabe fazer algo direito”a a possibilidade de servir aos outros algo que lhes agrade.

A cinco dias do Natal talvez não dê tempo de desenvolver habilidades novas com maestria suficiente para ajudar em um prato, mas as habilidades já adquiridas podem ser usadas com tranquilidade. Aqui, trabalharemos dois pontos nos quais a criança pode usar: um em que só use as mãos, outro em que use talheres.

Para se aventurar na cozinha, junto com seu filho, o primeiro passo é preparar o ambiente. Primeiro, a altura de tudo. Seu filho precisa alcançar as coisas se for ajudar. Sua cozinha é grande e equipada com uma mesinha baixa para seu filho? Ótimo! Mas se não for este o caso, sem problemas, hora de pegar aquele banquinho que vocês usam no banheiro ou em outro lugar da casa para ele alcançar a pia e a mesa.

Sobre a pia ou a mesa já deixe tudo separado para utilização: potes, bacias, tábuas, ingredientes em ordem (da esquerda para a direita, de cima para 401586_4032519655679_395174502_nbaixo), instrumentos necessários todos. Se o seu filho é mais velho, com uns cinco ou seis anos pelo menos, ele pode fazer uma receita simples inteira sozinho. Se é pequeno, deixe com ele uma parte bem pequena do processo.

Há vários pratos em que a ajuda de uma criança pode ser bem vinda: elas podem picar batatas ou salada, ajudar a fazer massas, bater cremes com uma colher, abrir massas com o rolo… Tudo o que nós fazemos, eles fazem também, depois que aprendem a usar os instrumentos. Só lembre: para eles, o tempo não importa, vai ser tudo feito bem devagar – o resultado importa menos que o processo. Se você não tem tempo sobrando, faça tudo sozinho. Fazer coisas com seu filho é uma atividade educativa para ele, e não mão de obra auxiliar para você.

Caso sua criança ainda não saiba usar talheres, pode usar as mãos ou o rolo de massa. Assim, uma porção da massa de um pão pode ser-lhe deixada sob responsabilidade, para amassar, abrir, inclusive para rechear com ingredientes já picados e fechar de novo. A criança pequena não tem nojo das coisas, e gosta de ajudar com o que gruda. É uma textura nova. Elas também podem untar formas muito bem, colocar biscoitos nessas formas com alguma precisão e ajudar lavando um ou outro objeto. Se essa for sua primeira experiência na cozinha com seu filho, vá devagar, para descobrir se ele gosta, e do que ele gosta. Se ele se diverte mais abrindo massa, deixe que faça isso, se prefere untar formas, ótimo também. Caso ele goste de lavar a louça, é outra possibilidade. Novamente, lembre-se que ele está lá mais para aprender do que para ajudar.

Mesmo para usar o rolo de abrir massas, é necessária uma pequena aula. Para os pequenos, ensinamos tudo passo a passo, devagar, objetivamente, e de forma muito clara. Pegue o rolo pelas duas extremidades, dizendo “Você pega o rolo pelas duas pontas”, depois posicione o rolo sobre a massa, explicando, “Coloque o rolo em cima da massa”, em seguida comece a abrir, “Aí, role sobre a massa para ela ficar bem fina, assim”. Em seguida, sem maiores detalhes, deixe-o fazer. Se for necessário, explique que a massa deve ficar mais fininha. Abra um pedaço para ele ter de exemplo. Aí, deixe que trabalhe sozinho.

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Para os talheres, também são necessárias algumas aulas (leia sobre isso nos posts sob a categoria “Cozinha”). Como disse acima, use agora só aqueles talheres que seu filho já domina com tranquilidade – é muita comida, e prestar atenção em como ele está usando a faca que só começou a usar recentemente pode ser uma dor de cabeça a mais. Nesse caso, prefira a colher e o garfo. A criança que já aprendeu a usar colheres pode misturar ingredientes muito bem. Aquela que usa o garfo pode bater cremes e mousses. As mais avançadas na culinárias, que já usam a faca com tranquilidade podem, com alguma supervisão e com uma faca sem ponta e com um fio não muito fino, ajudar a picar coisas simples, como frutas, batatas, legumes em geral. Cenouras e frutos redondos de casca lisa (tomates, e frutas como a maçã e a pêra) podem pedir um pouco mais de maestria. Nesses casos, corte o fruto à metade, e aí, apoiando o lado plano sobre a tábua, a criança terá mais facilidade.

Outra possibilidade para os pequenos com mais habilidades manuais é o uso das forminhas de biscoito. Isso pode começar a ser usado agora, porque não é muito difícil e é bastante divertido. Ensine seu filho novamente com cuidado, em partes e objetivamente a cortar a massa com a forminha, a pegar os pedaços de massa e posicioná-los na bandeja. Depois, vocês podem colocar um pouquinho de chocolate granulado em cima – esse desafio, de polvilhar coisas pequenas com pequenas quantidades de granulado, pode ser interessante para seu filho, que vai ter de controlar muito bem os dedos e a mão.

Decorar os pratos é outra atividade bastante agradável. Exige ao mesmo tempo delicadeza e senso estético, e pode ser bem gostoso. Posicionar os ele542598_10151241715609390_1347832105_nmentos de uma salada de forma bela, e circular, num prato, por exemplo, é um exercício de simetria e geometria bastante interessante, ainda que, evidentemente, nenhuma dessas palavras vá ser usada. Mesmo a distribuição dos biscoitos para assar ou dos pedaços de batata em volta de um prato exigem o exercício da percepção espacial e são desafios interessantes.

Colocar a mesa pode ser muito divertido também, assim como servir sucos e bebidas no dia da festa, afinal, as crianças gostam de exercitar seu equilíbrio e as habilidades de despejar, carregar e segurar. Isso, no entanto, será conversa para o próximo artigo, que tratará exatamente do dia da comemoração.

Até lá, esperamos que os preparativos para as festas estejam correndo muito bem, e estamos, sempre, abertos aos comentários e às histórias de vocês! Se houver experiências culinárias neste meio tempo, dividam conosco suas receitas e o modo de fazer com os pequenos, vamos todos adorar!

 

As fotografias deste artigo foram cedidas por famílias do grupo Montessori para Mamães

Natal sem Noel: Uma perspectiva a favor da imaginação

O maior astro da minha infância foi Carl Sagan, um astrônomo famoso, que protagonizou a série “Cosmos” e escreveu um livro lindo e grande de mesmo nome. Bem antes de minha adolescência, encontrei este livro na casa de meus avós e o peguei para mim, para alimentar minha imaginação com as belíssimas imagens dos planetas do Sistema Solar e com as ilustrações do Big Bang e das nebulosas, além de fotografias em branco e preto de galáxias próximas e distantes e de uma mensagem criptografada enviada por ondas de rádio para o espaço. Passei anos tentando compreender essa mensagem, e não consegui. Mas eu aprendi o que são ondas de rádio.

Carl Sagan, quando perguntado se acreditava em algo, respondeu: “Não quero acreditar, eu quero conhecer”. Carl Sagan, um cientista, racional e poético ao mesmo tempo, foi o homem que mais estimulou minha imaginação. Eu passei horas aprendendo todas as histórias de constelações, as investigações de Von Daniken, sobre os extraterrestres, e depois as teorias conspiratórias sobre a ida do homem à Lua. Tudo isso fez parte de minha infância e de minha adolescência, graças a Carl Sagan.

Para Montessori, a imaginação da criança deve desenvolver-se tendo como base a realidade. Ela explica que todos os grandes artistas eram, antes de tudo, excelentes observadores do mundo real. Sua imaginação e sua criatividade não partiam das histórias de fantasia que, sem dúvidas, conheciam, mas da extensão de seu raciocínio e de sua capacidade de observação.

Um segundo ponto bastante relevante na obra de Montessori é a ideia de que a educação deve ser, antes de tudo, “uma ajuda à vida”. Para ela, era mais importante ajudar a criança a se desenvolver plenamente do que seguir um currículo previamente estabelecido e, entre outras coisas, é isso que faz de Montessori um método com aplicação tão extensa em casa.

Partindo deste pressuposto, devemos nos lembrar sempre de que um dos desafios enfrentados pela criança é a compreensão da realidade – a organização do mundo em categorias mentais. Assim, tudo o que a ajudar com isso é uma ajuda à vida, e tudo o que a atrapalhar nisso é um empecilho à vida. Colocado desta forma pode parecer um pouco extremo, mas em última análise é verdade.

Em artigos anteriores nós trabalhamos, por exemplo, a importância da ordem no ambiente, que ajuda a criança a reconhecê-lo e se comportar nele de formas que nós não acreditávamos que fosse possível. Também conversamos sobre a importância de se falar claramente com a criança, tanto para o desenvolvimento da linguagem quanto para a compreensão de pedidos e ordens. A nomeação de objetos foi tratada também, e o objetivo é o mesmo, compreender o mundo por meio de categorias mentais. Nós, adultos, fazemos isso o tempo todo, mas já temos muitas categorias, então é fácil. A criança não tem nenhuma, então além de categorizar as coisas, ela precisa desenvolver a noção extremamente abstrata de categorias, o que é dificílimo. Se pudermos ajudar nisso, tudo melhora.

Para Montessori, existe uma diferença fundamental entre imaginação e fantasia. Imaginação é aquilo que surge da inteligência e que ultrapassa os limites da realidade conhecida. Fantasia, por outro lado, é a imposição de uma falsidade no plano da realidade, algo que violenta os limites da realidade conhecida de forma a fazer a criança acreditar que a realidade é diferente do que é.

Os seres do mundo da fantasia são lindos e poéticos para nós, adultos, que sabemos serem fantásticos e nos encantamos com a imaginação de quem os criou. No entanto, nos comportamos de formas dúbias com a criança: se suas fantasias são do lobo mau, o homem do saco ou o bicho-papão, dizemos, para tranquilizá-la, que estes seres não existem, e que ela não deve ter medo do que não existe. No entanto, para que se encante com o mundo, nos permitimos contar a ela histórias que sabemos serem irreais. O medo do que não existe não é tido como certo, mas o encantamento pelo inexistente sim. Montessori defende que o encantamento deve ser por aquilo que existe, exatamente como Carl Sagan, que me encantou com todas as estrelas do céu.

O Papai Noel não existe. E se compreendemos que a imaginação parte da observação da realidade e que o maior auxílio à vida da criança é a ajuda na compreensão da realidade, não existe uma justificativa para dizer o contrário à criança.

O Papai Noel personifica, na melhor das hipóteses, algumas ideias belíssimas: as de generosidade, bondade, disposição, merecimento e gratidão. Estes sentimentos são extremamente reais, e é de absoluta importância que a criança consiga senti-los em relação a seres reais, ao mundo real, a pessoas reais. E é esta ideia que defendemos aqui.

Em lugar de dizer que Papai Noel trouxe os presentes de Natal, sugerimos que os presentes sejam dados pelos pais, pelos tios, pelos irmãos, avós, amigos, pela escola, igreja, grupo escoteiro ou quem quer que seja. Defendemos que pessoas reais tomem para si a capacidade de se mostrarem abertamente generosas. A possibilidade de realmente dar algo à criança é belíssima, poética em si mesma. É isso o que amamos no Papai Noel, ele faz as crianças felizes. Nós podemos fazer exatamente o mesmo, nós, adultos, auxiliadores da vida, os protetores da infância. Nós podemos fazer as crianças felizes e podemos aceitar esta imensa responsabilidade.

O Papai Noel é generoso, ele dá brinquedos a todos, “Seja rico ou seja pobre, o velhinho sempre vem”. Nós sabemos que não é sempre que ele vem, que muitas famílias não têm uma visita do Papai Noel. Que tal nós irmos lá, como seres humanos reais, e termos a generosidade do Papai Noel, junto com as crianças, e darmos brinquedos belos, bons, para crianças pobres, que estavam esperando um presente e que vão recebê-lo, de surpresa, de um estranho – mas de um estranho que existe, que está no mundo – um estranho que é uma esperança real de renovação para a humanidade. Este estranho pode ser você, ou pode ser seu filho, um pequeno estranho que presenteie outro.

O Papai Noel é bondoso, ele nunca briga, ele sempre deixa que lhe puxem a barba, que lhe explorem as roupas, que lhe sentem ao colo. O Papai Noel tem tempo para todas as crianças do mundo em uma só noite. Nós podemos ser o Papai Noel todos os dias tendo todo o tempo do mundo para algumas poucas crianças – aquelas que moram conosco. Esta materialização da bondade é muito mais forte e perene do que aquela que acontece somente uma vez ao ano, ou algumas, nos shoppings, durante o mês de dezembro. Novamente, você pode ser também este aspecto do Papai Noel.

O Bom Velhinho fala sobre merecimento. A criança que se comporta bem é aquela que recebe os bons presentes. Mas nós sabemos que, em condições ideais de ambiente e preparo do adulto, todas as crianças se comportam bem. Quando não, é menos porque não querem e mais porque não conseguem. A ideia de merecimento do Papai Noel vem atrelada à noção de prêmio e punição, que embora ainda persista na educação, tem vários pontos polêmicos a considerar e se demonstra cada vez mais sem validade científica. Montessori, por sua vez, reprovava a ideia de que o prêmio estimula um comportamento e a punição o reprime – para ela, o caminho para o bom comportamento era a liberdade em um ambiente preparado, pois assim a alegria interna da realização da criança seria suficiente para que ela se mantivesse um bom caminho.

Por fim, a gratidão que nasce da criança em relação ao Papai Noel, e que a faz ser extremamente apegada a esta imagem como a uma esperança de alegria, pode nascer em relação ao mundo, às pessoas que a presenteiam, ou mesmo àquelas que só vivem com ela ou lhe ajudam de alguma forma. A criança pequena pode ser grata aos que lhe são próximos, enquanto que para a criança mais velha algo muito mais amplo e belo é possível: podemos lhe contar sobre todas as pessoas envolvidas na construção dos produtos que ela consome, sobre quem criou e fabricou os presentes que ela ganha. Assim, a gratidão da criança se estende ao mundo todo e fica simples compreender a interdependência entre todos e tudo o que há no mundo. Afinal, é por meio do trabalho de pessoas do mundo todo que o Papai Noel consegue estar em todos os lugares em uma só noite.

Falta-nos, por vezes, um maravilhamento diante do mundo. Para mim, a frase mais bela de toda a obra de Montessori é: “Não basta que o professor ame a criança. É, antes, necessário que ele ame e conheça o universo”. Quem conhece, ou quem caminha para conhecer, o universo, sempre o ama, e sempre se maravilha, se encanta diante das infinitas possibilidades, belezas e fenômenos que, sendo reais, parecem contos de fantasia.

Nós podemos ajudar a criança a amar e conhecer o universo, e ela crescerá apaixonada pela natureza, feliz pelas infinitas possibilidades da vida, grata pela imensa força da humanidade e encantada por aquilo que é fantástico, não porque não existe, mas justamente porque existe, justamente porque pode ser visto, tocado, experimentado, sentido. Perceberá que o mundo, exatamente como é, guarda tudo o que há de incrível, e tudo o que é necessário para que nos inspiremos a nos tornar seres humanos melhores.

O Papai Noel não é necessário. Ele não precisa estar na sua casa. Estando, ele pode ser mais um enfeite de Natal, e não precisa se tornar o protagonista da comemoração. Ele pode ser um coadjuvante querido se sua verdadeira história – que é tão linda – for contada à criança. Caso seu filho pergunte se Papai Noel existe, seja sincero, diga a verdade, e em seguida peça: “Mas posso lhe contar algo mais incrível que a história do Papai Noel?”, e lhe fale de todas as pessoas que se esforçam todos os dias para que ele ganhe belos presentes, e de como é incrível viver em um mundo em que tantos agem para que todos vivam cada vez melhor.

Por fim, se o seu filho já acredita em Papai Noel, fique tranquilo, você não vai ser o responsável por destruir a fantasia. Simplesmente não a alimente mais, aos poucos permita que a realidade surja e que ele se acostume com ela. Um dia, ele vai perguntar, e neste dia você vai responder, e vocês dois vão perceber que há verdades melhores do que nossos melhores sonhos.

“Em algum lugar, alguma coisa incrível está esperando ser descoberta” – Carl Sagan

Comemorações de Final de Ano – Decoração

E chegou dezembro! Com ele, chegam também as datas que, para alguns, são as mais especiais do ano. Hora de preparar a casa, convidar os amigos e conversar. Hora também de preparar pratos deliciosos e oferecê-los aos mais queridos. Hora de renovar a si mesmo para o ano que logo chega.

Tudo muito bem, e tudo muito bom. Mas como fica seu filho em toda esta comemoração? Embora, na tradição cristã, o Natal comemore o nascimento de uma criança e mesmo o Ano Novo seja a celebração do nascimento de um novo ano, aqueles que nasceram recentemente ficam um pouco deslocados enquanto os adultos cantam, comem, e conversam em altas vozes. Alguns dirão que as crianças são as que recebem mais presentes, mas em uma outra data especial, conversamos e chegamos à conclusão de que as crianças não gostam dos presentes em si, mas do aprendizado advindo da experiência que o presente pode proporcionar. Assim, se só nos preocupamos com o presente para a criança, a estamos formalmente excluindo da comemoração.

Nesta sequência, vamos dar uma olhada nas várias formas possíveis de integrar os pequenos nas datas tão especiais que estão chegando. Vamos passar por três pontos interessantes: primeiro, conversaremos um pouco sobre a decoração. As crianças podem e adoram ajudar a pendurar enfeites, grudar coisas, posicionar objetos. Depois, vamos abordar rapidamente a culinária – o que você e seu filho podem fazer juntos para a ceia. Finalmente, vamos pensar sobre como lidar com a noite de comemoração. Às vezes posso adotar, sem querer, uma perspectiva exclusivamente cristã, e por isso peço desculpas aos leitores de outras religiões. Eu vou realmente adorar saber se há comemorações e como elas são para os mais diversos credos. Por favor, dividam conosco nos comentários aquilo que vocês acharem mais interessante!

Primeiro, a decoração. Crianças pequenas gostam muito de coisas pequenas. Às vezes você observa seu filho caçando formigas, ou tentando pegar pequenos ciscos que ficaram na mesa – ou ainda pequenas sujeiras no chão? Isso é a demonstração clara de que, para elas, o que é muito pequeno chama a atenção. Esse fenômeno se dá por mais de uma razão. Os olhos dos pequenos ficam mais perto do chão e isso permite a eles a visão de coisas que nós, de uma distância maior, não vemos. Então, neste caso, não é que as coisas pequenas sejam mais interessantes, é só que eles veem as coisas pequenas e nós não. Em segundo lugar, no entanto, há uma maravilha nas pequenezas: aquilo é dominável. O que é grande não pode ser pego, ou explorado completamente, por alguém que é muito pequeno e ainda não sabe usar muito bem as mãos, as pernas e os olhos. Já o que é pequeno pode ser pego, carregado, experimentado.

Sendo assim, aproveite esse maravilhamento pelo pequeno e ofereça ao seu filho a possibilidade de ajudar a pendurar, por exemplo, os objetos na árvore de Natal. Ensine devagar, objetivamente, passo a passo, com clareza e exatidão como é que se faz: primeiro, abra o fio para pendurar o enfeite (ou segure o ganchinho), em seguida segure o galho, depois encaixe o pendurador aberto no galho e veja se ficou firme, então passe ao próximo enfeite. Dependendo da destreza de seu filho e do equilíbrio dele, a ajuda pode se estender a alguns galhos mais altos com o auxílio de um banquinho ou uma cadeira – até mesmo uma escada baixa – mas fique atenta(o), pode ser que ficar só nos galhos mais baixos seja suficiente ou mesmo que sua casa não precise de uma árvore tão grande assim e ele possa ajudar a decorá-la inteirinha.

Depois da árvore, peça ajuda para o presépio, ou qual sejam os objetos menores que fiquem espalhados por toda a casa. Aqui cabe um exercício que pode ser divertido. Se o seu filho já escreve ou gosta de tentar, ele pode fazer pequenas plaquinhas, em papel ou cartolina mesmo, para colocar em cada objeto. Assim ele cresce sabendo a diferença entre asno, boi, vaca, cordeiro, descobre o que é uma Estrela de Davi e até consegue nomear os personagens religiosos representados na sua comemoração com mais eficiência do que muitos adultos! Não é só uma questão religiosa, mas também um aprendizado cultural muito valioso, e ajuda a organizar montes de figuras novas na mente do seu filho.

Algumas famílias gostam de fazer calendários, eles são interessantes e podem ser belos. Sua função melhor é a de ajudar a criança a organizar o próprio tempo. Mas atente para a dificuldade da conta. Se você tem uma criança muito pequena em casa, procure fazer um calendário que conte de forma progressiva. Em vez de verem quantos dias faltam para o Natal e o Ano Novo, vejam mesmo em que dia estão, no mês, do primeiro de dezembro ao 25 ou 31. Contar progressivamente é mais fácil e mais útil para os primeiros anos de vida.

Com a ajuda das crianças sua casa vai ficar muito mais brilhante, mas mais que isso, os menores estarão realmente envolvidos nas comemorações e vão reconhecer a parte deles em tudo o que sua família e seus amigos disserem que está muito bonito. Vão perceber que conseguem fazer coisas bem feitas, mesmo na escala adulta e isso lhes dará confiança e uma sensação de posse sobre o sentido das datas muito mais aprofundada.

No próximo artigo, vamos conversar sobre como as crianças podem ajudar na cozinha e se tornarem chefs por um dia!